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Resenha: "As Crianças do Crepúsculo" de Gilbert Hernandez, Darwyn Cooke e Dave Stewart

Em uma aldeia costeira repleta de suas próprias histórias, esferas de energia aparecem subitamente e deixam três crianças cegas. Uma jovem de longos cabelos brancos e olhos azuis aparece perdida na praia e os moradores a ligam às esferas.


Sinopse:


Ninguém sabe o que são as misteriosas esferas brilhantes, nem de onde elas vêm. A única coisa que importa para os moradores da cidade praiana onde elas surgem é o que elas causam quando aparecem. Elas cegam crianças e lhes dão poderes psíquicos. Destroem casas e fazem famílias desaparecer. Atraem cientistas, especialistas do governo e agentes secretos, cada um com seus próprios interesses. E inflamam emoções –paixões secretas, ressentimentos latentes – ao máximo. E agora elas trouxeram Ella. Materializada na praia como um dos misteriosos orbes, essa bela mulher não fala, mas parece ser portadora de um grande poder. Ela chegou para salvar ou destruir a cidade? Ou será que, na verdade, é ela quem corre perigo? As lendas dos quadrinhos Gilbert Hernandez (Love and Rockets), Darwyn Cooke (DC: A Nova Fronteira) e Dave Stewart (SANDMAN: PRELÚDIO) colaboraram nessa história assombrosa de realismo mágico. Esta edição traz também esboços de Hernandez em 148 páginas.





O que se esconde em nossos corações? Revelamos tudo sobre nós a quem amamos? É com este objetivo em mente que Gilbert Hernandez nos coloca em um furacão quando uma estranha garota chamada Ella surge em um vilarejo costeiro e sua mera presença provoca um efeito colateral nas pessoas de perseguirem o desejo mais íntimo de seus corações. Enquanto uns revelam seu lado mais hospitaleiro e humilde, outros se mostram espíritos inquietos, incapazes de se decidirem o que desejam para si. No meio de tudo isso, temos crianças que, quando são expostas a uma bolas de energia não são mais capazes de enxergar. Ficamos nos perguntando o que desejam estes seres de pura energia e quem é Ella e quais os seus reais objetivos. Pouco a pouco, enquanto todo o cotidiano da vila é alterado drasticamente, vamos descobrindo pistas sobre o mistério envolvendo tudo isto e se restará pedra sobre pedra ao final de tudo.


Esta é a primeira vez que leio algo do autor, e sei que ele é mais famoso por sua série na revista Love & Rockets onde traça os destinos de uma série de personagens que se tornaram clássicos entre os quadrinhos independentes como a caliente Luba que tem muitos paralelos que podem ser construídas com a Tito, uma figura central nessa história. Embora a gente desconfie aonde o autor deseja chegar no final da jornada, a história me parece solta demais e em alguns momentos nos sentimos perdidos e sem direção. A narrativa se foca no romance entre Anton, Nicolas e Tito e em como a Tito flutua entre amores efêmeros o tempo todo. Só que uma história dessas deveria ter abordado outras pessoas da vila apresentando o problema como algo mais amplo. Até temos um enfoque na tristeza de Bundo e a perda estranha de sua família ou no policial que tenta colocar a casa em ordem, mas tudo é efêmero demais, aproveitando um adjetivo usado antes. Não consegui me prender à história e ficava tentando retomar minha atenção a ela em alguns momentos. O que não é algo que ajude a sua fruição.


A arte do Darwyn Cooke é deslumbrante. Já tive a oportunidade de conferi-la em outras obras e um dos grandes destaques do seu trabalho é uma arte pé no chão e até meio suja como na série Parker onde ele representa uma história sobre o crime organizado. Mas, aqui em Crianças do Crepúsculo ele retoma um tipo de arte que amei, que é aquela vista em Liga da Justiça - A Nova Fronteira. Tudo é muito colorido, e há uma explosão de cores pela tela. Combina com o ambiente meio tropical representado na HQ, com pessoas vestidas de forma bastante variada pelo cenário. Me parece ser algo inspirado em algum local no Caribe. Os personagens possuem modelos corporais bastante variados e só me incomodou a semelhança incrível entre Ella e Tito. Não sei se foi proposital, pelo menos o roteiro não me deixa entender isso, ou se ele só empregou o mesmo tipo físico. Diferentemente de em A Nova Froneira, Cooke segura um pouco a mão e deixa uma quadrinização mais contida embora ele consiga estabelecer alguns momentos bem legais como quando eles descobrem as bolas de energia pela primeira vez. Nesse sentido, me pareceu que Cooke deixou sua arte mais interligada ao roteiro, buscando potencializá-lo quando possível ou criar uma cena mais dramática. Sem falar no trabalho de potencialização que o Dave Stewart faz na HQ. Sua experiência certamente ajudou a escolher o que encaixaria melhor em cada cena ou que cores eram mais significativas para determinado trecho. O uso dessas cores mais pasteis gera uma sensação diferenciada no que é apresentado.

Vamos começar falando sobre o trio Tito, Nicolas e Anton. Tito é aquele tipo de personagem que vai deixar o leitor incomodado. Ela é uma personagem que vai tomar várias atitudes reprováveis ao longo da história e parte das confusões que acontecem se devem a essa postura livre dela. Se pararmos para refletir, ela é uma mulher que ainda não está satisfeita com o que tem. Ou até é um espírito tão livre que suas paixões são como as ondas do mar e vem e vão a todo o momento. Ela não deseja estar com uma só pessoa (apesar da escolha ousada que ela faz no final) e, na visão dela, ela não faz o que faz por mal. Apenas Tito não consegue se conter. Quando Ella surge mais à frente na história, Tito sente que seu território foi invadido por uma estranha e, como uma boa personagem a la Gabriela, do saudoso Jorge Amado, ela não se conforma em não ter mais a atenção das pessoas ao seu redor. É nesse sentido que Tito vai tentar fazer algo a respeito da súbita aparição da estranha mulher de cabelos brancos. Mas, a chegada de um pesquisador jovem atrai o seu olhar para uma nova presa. Mas, Felix está atraído pelo mistério representado por Ella. Ou seja, mais um admirador roubado por sua rival.


Anton e Nicolas precisam disputar o coração de Ella. Se Nicolas é o marido e Anton é o amante, quem Tito ama mais? Embora as ações de Tito sejam erradas, existe também essa observância sobre quem é o mais másculo dentre os dois. Aquele que é mais capaz de entreter e agradar sua amada. Óbvio que esta postura acaba se revelando mais um machismo velado com cada um tratando Tito como uma posse mais do que uma amada. As ações de Tito não são as mais corretas, mas a postura de ambos também não são. A situação complica ainda mais quando aparece o Felix na jogada. Isso cria um terceiro elemento ao qual os dois não tem controle já que esta não é uma parte necessariamente interessada. Felix não tem um interesse sexual por Tito... até sente atração, mas não essa necessidade possuí-la como os dois marmanjos possuem. O cientista a enxerga como uma mulher atraente, mas seu foco está em resolver o mistério de Ella e das esferas de energia.


Já Ella não pode ser entendida necessariamente como um personagem, mas mais como um catalisador para as histórias que se desenrolam no local. Sei que é uma maneira até meio rude de se referir a ela, mas Gilbert Hernandez a utiliza sempre que precisa avançar algum ponto ou fazer um personagem se voltar a uma direção. Ela tem seus próprios interesses, mas a história faz o possível para escondê-los até o último momento. O tropo usado aqui é a do ser estranho que perdeu a memória ou não é capaz de se comunicar com os seres humanos. Aos poucos percebemos que sua comunicação funciona em outra direção, buscando se comunicar mentalmente ou emocionalmente com aqueles que foram tocados por seu brilho. Da forma como a personagem foi concebida, Ella é muito rasa. Haveria formas bem mais interessantes de explorar o olhar de um alienígena sobre a Terra. De uma maneira que abarcasse os problemas típicos de uma aldeia pequena. E nem havia tantos personagens a serem explorados assim. Ao fechar sua narrativa nos limites da cidade, isso permitiria ao autor voar mais. O projeto soou menos audacioso do que poderia ser.

Entendam, a narrativa não é ruim. Ela só é normal e batida demais. Não há nada que a faça ser diferente do que já vimos sendo escrita por outros roteiristas. E sabemos que o Gilbert Hernandes é capaz de muito mais do que isso. Por exemplo, a história do Bundo e de sua família desaparecida é triste, mas não produz o impacto necessário. Ele é considerado o bêbado e maluco da cidade, e aí vemos o quanto a situação toda com a família foi um baque para ele. Isso permitiria uma série de explorações emocionais sobre as consequências da perda. Algo que Ella poderia ter despertado no Bundo já que sua função na história era analisar o que se esconde no coração das pessoas. Ou até do policial de aldeia pequena que se vê envolvido em algo maior do que ele mesmo e precisa acalmar a população. Dava para explorar as relações que ele tem na cidade ou até mesmo aquele plot twist lá no final onde o autor poderia fazer com que a mudança em sua vida fosse recebida com preconceito pelos moradores locais.


Crianças do Crepúsculo é um bom saco de ideias legais mal aproveitadas. A linguagem do Gilbert Hernandez é única e ele sabe mexer com o coração de seus personagens. Mas, como todo autor que se concentra em trabalhar as pessoas que criou, ele precisa e espaço e seis edições não são suficientes para isso. A arte do Darwyn Cooke é um espetáculo. E isso porque estamos falando de um Cooke mais contido pelo roteiro da HQ. Mesmo assim, ele brilha com uma palheta de cores linda e personagens que são únicos. Aqueles que você rapidamente consegue identificar. A história é boa, mas parece meio sem direção do meio para o final. No entanto, a experiência é boa.










Ficha Técnica:


Nome: As Crianças do Crepúsculo

Autor: Gilbert Hernandez

Artista: Darwyn Cooke

Colorista: Dave Stewart

Editora: Panini Comics

Tradutor: Érico Assis

Número de Páginas: 148

Ano de Publicação: 2019


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