• Diego Araujo

Resenha: "A Cicatriz Invisível" de Júlio Ricardo da Rosa

A Cicatriz Invisível elabora uma trama de suspense criminal com características reconhecíveis a muitos brasileiros, como a discussão profissional sobre o futebol e a corrupção presente em todo lugar.



Sinopse:


Um pacato jornalista esportivo reencontra a mulher que mais desejou na juventude, Marta Regina, namorada de seu então melhor amigo. A atração entre os dois é arrebatadora, e eles iniciam um relacionamento tórrido. Porém, há um pequeno problema: Marta agora é casada com um poderoso e perigoso dirigente de um clube de futebol. Cada vez mais tomado pelo desejo, o jornalista acaba envolvido em uma trama sombria, que pode custar sua vida. A Cicatriz Invisível é um romance noir na tradição de David Goodis e Cornell Woolrich, com suspense do início ao fim!





A Cicatriz Invisível é uma história nacional sobre nossa paixão pelo futebol. É algo brasileiro mesmo, pois também trata do esquema de corrupção nos bastidores que mesmo desconhecendo, ninguém ficaria surpreso dessa existência. O protagonista só quis o emprego para sustentar as próprias contas, procurando adaptar a rotina decadente às suas próprias convicções, sem se envolver nas ações podres que ele via acontecerem ao seu redor, até um encontro reacender desejos passados, capazes de o trazer ao lado obscuro do esporte. A Cicatriz Invisível é o primeiro romance do selo Safra Vermelha, da Editora Avec, focado em histórias criminais. Escrito por Júlio Ricardo da Rosa em 2020, o protagonista enfrentará de perto uma conspiração envolvendo figuras obscuras do futebol.


“O futebol não é para ingênuos... A vida muito menos.”

Formado em jornalismo, o protagonista é reconhecido pelas colunas e crônicas sobre as partidas de futebol. Longe de ser o emprego dos sonhos, nem gostava do esporte quando era mais novo. O protagonista tinha uma paixão pela literatura, chegando a publicar contos e romances, mas só conseguiu seu sustento financeiro por meio dessas colunas jornalísticas. Tudo isso é repassado ao encontrar Marta Regina, uma colega de escola sempre atraente a seus olhos, apesar de ela namorar o melhor amigo na época. Agora ela é próxima de Heleno Külbert, o administrador capaz de operar milagres nas finanças de seu time de futebol. Isso até o protagonista descobrir as ações extraoficiais dele e cair no esquema de corrupção que sempre tentou evitar.


“A corrupção só deve ser denunciada quando for notória.”

Sem revelar o próprio nome, o protagonista toma a liberdade de contar várias situações íntimas que o fazem se envolver neste caso. O capítulo de abertura mostra um protagonista típico de muitos outros semelhantes a ele neste gênero, um homem de finanças seguras, embora inquieto numa vida insignificante, sem apelo ao público com as criações literárias e carente de encontros sexuais. O perfil tão recorrente pode afastar os leitores cansados deste tipo de protagonista. Por outro lado, há particularidades deste personagem que o tornam interessante, listados por ele na forma de um desabafo justificando como chegou a viver assim, encaixando as peças de sua personalidade até ele se intrometer nos atos de corrupção de gente perigosa.




Depois da introdução completa do personagem, o romance prende a atenção pela promessa de entregar que o sistema de corrupção é esse que ele acabou descobrindo. Também aborda o quanto o protagonista já se comprometeu e como ele irá sair ileso dessa situação, tudo enquanto o leitor acompanha esse conflito em sua vida normal e a trama coexistindo na rotina deste jornalista. O autor sustenta o ritmo até o capítulo final, quando quebra a condução na cena de perguntas e respostas quanto ao mistério no estilo cartunesco de o vilão contar todo o plano. Ao menos em seguida a qualidade da escrita reacende e segura o leitor até o fim do último parágrafo, onde tem a resposta final da questão bem guardada páginas atrás.


“A vida é simples. E cruel.”

Mesmo o leitor que não curte o tema de futebol poderá aproveitar desta leitura. Talvez atice curiosidades de como o jornalismo esportivo funciona. Já o foco do conflito é a exploração da polêmica já conhecida de praxe de quase todo brasileiro, o da mão invisível da corrupção agindo por trás de atividades aparentemente inocentes. O livro também aborda a exploração sexual a que certas pessoas mergulham de forma instintiva, servindo de contexto ao conflito aprofundado pelo romance.


A Cicatriz Invisível é uma obra brasileira sobre futebol, corrupção e sexo; tudo característico da cultura nacional, usada através da composição inteligente do enredo levando o leitor a conferir as intimidades do protagonista enquanto enfrenta o problema sempre presente nas sombras, agora de perto ao seguir seu interesse amoroso. Com cento e sessenta páginas, a leitura é rápida e ao mesmo tempo prende a atenção, esta recompensada por quase todo o enredo.

“E, mesmo o futebol sendo incoerente, na maioria dos jogos vencem os melhores.”










Ficha Técnica:


Nome: A Cicatriz Invisível

Autor: Júlio Ricardo da Rosa

Editora: Avec

Número de Páginas: 160

Ano de Publicação: 2020


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*Material enviado em parceria com a Avec Editora














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