• Paulo Vinicius

#EspalheFantasia: Por que ler literatura fantástica

Na nossa postagem de estreia do #EspalheFantasia, vamos falar por que você, querido leitor, deveria dar uma oportunidade ao gênero. O que caracteriza a fantasia e quais os tipos de narrativa que podemos ver nesse tipo de livro. Spoiler: nem sempre é espada e magia.



Quando mencionamos literatura fantástica, uma das primeiras imagens que vem a mente pode ser uma cena de Harry Potter ou uma de Senhor dos Anéis. É a forma como o gênero é conhecido e isso não é nenhum problema. O problema é quando esse tipo de definição acaba por reduzir o escopo do que o gênero pode trazer para os seus leitores. Então vamos ao básico antes de ampliarmos o tema. Qualquer obra de literatura fantástica possui algum elemento inverossímil em nosso mundo racional. Ou seja, precisa ser algo que extrapole a realidade dos homens. O estudioso de literatura, Tzvetan Todorov, emprega a seguinte definição:


“Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico.”

(Tzvetan Todorov, Introdução à Literatura Fantástica)


Se formos puxar pela origem da palavra fantástico, vamos encontrar duas possibilidades. O latim phantastikos implica fantasia no sentido de algo que extrapola as leis da natureza. Isso se levarmos em consideração o fato de que os povos antigos buscavam as explicações do mundo nos fenômenos naturais, o fantástico latino tende para o sobrenatural. Na Idade Média, com o domínio da Igreja no Ocidente, surge a concepção do maravilhoso. O historiador Jacques Le Goff explica que o maravilhoso se confundia com a noção de milagre. Por exemplo, os reis medievais tinham uma característica propagada pela Igreja chamada de toque taumatúrgico. Este toque dizia-se curar diversas doenças; o rei impunha suas mãos sobre seus súditos. Mas, o maravilhoso podia estar presente no dia-a-dia dos camponeses, bastando romper o que as pessoas conheciam como naturais.


A narrativa fantástica está presente desde a aurora dos tempos. Muitas histórias de origem estão repletas de elementos que rompem com a realidade dos homens. Contadores de histórias inseriam a fantasia de forma a atrair o interesse dos seus espectadores. Entre os povos africanos, existe a função do griot, aquele responsável por contar histórias. Ele contava suas histórias aos outros membros da comunidade e contava com perfeição. Mas, podia exagerar nos detalhes, aumentar coisas. É aquela velha máxima do "eu aumento, mas não invento". Outro tipo de narrativa fantástica eram os contos de fadas que tantos de nós já conhecemos. Inicialmente eram contos cautelares para afastar jovens de florestas ou inserir limites em sua criação. Mas, no século XX, vimos a inserção do romance, do terror e até do futuro nas narrativas fantásticas. Isso fez com o que o gênero ganhasse uma riqueza maior em seus relatos. Hoje, como poderemos ver a seguir, essa noção do que é uma narrativa fantástico é algo mais livre e levado de acordo com a interpretação de cada autor.



Mas, a pergunta básica é: por que você, leitor, deveria ler literatura fantástica? O que faz do gênero algo tão instigante? Vou dar três razões e partir delas para criar meu argumento a favor:


a) a fuga do real;

b) extrapolar para causar a reflexão;

c) o entretenimento.


Vivemos vidas muito atribuladas todos os dias. Seja em um escritório, em uma loja, em uma sala repleta de alunos. Assim como vários livros de ficção, o gênero fantástico nos proporciona uma fuga de nossas vidas ao lado de outros personagens. A vantagem é entrarmos em um mundo cuja física nem sempre é a nossa; cujas regras não são as mesmas que seguimos. Entrar em um mundo de fantasia é encontrar um lugar novo onde podemos ser o que quisermos. O único limite é a nossa imaginação. É como o jovem Bastian de História Sem Fim que acaba encontrando no outro mundo a sua própria grande aventura e objetivo na vida. Muitas histórias de fantasia são grandes jornadas de amadurecimento. Começamos ao lado do protagonista em sua pequena vila no meio do nada e vivemos ao seu lado grandes aventuras. Enfrentamos batalhas, ultrapassamos obstáculos, sentimos medo do perigo, conhecemos o amor, a glória, a tristeza, a derrota. Ao final somos uma outra pessoa. A cada novo livro, uma nova jornada se inicia.


Mas, o gênero fantástico é muito mais do que espadas, princesas e cavaleiros. Até porque a magia pode estar ao nosso redor. Por exemplo, Como Água para Chocolate é um belo romance escrito por Laura Esquivel em que a autora usa a culinária para representar momentos impactantes e mágicos em sua narrativa. Um simples tempero pode causar uma tempestade de emoções dependendo da situação em que sua protagonista se encontra. Ou um mero bolo de chocolate pode fazer os personagens revelarem seus desejos mais profundos. Ou que tal as loucas aventuras de Haruki Murakami em seus livros repletos de amadurecimento e autoconhecimento? Afinal, carneiros podem ser mágicos, sapos podem cair do céu e podem existir prostitutas de consciência. Ou quem sabe você prefira ler algo em português, como José Saramago contando sobre uma sociedade que um dia deixa de enxergar simplesmente porque via demais (mas, não enxergava). Por fim, se você quiser um tempero brasileiro, já que o lusitano não foi o que você queria, que tal conhecer as mentiras de João Grilo ou procurar a Pedra do Reino? Ué, achou que isso não fosse fantasia? Eu comentei lá em cima que para um livro ser considerado do gênero fantástico ele precisa ter algo que seja inverossímil no mundo real. E tudo o que eu disse nesse parágrafo se enquadra nesse critério.


Como podem ver, a fantasia é muito mais ampla do que imaginamos. Eu adoro histórias com cavaleiros e magia, mas não posso estereotipar o gênero só com isso. No fundo queremos a magia em nossas vidas. Não seria fantástico se pudéssemos voar para o trabalho? Ou se pudéssemos nos teleportar para um lugar incrível ao lado de nossa pessoa amada? Ou participar de grandes aventuras? A fantasia no fundo também é entretenimento. Afinal, lemos para nos distrair. Claro que esse é um dos vários objetivos da leitura, mas um livro é uma janela de entrada para muitos universos. O conceito de entretenimento pode ser uma boa risada, o suor após uma grande aventura, a reflexão sobre um problema social ou um crescimento interior. Podemos inserir todos eles no mesmo caldeirão. O gênero fantástico é popular no sentido de que permite acesso a todos os gostos.



Se você chegou comigo até aqui, o próximo passo é descobrir o que você quer ler. Minha primeira sugestão é ir a uma livraria e entrar na seção de fantasia e ver que capa mais te agradar. Folheie, leia a sinopse. Uma nova aventura pode estar a metros de distância. Mas, se você não sabe por onde começar, não tema. Nós, do #EspalheFantasia, vamos tentar apresentar a vocês algumas obras bem legais. Então nos acompanhe pelas redes sociais pelos próximos meses que vamos apresentar opções no cinema, na TV e, claro, nos livros.


Nossa próxima postagem é no dia 10/02 onde falaremos de adaptações literárias para o cinema e para a TV. Aqui no Ficções, vocês ficarão conhecendo algumas adaptações que virão esse ano e em 2021. Escolhemos as 6 melhores. Então, fiquem ligados!!


Participantes:


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Paulo Vinicius F. dos Santos --> https://www.ficcoeshumanas.com.br

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João Victório Bevilacqua --> https://www.instagram.com/queriaaquelelivro

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Clecius Alexander Duran (autor) --> www.cronicasdaluacheia.com.br

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Luis Henrique Bonaventura --> https://nerdgeekfeelings.com/

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Julianne Vituri --> https://www.instagram.com/juliannevituri/


Celly Nascimento --> https://www.instagram.com/melivrando/


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