• Paulo Vinicius

Resenha: "Existe amor em São Paulo" da H. Pueyo

Atualizado: Fev 7

Dez e Ariel dividiram uma cela de prisão durante algum tempo. Uma tinha envolvimento com um grupo de resistência contra alienígenas; outro agrediu alienígenas. Uma conexão que vai surgir na dor de torturas sofridas na prisão.


Família formada por um pai, uma mãe e duas filhas se escondendo na lateral de um edifício formado por vidros foscos pretos (no cantinho direito da imagem). No meio alienígenas armados com fuzil (em silhueta) procurando humanos com destroços de carros e outras coisas espalhadas pelo cenário. A mãe parece preocupada enquanto que a filha menor está com medo e com o rosto encostado na barriga da mãe.

Sinopse:


Planeta Terra chamando!


Depois que os alvejes chegaram à Terra e se estabeleceram entre nós, tudo pareceu mudar para pior. Da medicina à política, os dedos dos "gringos" se estendem por todos os aspectos da vida humana, e Ariel se junta a um grupo de resistência para lutar contra isso — até o momento em que se vê atrás das grades de uma instituição alienígena e descobre que não está sozinho. Existe amor em São Paulo é uma noveleta sobre dor e amor em tempos de caos.





O quanto essa autora consegue evoluir? Cada história nova que eu leio da Pueyo eu me impressiono mais e mais com a qualidade do material que ela entrega. Ainda não vi uma narrativa longa, mas já me sinto satisfeito com essas pequenas doses de satisfação. E a autora se arriscou demais com essa história, em algo similar ao que o Lauro Kociuba fez em (Não Tão) Perto do Fim em que ele mesclou temporalidades. Para mim, é fácil uma das melhores coisas que eu li este ano. Já virei fanboy da autora, vou rasgar seda durante vários parágrafos, vocês já sabem que ela tem nota máxima. Se vocês não quiserem ler minha rasgação de seda, compra o ebook logo, leia e seja feliz. Se quiser ler, me ature.


Estamos em um mundo que teve um contato com alienígenas na década de 1980. Eles chegaram no planeta Terra e vieram com um discurso de auxílio à humanidade. Trouxeram novas tecnologias, mas algumas pessoas desconfiaram das intenções dos alienígenas. Logo, coisas estranhas começaram a acontecer; pessoas sumiam, prisões foram criadas para debelar insurgentes e a presença alveje (como os alienígenas passaram a ser denominados) aumentou cada vez mais. Ariel foi preso por desordem. Parece que ele espancou um alveje em um bar. Ele ocupa uma cela ao lado de outros dois caras, George e Isaias. Tudo muda com a chegada do novato, um homem silencioso chamado Dez. Seus companheiros de cela desconfiam que Dez pode estar afiliado aos vermelhos, um grupo de resistência contra os alvejes. E isso não é bom, principalmente quando o diretor da ala da prisão é um alveje perturbador chamado Silas. Só tem um problema: Ariel descobre que Dez é Desdemona.


Vamos falar primeiro da escrita da Pueyo que está precisa nesta novela. Apesar de ela brincar com temporalidade, indo e voltando no tempo, ela não precisa dizer ao leitor quando ela está situando a história. A gente consegue intuir facilmente a temporalidade. Não há qualquer desconforto ou confusão. É uma aula de como empregar tempos diferentes em sua história. A escrita é bem simples. Ela não emprega muito scifi. Aliás, pelo que eu conheço do que a autora produz, ela costuma empregar sistemas fáceis de serem compreendidos. Você não vai encontrar jargões ou tecnologias complexas. Ela gosta de explorar o lado humano na história. Aqui ela decidiu explorar a dor e como ela pode ser compartilhada por dois indivíduos que conviveram juntos. E como ambos podem superá-la através da força de vontade e do amor.


A ambientação também é bem simples de entender. Em dois capítulos pequenos você vai ter toda a informação que você precisa. Ela não gasta tempo com texto desnecessário. O que você precisa saber, ela vai te fornecendo à medida que a história vai avançando, seja através de diálogos simples, seja através de uma descrição ou até por silêncios. Esta estratégia concisa e precisa de contar histórias é a marca de alguém que está acostumada com o formato curto de narrativa. Pueyo vai direto ao ponto. Sem barrigas, sem exageros. E ela consegue produzir todo o impacto emocional que ela precisa no leitor sem redundâncias.


A história é carregada de sentimentos. A relação entre Dez e Ariel é muito bem explorada. A dor vivida pelos dois personagens é terrível. Dez é uma personagem que acaba se tornando vítima de abusos psicológicos e emocionais por um alienígena sádico. A autora consegue explorar a violência contra ela através de insinuações. E veja: em nenhum momento ela foi explícita ao detalhar os abusos sofridos por ela. E mesmo assim o leitor consegue sentir e imaginar o que ela sofreu. A carga emocional é a mesma. Ariel também acaba sofrendo porque cria vínculos com Dez. Ao vê-la sofrendo, seu coração se parte também. Essa conexão que eles formam vai ser importante para a própria sobrevivência e manutenção da sanidade mental de ambos. Sem ela, tenho certeza que eles teriam caído no desespero.


Ou seja, que história poderosa.











Capa Existe Amor em São Paulo

Ficha Técnica:


Nome: Existe Amor em São Paulo

Autora: H. Pueyo

Editora: Plutão Livros

Número de Páginas: 68

Ano de Publicação: 2020


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Assinatura Paulo Vinicius - Frase: "Isto é o que você deve se lembrar: o fim de uma história é apenas o começo de outra."