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  • Foto do escritorPaulo Vinicius

A Espada era a lei

O jovem Wart trabalha exaustivamente todos os dias, limpando o chão, arrumando a casa. Mal sabe ele que seu destino é se tornar um homem escolhido a se tornar o futuro rei da Inglaterra. Ele só precisa aprender a compreender as lições dadas pelo estranho mago Merlin.


É incrível o quanto algumas das animações da Disney conseguem ficar entranhadas em nossas mentes. Não importa de qual geração você seja. Pode ser que, na sua infância, você tenha visto Dumbo e o filme ficou marcado como um clássico inesquecível; pode ser o Toy Story se você for da geração 90 ou até Frozen para os mais novos. E pode ser que essa animação marcante para você não faça sentido algum quando vista dezenas de anos mais tarde. Para alguns de nós, nascidos na década de 70 ou 80, foi A Espada era a Lei. Vi esse filme em VHS pela primeira vez em 1986 e depois vi mais inúmeras outras vezes. E achava a animação o máximo. Representava aquilo que eu queria ser: um guerreiro escolhido, embora magricela, para se tornar um rei no futuro. Sempre me imaginei encontrando minha espada na pedra e puxando-a. Fui assistir depois de décadas sem nem me lembrar direito, apenas das saudades e da nostalgia, e achei uma animação completamente sem pé nem cabeça com um roteiro fraco e uma animação mais ou menos decente. Sério: meu coração se partiu nesse momento. Mas, ao mesmo tempo, suscita aquela reflexão de o quanto a gente romantiza determinadas coisas que vivemos em tempos passados. Quero falar um pouco dessa animação e como adaptações podem ficar bem estranhas dependendo de como o material original é percebido pelo roteirista.


A Espada era a Lei, ou The Sword in the Stone no original, é uma animação produzida pela Walt Disney Animations e distribuída pela Buena Vista Distributions em 1963. Compõe a fase da empresa que se dedicava à produção de grandes musicais baseada em alguma história tradicional ou conto de fadas. A animação é baseada no primeiro livro da série O Único e Eterno Rei, escrito por T.H. White chamado A Espada na Pedra. O material original é considerado um clássico absoluto do ciclo arturiano ao lado de Sir Thomas Mallory. No Brasil, White nunca foi publicado de forma integral, com os dois primeiros livros (dos quatro) tendo sido publicados. Para quem gosta de A Espada era a lei, vale a pena conferir A Espada na Pedra, publicada pelo extinto selo Hamelin, da editora Amarillys. A edição é até bastante elegante. Falando sobre a animação, a adaptação foi feita por Bill Peet, que acompanhou a empresa desde Branca de Neve e os Sete Anões e só saiu em 1967. A direção foi de Wolfgang Reitherman que esteve na empresa principalmente nas décadas de 60 e 70, o que acaba não sendo um bom balizador para ele já que foi um período bem ruim da história da empresa. As canções foram compostas pelos irmãos Sherman, também tradicionalíssimos nesse primeiro momento da Disney Animations e que foram responsáveis por trilhas clássicas como as de Mary Poppins, Os Aristogatos e O Ursinho Pooh. Essa animação é bastante importante na história da Disney porque foi a última produção feita durante a vida de Walt Disney. E a adaptação era um sonho dele que havia adquirido os direitos em 1939 e tentou várias vezes emplacar, sem sucesso, a animação. Ela saiu quase que como uma homenagem à carreira dele.


A animação é bastante competente, tendo em vista a forma como a produção era feita na época. Lembrando que estamos falando de um tempo em que boa parte do processo era manual, feito a partir de storyboards desenhados. Por mais que a Disney se tornasse uma sumidade nisso, era trabalhoso e levava anos para ficar pronto. Para a história, a Disney adotou uma palheta até bem colorida, mas podemos ver os temas típicos medievais como os castelos, os cavaleiros, os brasões, os torneios de justa. A cenografia me fez pensar imediatamente em Geoffrey de Chaucer e sua narrativa sobre a vida nos feudos ou até um Livro de Horas da época. Um Livro de Horas era usado quase como um guia religioso para o fiel, contendo orações, datas especiais, alguns salmos. O que destacava esses livros era o seu aspecto quase artístico com imagens mostrando o cotidiano das pessoas cerceado pela doutrina católica. Ainda sobre a animação, gosto de como foi usada uma boa variedade de espaços desde a floresta, a casa da bruxa, o castelo, a cozinha do castelo, o fundo do rio. Tirando Wart e o mago Merlin, os demais personagens são bem esquecíveis. Nem o vilão, o senhor que é o "tutor" de Wart é um cara que conseguia me lembrar. A trilha sonora é divertida e encarna o espírito leve proposto pela direção. O mais curioso é que mesmo sendo um musical não fiquei tão incomodado com as entradas súbitas de música na animação. Elas ocorrem no momento certo sem atrapalhar o fluxo da narrativa.


Após a morte de Uther Pendragon, o reino fica sem um herdeiro ao trono de Camelot. Uma espada aparece magicamente em uma pedra e diz-se que aquele que tirá-la de lá se tornará o novo rei. O mago Merlin sabe que mudanças estão para acontecer e confessa à sua coruja Arquimedes que já já uma pessoa irá se sentar na cadeira de sua sala e será a escolhida para o reino, precisando receber a ajuda do velho mago. Wart, um jovem magricela adotado por Sir Hector, está ajudando seu irmão adotivo Kay a caçar na floresta. Depois de se perder, Wart acaba caindo na cadeira da sala de Merlin. É então que se iniciará a educação deste jovem menino que precisa aprender duras lições de vida e caráter para poder se tornar aquilo que o reino precisa.


Mas então qual o problema? Bem, o problema é principalmente de roteiro. Para fazer a animação ser aceita por um maior número de pessoas, Bill Peet adaptou o texto de White muito livremente. As alterações foram tantas que descaracterizaram bastante o material original. E isso porque White escreveu sua série sem pressa alguma, com os livros sendo até bastante arrastados. Pois é, Bill Peet deixou o que já era arrastado, mais lento ainda. Logo de cara a gente imagina que Wart é o herói escolhido e ele irá tirar a espada da pedra. Só que ele precisa se provar antes. A animação mostra essa jornada de uma forma bem humorada com Merlin transformando a si mesmo e a seu pupilo em várias pequenas criaturas da floresta e o que poderíamos aprender com elas. Um peixe precisando entender seu lugar na natureza, um esquilo que precisa encontrar seu equilíbrio saltando de árvore em árvore e buscando por sua comida e um pequeno pássaro com suas asas livres para explorar os céus. São temas explorados por White em seu livro que faz bastante dessas metáforas com base na vida ao lado da natureza e como ela pode se tornar uma filosofia para um homem mais honesto e sábio. Só que White coloca alguma coisa que o protagonista precisa enfrentar, por mais sutil que isso seja e a animação não coloca. Não há um grande conflito a ser resolvido; o personagem é até bem tranquilo com a situação em que vive. Se ele tivesse tirado ou não a espada, não teria feito a menor diferença; Então temos um roteiro solto demais e a ausência de uma motivação para o protagonista.


Ao mesmo tempo a animação tenta ser leve e bem humorada demais. Oras, sei que isso é uma animação infantil, mas existe uma diferença entre bom humor e tolice. Em várias cenas, as situações vividas pelos personagens são só tolas. Por exemplo, tem uma situação em que Wart transformado em esquilo atrai a atenção de uma esquilinha que se encanta por ele. E a esquila fica perseguindo-o por toda a cena. Um momento bonitinho e que dá origem a uma série de piadinhas feitas por Merlin. Eu imaginei que a esquilinha iria se tornar uma menina que ele iria se apaixonar ou até, quem sabe (já que o roteiro tá descaracterizado mesmo), que ela seria Guinevere. Não... a pobre esquila foi parar em algum limbo do tempo e do espaço já que ela não aparece nunca mais na história. Ou seja, toda uma cena que poderia ter gerado alguma consequência posterior que não tem nada de relevante ao espectador. Diga-se de passagem, a narrativa é tão bizarra que se tirássemos a espada na pedra e mudássemos o nome do Merlin, ela pouco teria a ver com o mito do rei Artur.



Enfim, não foi uma boa experiência e algumas memórias da nossa infância deveriam ficar lá na infância mesmo. Assim, a magia dessas memórias não seriam destruídas pelos nossos eus rabugentos futuros. A animação é divertida e engraçada e tem lá seus bons momentos. Passa algumas filosofias de vida que foram lançadas por White em seu livro e bem adaptadas pela Walt Disney. Mas, acho que existem tantas outras boas animações no catálogo que essa poderia ficar meio de lado. Me parece que a Disney Studios irá lançar um live action baseado na história, mas até o momento desta resenha não temos informações e a produção está sendo feita desde 2015. A esperar novidades sobre isso. Enfim, é uma animação para todas as idades, pode ser vista tranquilamente por crianças e adolescentes e não tem nenhuma mensagem esquisita sendo passada. Só não recomendo lá muito não.




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