• Paulo Vinicius

O que vem a seguir?

Essa é uma postagem para refletir sobre o que aconteceu ao site e à sua equipe no ano de 2021 e traçar alguns possíveis panoramas para o ano que chega.


2021 não foi um ano fácil para ninguém. E mesmo ele tendo sido menos impactante, mas não menos complicado do que o ano anterior, teve sua cota de desafios. Venho relutando há algumas semanas para fazer essa postagem, porque é algo que faço tradicionalmente todo final de ano. Mas, não vinha encontrando a coragem ou as palavras para fazer essa postagem acontecer, por isso que há uns 15 dias as segundas-feiras do FH tinham ficado sem postagens. Se torna algo necessário porque esse é um texto que é quase uma catarse para mim, em particular. Só que se tratou de um ano de transformações, alegrias, esperanças, tristezas e decepções. Tudo junto e misturado. Chego nesse começo de 2022 sem esperar nada em particular, diferentemente de outros anos. Lembro que no ano passado, nessa mesma época, estava ocupado terminando um trabalho bastante legal para uma editora que tenho um profundo apreço. Não sei se para eles o que eu fiz teve alguma consequência ou resultado positivo até porque não tive feedback a respeito. Mas, para mim foi algo bastante positivo.


Este foi um ano estranho. Parado durante quase 9 meses para mim até o meu retorno às minhas atividades normais. Como tenho uma esposa que tem comorbidade, estive amparado legalmente para permanecer trabalhando no ensino remoto (que é a mesma coisa que nada). Aliás, se alguém do ensino público disser a vocês que o ensino remoto ajudou os alunos a passarem por esse tempo de pandemia, está mentindo descaradamente. Ao retornar a sala de aula pude constatar aquilo que eu já sabia: mais de 80% dos alunos da minha escola não acessavam a plataforma ou acessavam apenas esporadicamente. Todos retornaram com desvios bizarros de habilidades e competências em leitura, cálculo, interpretação textual ou raciocínio matemático. Tive alguns que esqueceram habilidades. Esse governo (seja o federal ou o estadual que é amigo da União) vai ficar marcado para sempre por ter ampliado a defasagem idade-série que já existia no Rio de Janeiro em anos anteriores. Tivemos prova do SAEB agora no segundo semestre e o INEP sequer divulgou o resultado adequadamente com medo do feedback negativo. Mas, é fato comprovado que o RJ vai cair muitos degraus nos próximos anos. Apesar de toda a truculência e falta de diálogo do governo paulista, eles se saíram melhores dessa situação toda. Sem falar na quantidade enorme de alunos evadidos nos últimos dois anos. Tivemos turmas fantasmas em que insistíamos para o retorno do aluno que aparecia na escola apenas para pegar uma cesta básica.


Diego e Amanda tiveram também bons anos de trabalho e suor. Não posso comentar acerca de suas vidas particulares porque isso diz respeito a cada um deles. O Diego tem investido em sua escrita e já chegou a ser publicado duas vezes em duas coletâneas. Sei que ele é um estudioso de escrita criativa e torço para que ele consiga ter uma publicação grande no futuro próximo. Nossa querida Amanda foi convidada para um episódio do podcast Perdidos na Estante (do qual faço parte) e a equipe gostou tanto da participação dela que a tornou membro da equipe fixa do podcast. Desde então ela tem feito um trabalho bastante competente por lá. Acompanhem o trabalho dela que vocês poderão conhecer mais sobre seus gostos fora da literatura de gênero.



Sobre o blog em si, foi um ano meio calmo e sem muitas novidades. Passei metade do ano estudando técnicas de quadrinhos. Li bastante material teórico a respeito até porque não tive grandes obrigações patrocinadas ao longo do ano. Aproveitei para me aperfeiçoar em alguns pontos da minha escrita e propus um desafio a mim mesmo: ler cem quadrinhos a partir da segunda metade do ano. Completei esse desafio em novembro e muito desse material vocês verão a partir desse ano quando, a partir de fevereiro, pretendo dobrar as resenhas de quadrinhos. Algo que já faço com as resenhas literárias. Se por um lado foi um ano de aprendizado pessoal e investimento nas bases da minha escrita per se, por outro perdi a maior parte das editoras que apoiavam o site. Algumas não estão mais trabalhando com literatura de gênero enquanto outras apenas reduziram seus trabalhos. Também não fui capaz de renovar com algumas editoras. Isso fez com que o número de materiais literários "da moda" reduzisse bastante.


Quem acompanha o nosso trabalho, sabe que eu, particularmente, não faço questão de ser mais um entre os cem outros influenciadores que receberam o lançamento do mês da editora X, Y ou Z. Tenho a minha própria velocidade de trabalho e mesmo sendo alguém que possui uma alta produtividade, não me incomodo nem um pouco em agradar terceiros. Se eu tiver que fazer uma resenha de um livro antigo, farei com todo o gosto. Por exemplo, pretendo terminar algumas séries que comecei nos anos anteriores esse ano, como Mistborn (e Mistborn nem anda tão badalado assim). Também já expressei o quanto falta imaginação e criatividade para produtores de conteúdo e editoras, que permanecem mais no lançamento do mês. Gosto de trabalhar conexões entre livros e temas, extrair assuntos interessantes de materiais que nem sempre são novos. Faço isso no meu cotidiano de trabalho durante aulas de História e Sociologia, então esse tipo de prática vem para mim naturalmente. Algumas editoras tem catálogos maravilhosos com livros custando valores irrisórios. Estava vendo essa semana o Guerra Mundial Z, da Rocco, um livro anos-luz melhor do que o filme. E ele estava custando 12 pratas na Amazon. O que uma boa divulgação não faria por esse livro. Certamente com dois dedos de esforço daria para colocar o livro no top 5 do site. Bastava apontar suas qualidades e a editora divulgar nas suas redes sociais.


Sou totalmente consciente de que a minha forma de apresentar conteúdo não é das mais populares. Acessa quem quer, quem curte e quem gosta. Fiz quarenta anos no ano passado e sou velho e rabugento demais para aprender alguma coisa nova desses Tik Tok e Instagram da vida. Faço o básico e de forma até meio esquisita. Gente, sei que não sou pop (rssrsrsrsrsrsrs). Prefiro me concentrar em trazer um conteúdo de qualidade para aqueles que nos seguem. Provavelmente estou entre os blogs mais longevos de fantasia e ficção científica. Acho que dos pequenos estou entre os mais antigos. Perco para os mais badalados e aqueles que se tornaram autores ou especialistas na área. Estando há sete anos nessa internet de meu deus, dá para perceber o quanto é complicado manter o pique para estar toda semana produzindo conteúdo novo. Sendo bem sincero, compreendo, mercadologicamente e digitalmente, porque não estou entre os selecionados para boa parte das parcerias, mas isso acaba ferindo o ego. E meu ego costumava ser do tamanho do Everest e hoje está mais para abaixo do Mar Morto.


Cheguei naquela altura do que faço em que me questiono se faço algo positivo ou não. Se realmente contribuo de alguma forma para o mercado. Uma das coisas que mais me entristeceu no final de 2021 foi o meu desligamento do clube do livro da minha escola. Infelizmente por razões que não quero comentar, o ambiente não estava mais positivo para mim. Quando a gente sente que mais está sobrando do que acrescentando e tudo por vaidade, protecionismo ou inveja mesmo. Era uma atividade em que dava o meu suor e sangue todas as semanas e teve o seu momentum parado por causa da pandemia. Quando voltamos da pandemia, o ambiente era outro e as coisas se encaminharam para uma situação não mais legal. A tarefa de criar novos leitores me era cara e me estimulava mesmo quando o blog estava estagnado ou não subia mais como antes. Hoje, só tenho este espaço e não sei mais o quanto ele acrescenta. Não fiquem alarmados, não pretendo deixar de publicar, até porque fiz uma promessa a mim mesmo que iria até o décimo ano de existência e lá tomaria minha decisão. Mas, o peso está se sobrepondo um após o outro e já não tenho mais tanta certeza sobre as coisas. Apenas estou seguindo a corrente e vendo onde ela vai dar.



Acho que fica aquela lição para quem está chegando neste universo de publicação na internet: a menos que você seja alguém muito especial ou saiba lidar bem com plataformas de redes sociais, o caminho é duro e espinhoso. Não há um manual que diga a você como fazer sucesso. Na maior parte das vezes, não faz. E trabalhar com literatura de gênero no Brasil é osso duro. É caminhar nos áridos desertos de Arrakis do mundo real. Onde não vai ter dança fremen capaz de salvar da indiferença e da falta de cliques. E isso porque chego a ter meses em que tenho mais de 500 acessos diariamente. É pouco ainda, mas é o suficiente para me manter seguindo em frente. Fora alguns feedbacks que chegam até mim que sempre fazem o nosso coração ficar mais quentinho.


Enfim, o que vocês podem esperar de mim, em particular, é um retorno à literatura em si. Fiquei quase dois anos sem comprar livros, apenas recebendo materiais de parceria (da Suma, que é uma parceira querida do coração e da Avec que tem um trabalho maravilhoso). Ah... preciso comentar duas parcerias que me deixam bastante orgulhoso. São parcerias com dois autores: Roberto de Sousa Causo e Nelson de Oliveira. São duas lendas da literatura de gênero no Brasil e sempre produzem materiais de vanguarda na ficção científica. Todas as vezes que os dois entram em contato com a minha pessoa, chego a inflar igual um baiacu (péssima figura de linguagem, né?). Os trabalhos que tive o prazer de escrever um artigo de opinião foram ou premiados ou indicados a premiações. Aliás, fica a dica para vocês conhecerem ambos. Não vou ser arrogante e dizer que vocês já deveriam conhecê-los, mas que procurem ir atrás do que eles produzem. São leituras sempre desafiadoras.


Espero poder continuar agradando a essa galerinha que vem aqui todas as semanas ler o que esta humilde pessoa escreve. Poder aprender mais e sempre poder cultivar o respeito às diferenças, o amor ao próximo e a união entre as pessoas. Acham que amor ao próximo é piegas ou religioso demais? Repensem. Amar ao próximo nada tem a ver com religião diretamente, mas com respeito, carinho e afeto. Se em 2021, a palavra do dia era esperança (e até mudei a logo do FH por um ano), a desse ano é união. Precisamos estimular a união para podermos atravessar essa realidade tão polarizada e violenta que vivemos. Somente através da UNIÃO poderemos ser pessoas melhores. E para nos unirmos, precisamos compreender e respeitar uns aos outros.


É isso, gente! Nos vemos por aí e obrigado pelos peixes!














0 comentário

Posts recentes

Ver tudo