• Paulo Vinicius

O que eu curti e o que eu abandonei na temporada de animes de abril de 2021

Surpresa!!! Estreia de uma nova série de conteúdos sobre animações ocidentais e orientais aqui no FH. Hoje vou falar sobre aquilo que eu mais curti que foi lançado durante o mês de abril de 2021.



A partir de hoje, quarta-feira, teremos uma coluna semanal sobre animações de todos os tipos, sejam os animes japoneses ou as animações ocidentais que vem ganhando cada vez mais espaço. Vou tentar sempre que possível escrever uma matéria ou uma resenha sobre o que eu tenho assistido. E eu curto animes desde os idos da década de 1990. E por que ler uma opinião minha? O que ela tem de diferente em relação a tudo o que existe por aí, que não é pouca coisa? Então, eu tenho gostos estranhos. Bizarros até. Trago minha experiência como resenhista de literatura para falar sobre o que eu tanto curto. A cada nova temporada costumo assistir entre 5 e 10 animes ao mesmo tempo. Vocês não verão análises de cada episódio. Acho que para esse tipo de material existe muita gente boa e eu não iria acrescentar em nada. Quero falar mais dos temas presentes nos animes ou alguma reportagem sobre o mercado de animação.


Vamos ao que interessa, então. Fica só uma observação: ainda não tive tempo de assistir os novos animes da Netflix. Em breve eu faço comentários a respeito de Gokufushudou, Yasuke e Castlevania. Outra observaçao: só vou comentar sobre animes que estrearam agora; não valem continuações.


Curtidos:


Vivy Fluorite Eye's Song



Esse eu vou rasgar seda até o ano que vem. Fico em dúvidas entre Mashiro no Oto e Vivy's Fluorite como o melhor dessa temporada. Como eu sou um maluco por ficção científica e fazia um tempinho que eu não via nada tão bom assim nesse gênero, fico com Vivy. Isso porque a animação original do Studio WIT (o mesmo das primeiras temporadas de Ataque dos Titãs) possui visuais dignos de um filme em animação. Tem tudo o que um fã de anime pode querer: ação, drama, ideias futuristas insanas e uma narrativa digna de um Exterminador do Futuro, só que mais fofinha. A trilha sonora combina com o gênero e as canções da Vivy me fizeram lembrar de bons momentos do anime Macross. Para quem ficou a fim de assistir, corre porque já está no episódio 7 de 13 episódios. Como se trata de um roteiro original, deve acabar direitinho e tudo indica que vai ser o caso.


A história se concentra na figura de Diva (ou Vivy para algumas pessoas), uma IA programada para cantar em um parque de diversões robótico chamado Nialand. Só que Vivy tem uma particularidade: é a primeira IA totalmente autônoma comparado aos demais robôs do parque que seguem uma programação específica. Vivy tem objetivos e vontades, apesar do cerne de sua programação ser fazer as pessoas felizes através de sua música. Só que ela não é muito popular, não conseguindo atrair um público para o seu pequeno palco em um lugar à parte de Nialand. Até que um dia ela recebe a visita de uma estranha IA chamada Matsumoto que alega ter vindo de um futuro daqui a cem anos onde as IAs se revoltaram contra a humanidade e provocaram um genocídio. A única IA que sobreviver a 100 anos de existência e não se envolveu no ocorrido devido à sua autonomia foi Vivy. Só que ela se tornou obsoleta e abandonada no futuro. Matsumoto voltou ao passado para tornar Vivy sua agente e exterminar IAs rebeldes. Segundo ele, haviam momentos na história que poderiam ser modificados para que a tragédia não acontecesse. A história gira em torno disso. Só uma coisinha: quem acha que o anime é bonitinho, vai ter uma surpresa bem rápido. Vivy e Matsumoto vão perceber que mudar a história é mais complicado do que parece. E pode causar alterações imprevisíveis.


Mashiro no Oto



Para muitos é considerado o melhor da temporada. Surpreendeu muita gente pela sua qualidade, história e musicalidade. Sinceramente não esperava que um anime de slice of life sobre um cara que toca shamisen iria ser dessa forma. O roteiro é afiadíssimo e os problemas vividos pelo protagonista são os de um artista buscando o seu caminho pela música. Descobrir o seu som, entrar em contato com outras pessoas, entender como ele toca essas pessoas. A animação é do studio Shin-Ei Animation, possui 12 episódios e é a adaptação de um mangá. Este é de Marimo Ragawa e é uma série bem extensa contendo 25 volumes e ainda se encontra em publicação. Ou seja, tem bastante material para adaptar. Ouvir uma música tocada em um shamisen é pura magia. Logo no segundo episódio, Setsu (o protagonista) faz um dueto com sua mãe Umeko. A música se chama Tsugara Ohara Bushi e é uma canção que conta a história do amor de um homem por uma mulher na primavera. A sonoridade do shamisen aliado à linda voz de acompanhamento te derrubam completamente. O primeiro episódio já foi bem legal, mas o segundo me fez perceber que eu estava diante de algo especial.


Depois da morte de seu avô, Setsu Sawamura segue para a cidade em busca de seu som. Seu avô Matsugoro era considerado uma lenda na arte da música de shamisen improvisada. Tocado pelo som de seu avô, Setsu queria tocar como ele, produzindo uma música que pudesse lhe fazer lembrar dos bons momentos vividos com ele. Mas, sua incapacidade em conseguir o seu objetivo frustra os seus esforços e ele abandona a casa onde ele tanto viveu para tentar descobrir o que falta para si. Depois de passar um tempo com uma garota tão perdida quanto ele, Setsu acaba indo parar em uma hospedaria onde ele tenta retomar sua vida. Sua mãe Umeko faz de tudo para arrastá-lo para a vida nos palcos, mas ele resiste. Até que um encontro inesperado o faz entrar em um clube de apreciação de shamisen em sua escola.


Odd Taxi



Eu disse que tinha gostos estranhos e esse é só o começo. Esse é um anime complicado de explicar sobre o que se trata. Mas, a atmosfera cool e diferente dele me atraiu. A animação nem é lá essas coisas, só que os mistérios vão se empilhando um a um e a gente acaba atraído sempre para o próximo episódio. Ainda é cedo para falar aonde o anime vai levar porque ele começou bem depois da primeira leva da temporada. Vale destacar que é mais um anime de roteiro original, demonstrando aos espectadores que nem tudo precisa vir de um mangá. Apesar de alguns animes bem questionáveis em anos anteriores, 2021 tem se mostrado bem diferente em relação a esse tipo de roteiro sem ter uma origem específica. Isso permite aos produtores a habilidade de poder dosar naquilo que está sendo colocado na tela e até dar um final satisfatório. Odd Taxi vem do esforços de dois estúdios: o OLM, que, para meu total espanto, é o estúdio de Pokémon e o P.I.C.S. que é um estúdio terceirizado para auxiliar na animação. A série terá doze episódios. Odd Taxi é repleto de críticas sociais bem diferentes e o uso de animais antropomorfizados me fez lembrar Beastars, mas Odd Taxi é mais politicamente incorreto. E nada mais engraçado que você tomar um susto quando a Shirakawa, a ovelha que tem um crush pelo protagonista, revela que sabe capoeira e começa a dar uns movimentos completamente do nada. Minha cara caiu na hora e me diverti à beça.


Tentar explicar essa bagunça. Bem, Odokawa é um motorista de táxi que leva todo o tipo de gente em seu veículo. Desde comediantes frustrados, loucos por curtidas no Instagram, criminosos em fuga entre outras figuras bizarras. Ele se vê envolvido com uma garota que fugiu de casa e ele acaba escondendo-a em sua casa. Até agora não entendemos o motivo. Mas, Odokawa precisa esconder essa história a qualquer custo, e ele ter presenciado um crime cometido por Dobu o coloca na mira da polícia que desconfia que o taxista está escondendo alguma coisa. No meio dessa história toda, Odokawa se envolve com Shirakawa, uma enfermeira graciosa que se encanta por ele. Só que Shirakawa parece contrabandear remédios da clínica onde trabalha ao lado do dr Gouriki. Isso sem falar no melhor amigo de Odokawa, o macaco Kakihana que depois de muito tentar encontrar uma namorada no seu aplicativo de paquera, conhece Ichimura, que parece curtir a vibe de Kakihana. Só tem um probleminha: Ichimura é a vocalista de uma famosa banda de idols. Como esse namoro vai rolar se ela pode ser reconhecida a qualquer momento? E por que Imai quer tanto matar Odokawa?


Farewell, My Dear Cramer



Vou mudar um pouquinho o começo dessa fala e colocar uma cena do anime e não a sua abertura. Isso porque Farewell, My Dear Cramer não tem nada de especial em relação aos demais da temporada. E tem tudo de especial ao mesmo tempo. Em um momento em que buscamos dar mais espaço às mulheres em todos os campos de atuação, um anime japonês falando de futebol feminino e das dificuldades que ele vive é super importante. E ele faz isso de um jeito leve e divertido, sem ser excessivamente panfletário. A história é gostosinha, as personagens, embora clichês, são carismáticas. As situações que elas vivem são bem apresentadas, como o pouco espaço na imprensa que o futebol feminino tem, a ausência de apoio institucional para a melhoria do esporte, os professores de Educação Física conservadores que entendem que lugar de mulher é como líder de torcida. Nozomi Onda, a protagonista, não é nenhum Oozora Tsubasa, mas ela tem aquele fogo no olhar que tanto encanta os espectadores e nos fazem torcer por ela. Mas, o anime não é só da Non-chan. Tem a Suou, a Noriko e a Sochizaki que também estão lá para dividir espaço com ela e mostrar que um time de futebol é formado por onze jogadores.


A animação é do studio Liden que faz uns trabalhos bem medianos e isso está presente na animação estranha, na escolha questionável de trilha sonora. Mas, a narrativa é tão melhor do que isso que faz com que eu ignore tudo isso e escolha me divertir. É o anime de domingo que eu assisto antes de todos os outros. São 13 episódios de um anime que tem duas séries de mangá. A primeira delas conta a história da Onda quando ela era jovem e teve dois volumes publicados entre 2009 e 2010. O anime é baseado na segunda série de mangás que já pega uma protagonista um pouco mais velha e mostra o crescimento do time feminino da escola Warabi. Essa série teve 13 volumes e foi publicada entre 2016 e 2020.


Fumetsu no Anata



Fumetsu no Anata é uma daquelas obras que em breve vamos chamar de obra de arte. Com uma direção espetacular, uma animação linda e uma história contagiante e que te mantém preso, ele foi o mais esperado da temporada, ao lado do reboot de Shaman King. E nos quatro episódios que eu assistir até esse momento ele comprovou o hype. Claro que nem todos vão entender por que se fala tanto nele, até porque a narrativa original demora um pouco a realmente empolgar. Yoshitoki Oima, autora do material original de onde o anime foi adaptado, curte uma narrativa mais calma e progressiva, como pudemos ver em A Voz do Silêncio. Acredito que a gente vá ter uma aceleração da história por volta do episódio 7 ou 8, mas isso não tira os méritos do anime antes disso. O primeiro episódio é de extrema sensibilidade mostrando um cenário isolado na neve e tendo uma carga dramática que certamente vai fazer os espectadores suarem pelos olhos. A animação é produzida pelo competente studio Brain's Base, responsável pelos elogiados Baccano e Durarara. Teve uma cena da luta do protagonista contra um urso gigante que, pelo cenário e a fluidez da animação, me fez lembrar de Princesa Mononoke. O que temos de informação é que a animação vai ter 20 episódios em um primeiro momento, mas o material original é vasto, sendo que o mangá está em andamento com 14 volumes.


A história é sobre um artefato místico senciente enviado por um poder divino à Terra. Este artefato tem a habilidade de copiar qualquer criatura viva. Inicialmente ele copia uma pedra e permanece por muitos anos nessa forma até que ele copia o aspecto de um lobo das neves que havia morrido há pouco tempo. Esse lobo era o companheiro de caça de um jovem menino deixado para trás por seus conhecidos. O menino mora em uma cabana onde aguarda o retorno deles que afirmaram que iriam atrás de terras verdes após uma montanha bem longe ao sul. Um dia, o menino decide seguir com o seu lobo em busca dessas terras verdes mesmo sabendo que seria uma viagem mortal. É quando acontece uma tragédia e a história continua adiante... e o artefato continua ganhando cada vez mais consciência.




Esses animes que eu mais curti das estreias. Não incluí Shaman King porque para mim é quase como se fosse uma continuação. Assisto alguns outros, mas não com a mesma empolgação.


Abandonados:


Yakunara Mug Cup mo



Depois que o meu querido Yuru Camp teve sua segunda temporada finalizada, estive em busca de algo que me fizesse sentir a mesma paz no coração que Yuru fazia. Para isso escolhi dois animes: Super Cub e Yakunara Mug Cup mo, embora pela sinopse eu acreditei mais no segundo. E tudo o que Yuru Camp tinha que se destacava, a história do clube de cerâmica não tinha. Algo que o anime sobre camping tinha que era sensacional era a falta de exagero na fofura (no moe), algo que o próprio autor do mangá de Yuru dizia que evitava. E brigava com o estúdio para evitar. O foco era na amizade das meninas e no hobby do camping. Já Yakunara Mug Cup tem um excesso de fofura que incomoda. É chato. As personagens são exageradas, eu quero conhecer mais sobre cerâmica e só no terceiro episódio que começa a se focar na atividade (apesar de ter alguns momentos nos episódios anteriores). Estou falando que o anime é chato apesar de ele ter episódios de doze minutos (metade de um anime normal). A animação é feita pelo studio Nippon Animation que nos últimos tempos não tem tido tanto destaque, mas foi responsável no passado pela primeira versão da adaptação de Hunter x Hunter. O material original é publicado desde 2012, do mangaká Planet e conta até o momento com 33 volumes. Uma segunda série de mangás começou a ser publicada em 2021 dessa vez escrito por Osamu Kashihara e é distribuído em uma plataforma online. Essa segunda série tem apenas um volume até o momento. A série parece que vai ter 12 episódios, mas material não falta para outras temporadas.


A série é sobre uma garota chamada Himeno Toyokawa que se muda de Tóquio para uma cidade pequena. A cidade de Tajime é famosa por seus trabalhos de cerâmica e a economia da cidade gira em torno do artesanato. O pai da Himeno abriu um pequeno café na cidade e tenta conseguir frequentadores. Como atrativo, estão as canecas feitas pela mãe falecida da protagonista, lindas em seus detalhes. Ou seja, fazer canecas traz para Himeno uma certa saudade de sua mãe. É quando ela vai à escola e acaba arrastada por sua nova e animada amiga, Mika Kukuri, para entrar no clube de cerâmica. A partir daí, novas amizades vão surgir e elas vão descobrir o mundo mágico da cerâmica.


Seven Knights Revolution: Hero Successor



Genérico. Genérico. Genérico. Tudo no anime grita genérico. Em quase todas as temporadas de animes (são 4 ao ano, cada uma iniciando em janeiro, abril, julho e outubro) sempre tem um anime baseado em um game ou um mobile game. Seven Knights não é exceção; na temporada passada foi Hortensia Saga (que é um ótimo anime) e no ano passado tivemos Granblue Fantasy. Mas, o anime que estamos comentando é baseado em um daqueles mobile games gratuitos (onde você gasta muito dinheiro comprando coisas inúteis) para Android e IOs que aparentemente só tem disponível na Coreia do Sul e no Japão. Não consegui apurar se ele foi disponibilizado no mercado ocidental. Salvo raros casos, animes baseados em games não costumam passar de medianos. E normalmente eles acabam caindo em estúdios que também são medianos. É o caso aqui. Seven Knights foi parar nas mãos do Liden, que entregou algo bem meia sola com alguns efeitos visuais discutíveis e um jogo de câmeras que não é legal. É muito estranho ver uma luta emocionante e, do nada, me sai um ângulo de câmera em close em que eu não entendo nada do que está acontecendo. O design de personagens é bem genérico também, com o protagonista se parecendo com mil outros personagens de anime como o Kirito (de SwordArt Online) ou o protagonista de Konosuba. O enredo é mal explicado para caramba, sendo um cruzamento bizarro entre um mundo distópico, uma escola de magia, umas criaturas baseadas em emoções e uma religião pirada tudo junto. No quarto episódio, resolvi mandar esse bagulho às favas e troquei por 85, um anime bem legal que eu ainda estou alcançando os episódios.


Como explicar o enredo??? Vou tentar. O anime começa com Faria e Eren chegando de trem para ir buscar o novo recruta da escola Granseed, o jovem Nemo (que não é o peixe). Mas, a aldeia (ou cidade... sei lá) dele está sendo atacada por criaturas chamadas Physis que estão devorando a energia vital das pessoas. Todos aqueles que são atacados por essas criaturas também se tornando Physis (ou seja... acho que essas criaturas são zumbis???). Faria chega a tempo de salvar Nemo das criaturas. Ela invoca o poder de uma heroína lendária chamada Eunomia e combate os Physis. Nesse mundo existem sete pessoas (por isso Seven Knights, sacou?) que são capazes de invocar poderes de heróis lendários. Estes são ou convocados por completo e tomam o lugar das pessoas ou apenas a arma aparece à disposição do personagem (o que eu não entendi nem um pouco o motivo...). Enfim, Eunomia estava tendo dificuldades com a criatura (ué... ela não era a heroína mais poderosa???) e acaba precisando ser salva por Nemo que, pasmem, é capaz de invocar um herói. Meu deus... O Escolhido??? Jamais pensaria nisso. E olhem: o herói dele é overpower e diferentão. Jamais pensaria nisso... Depois de muita porradaria e altas confusões, eles conseguem finalmente chegar em Granseed onde vão vier mais altas confusões. Juro que eu tentei ser bem bonzinho para descrever a sinopse.


Ah, aparentemente não temos informações ainda sobre o número de episódios. Acredito que sejam 13 a menos que o estúdio queira torturar a nossa paciência com uma temporada completa de 24 a 26.


Joran - The Princess of Snow and Blood



Esse eu fui enganado pela sinopse legal e os efeitos visuais bonitos. E eu fui bem paciente com essa série. Esperei todo o primeiro arco de histórias terminar (no episódio 5) para me decidir abandonar ou não. E acabei fazendo. E não é que o anime seja ruim. Mas, tem tanta coisa mais legal disponível nessa temporada que ficar apegado a um que tem uma história tão confusa e cheia de buracos acaba sendo contra produtivo. Alguns de vocês vão dizer para eu ter paciência porque se trata de uma narrativa de mistério com poderes sobrenaturais. Mas, caramba, as coisas parecem tão jogadas na tela com soluções mirabolantes que fico pensando se o roteirista realmente pensou na caminhada até o final. Esse é outro anime com roteiro original, por isso a minha preocupação. Teoricamente, a protagonista, Sawa Yukimura, derrotou o vilão que ela queria vingança. Tá, mas e agora? Até agora estou tentando entender para que serve a organização Nue além de perseguir caras badass com desejos de conquistar o mundo usando métodos mirabolantes. Achei que o tal do Janome seria o último inimigo e que veríamos camadas e mais camadas de conspiração até chegarmos nele. Fora a inconsistência do roteiro: tem um dos personagens que faz terror psicológico com uma criança, depois trai a organização, depois se revela como aliado do bandidão para depois dar um teco na cabeça do bandidão, informar o esconderijo deles, resolver falar que ele não queria nada daquilo e o chefe da organização, que foi traído e levou uma bala do traidor aparece abraçadinho com ele (que na verdade é ela). Minha mente deu boom. Eu até me simpatizei com a história da Yukimura e seu clã de seres teoricamente imortais e poderosos, mas toda a questão da organização é bagunçada.


O anime é do studio Bakken Record, novato e que só tem um outro anime chamado Pandora to Akubi no currículo. Como eu disse, o roteiro é original para um anime com 12 episódios. Mas, meu instinto me diz que devemos ter ou um split coeur (uma temporada dividida em duas de 12 episódios) ou o anime foi criado para ser multi temporadas. E não me entendam mal: a animação é boa, os efeitos visuais são bem produzidos, as cenas de ação conseguem te passar tensão. Tem uma outra personagem, a Elena, que é super carismática: uma mulher empoderada, usando um simples revólver e algumas habilidades marciais. Ela consegue ter as melhores tiradas à moda de filmes de ação antigos e aquelas frases de efeito (tipo "Se morrer, morreu"). Mas Jouran é o melhor exemplo de uma animação bem feita com um roteiro ruim. De que adianta ser bem produzido visualmente se a história não faz sentido? Só Seven Knights consegue ser pior.


Yukimura fazia parte de um clã de pessoas que possuíam poderes fora do comum e uma energia mística capaz de lhes dar um tempo de vida incrivelmente maior do que o dos seres humanos. Um dia, um homem chamado Janome invadiu a vila, matou e sequestrou vários de seu clã para seus fins macabros. Yukimura é resgatada pelo misterioso Jin Kazuhara que faz parte de uma organização chamada Nue. Essa organização é uma força secreta do xogunato Tokugawa, que nunca acabou. Estamos em 1936 e os Nue servem ao xogum para acabar com ameaças que andam em uma espécie de linha entre o real e o fantástico. Seus agentes são seres altamente treinados que vivem em um mundo de sombras e enganação. Yukimura faz parte desse grupo e não vai medir esforços para se vingar de Janome.





Enfim, é isso. Espero que tenham gostado e deixem suas opiniões sobre quais animes dessa temporada vocês mais gostaram e quais vocês abandonaram.