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  • Foto do escritorAmanda Barreiro

Gatilhos Emocionais na Leitura: Um Olhar Atento ao Outro

Um diálogo sobre a importância do respeito às emoções do próximo na arte e na literatura.


Os gatilhos emocionais (ou emotional triggers) ainda têm sido alvo de grande dissenso quando se trata de manifestações artísticas. Ultimamente, percebo um enorme retrocesso em questões como empatia, alteridade e respeito à saúde mental e ao bem estar do outro. Existe uma corrente fortíssima e engajada em promover um diálogo aberto e buscar a conscientização de todos para assuntos tão graves. Mas a onda de intolerância e fanatismo que tomou conta do mundo na última década não se contenta em apenas resistir à evolução racional, psicológica e humanitária: ela precisa a todo custo desmoralizar os movimentos em prol da temática humana e social de forma a silenciá-la.


É escandalizante ver autores e artistas repudiando e atacando aqueles que prezam pelo respeito na produção cultural e artística. Esconder-se sob o viés da censura é ainda mais alarmante, posto que se percebe uma noção bastante equivocada do que é, de fato, a censura e um completo desconhecimento sobre limites. Há ainda a acusação do modismo e da militância, outra marca da ignorância sobre o tema. Para falar sobre gatilhos e suas consequências e sobre como trabalhá-los, é preciso saber melhor do que se trata.



O que são gatilhos emocionais?


Antes de mais nada, deixo claro que não sou especialista na área de psicologia e saúde mental, então deixo aqui impressões pessoais a partir de estudos independentes e horas dedicadas à compreensão das problemáticas envolvendo a arte irresponsável.


Por incrível que possa parecer para muitos, essa é uma discussão já bastante antiga que ganhou muita notoriedade com os mais recentes avanços das pesquisas em saúde mental. Desde século 18 percebe-se a influência da arte na mente humana, tendo seu auge após a publicação do romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, do célebre autor Goethe, quando uma alarmante onda de suicídios cometidos pelos jovens assolou a Europa. O caso foi tão emblemático que até hoje é conhecido como Efeito Werther, quando um suicídio pode gerar tal comoção que desencadeia uma onda de novos suicídios.

Com a evolução dos estudos humanísticos, verificou-se que uma pessoa já abalada emocionalmente por algum evento trágico pode revisitar seus traumas a partir de um gatilho emocional. Não é difícil, nem para um leigo, perceber que alguns eventos são terrivelmente traumáticos e deixam marcas profundas em um indivíduo: o assédio, a violência doméstica, o abuso sexual, as drogas e o suicídio são alguns deles.


Podemos, então, visualizar o trauma como uma ferida que existe, cicatrizou, mas deixou sequelas, e o gatilho como uma nova pancada ou um novo corte no mesmo local, provocando uma experiência de intensa dor revivendo todo o trauma daquele evento. Agora, é preciso entender também que nem tudo é gatilho e duas pessoas não vivem a dor da mesma forma. O meu trauma não é o seu e a minha reação também não é igual à sua. Então como perceber os limites da arte e da literatura e saber trabalhar temáticas pesadas sem desrespeitar o próximo?



A arte responsável


Reconhecer e respeitar a existência de gatilhos não implica em um cerceamento artístico, e essa é a primeira coisa que precisa ficar clara. Qualquer tema pode ser desenvolvido, por mais doloroso que seja, porque a questão aqui não é o objeto em si, e sim a forma como ele é trabalhado na produção.


Partindo da criatividade e da sensibilidade do autor, isso pode ser conduzido de vários modos, desde um alerta inicial até uma abordagem respeitosa e consciente, seja pelos artifícios da própria escrita, seja pelo direcionamento escolhido ou até mesmo pelo sentido dado ao evento descrito no texto. Uma das técnicas clássicas para se verificar a necessidade de uma cena especialmente problemática, por exemplo, é se perguntar o porquê de ela existir, qual o seu significado, qual é a mensagem que o autor está buscando transmitir ou o que ela representa na trama. Se não houver uma resposta bastante clara, é melhor repensar.


Outra situação é a de muitos autores e leitores sendo contra os alertas de gatilhos contidos em alguns livros ou resenhas. No entanto, todos os filmes e séries apresentam, no início da exibição, os mesmos alertas e não vejo muitas reclamações sobre isso. Eles existem porque um dos passos fundamentais para se superar um gatilho é nomeá-lo, identificá-lo; além disso, quando o leitor tem ciência sobre o conteúdo da obra que está adquirindo, a relação autor-leitor torna-se mais transparente e evita-se um possível choque - e um gatilho - para um leitor desavisado.


O artista responsável precisa exercitar a empatia, precisa se posicionar no lugar do outro. É necessário compreender que os gatilhos sempre existirão, mas é possível conduzi-los de forma construtiva, atenciosa e respeitosa para com o leitor. Escrever por escrever, sem que seja possível extrair sentido ou significado, sem que seja possível somar algo ao leitor, não é arte. Chocar só por chocar não é arte, é apenas irresponsabilidade social e produção egocêntrica.


Gostaria de encerrar lembrando que a literatura é, para muitos, um porto seguro, um lugar de acolhimento, descontração e enriquecimento emocional e pessoal, e isso não tem nenhuma relação com o gênero literário escolhido. É possível ler um bom terror que consiga respeitar o seu leitor, por exemplo, ou um drama dilacerante sobre racismo, ou violência doméstica, ou abuso - ou qualquer outro tema difícil e pesado - que conscientize e forneça abrigo, colo, representatividade ou qualquer que seja a intenção do autor. A arte responsável valoriza o leitor, possibilita transparência e evidencia o respeito à saúde mental do próximo.





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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. 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