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  • Foto do escritorPaulo Vinicius

Alice no País das Maravilhas (animação Disney)

Uma das animações mais famosas de todos os tempos entre as animações da Disney. Ela nos leva a um mundo estranho onde nada parece fazer sentido. Nossa protagonista, Alice, busca desesperadamente uma maneira de voltar para casa, mas tudo o que ela consegue é ficar grande ou pequena. E agora?


Considerado um daqueles filmes em animação que são sinônimo do que é a Disney, ao lado de outros como Branca de Neve e os Sete Anões, O Mágico de Oz e Cinderela, Alice no País das Maravilhas representa muito do que é a inocência e a curiosidade infantil. Não é preciso dizer que a animação não envelheceu tão bem assim, até porque ela é de 1951, mas a colorização ajudou a dar mais tempo de vida ao longa-metragem. Existe uma série de reservas acerca da animação, principalmente no que diz respeito à adaptação do material original em si (spoiler: muita liberdade de adaptação ficando diferente do original) e em relação ao ritmo e fluidez da história. Mesmo assim, a Walt Disney Animations conseguiu trazer um filme que é atemporal e consegue ser assistido por todas as idades. Alice faz parte da cultura infantil talvez até mais do que o livro de Lewis Carroll ou a famosa adaptação cinematográfica estrelada por Judy Garland. Até mesmo o físico e as vestimentas da personagem se tornaram memoráveis graças à animação.


Sendo um filme de 1951, a animação de Alice tem uma história bastante curiosa. Foi um dos primeiros roteiros para o cinema produzidos pelo próprio Walt Disney quando ele ainda trabalhava na Laugh-O-Gram Studio. Disney chegou a produzir um curta metragem em animação para uma série da Laugh-O-Gram que também era vagamente parecido com os livros de Carroll. Só que a empresa faliu em 1923 e Disney nunca viu seu roteiro ver a luz do dia. Só que a produção acabou se tornando uma espécie de portfolio para ele quando embarcou para Hollywood. Lá ele buscou o apoio de seu irmão mais velho Ron e convidou vários de seus antigos companheiros da Laugh-O-Gram como Ub Iwerks (um dos criadores do Mickey Mouse), Rudolph Iseng, Fritz Freleng, Carman Maxwell e Hugh Harman que vieram a compor o Disney Brothers Studio. Em 1933 eles tentaram emplacar mais uma vez uma adaptação dessa vez em live-action estrelando a atriz Mary Pickford, só que acabaram optando por Branca de Neve e os Sete Anões para não competirem com a adaptação da Paramount que tinha Charlotte Henry como Alice. Mais uma vez o projeto foi engavetado. Isso aconteceu principalmente por causa dos altos custos de animações como Bambi, Pinóquio e Fantasia. É aí que vem o pós-Segunda Guerra e Walt Disney tem uma ideia um tanto inusitada: convida Aldous Huxley (sim, o autor de Admirável Mundo Novo) para reescrever seu roteiro para o longa. As ideias de Huxley foram exóticas demais para aquilo que Disney queria e ele deixou o projeto de lado mais uma vez. Em 1946, Disney abandona de vez a ideia de produzir um live action porque acreditava que o livro de Carroll seria melhor adaptado em uma animação. Por conta de algumas disputas legais, a animação só saiu nos cinemas em 1951.


A direção ficou a cargo de três pessoas: Clyde Geronimi, que dirigiu vários curta-metragens estrelando o Mickey além de outros longas da empresa como Dumbo e Bambi; Wilfred Jackso, responsável por dirigir as sequências de animação de vários filmes como Branca de Neve e Bambi; e Hamilton Luske, que atuava como supervisor de animação e era um dos homens de confiança de Walt Disney. O roteiro ficou a cargo de toda uma equipe que envolvia além dos diretores, roteiristas responsáveis por cada segmento de cena da animação. Esse é um método repetido inúmeras vezes pelo estúdio nesses anos iniciais e que chegou até o período do Renascimento da Disney. Hoje é que os roteiros possuem uma equipe menor do que foi no passado. A trilha sonora ficou a cargo de Oliver Wallace que atuou em diversos filmes dessa fase de ouro da Disney como Dumbo, Bambi, Cinderela. Também foi um dos responsáveis pelas músicas e sons dos curta metragens do Mickey. Curiosamente a primeira exibição de Alice no País das Maravilhas foi um fracasso de bilheteria. A crítica foi bastante negativa e frisava em o quanto a animação destoava do material original. Na década de 1970, houve o relançamento da animação nos cinemas e neste segundo momento houve uma recepção bem melhor com várias salas de cinema ficando com lotações esgotadas para os horários de exibição. O marketing da época foi bastante inteligente usando o período mais psicodélico com toda a vibe do Paz e Amor e de Woodstock como gatilho para atrair um público fora da bolha.


Meu problema com esse longa metragem nem é tanto pela animação. Gosto bastante dela e a sequencialidade dada às cenas é impressionante até os dias de hoje. Imaginem que cada quadro dessa animação foi desenhado à mão por uma enorme equipe de animadores. A gente pode ter uma vaga ideia de quantas pranchas de animação foram feitas para criar esse clássico com pouco menos de 90 minutos de duração. Mesmo com alguns cenários mais chapados, vale a pena prestarmos atenção nos movimentos dos personagens. Toda a animação é repleta de movimentos e piruetas por toda a parte. Em nenhum momento estranhei os exageros ou as piadas de movimento. Parece que o filme foi feito para elas. Tem duas cenas específicas que demonstram o quanto esse filme é incrível: a festa do chá do Chapeleiro Maluco e o jogo de croqué com a Rainha de Copas. Se vocês puderem, observem calmamente essas cenas e pensem: este é um filme de 1951. Sem nenhuma das técnicas que usamos hoje para animar personagens. Mesmo as animações da década de 1990. O que se consegue fazer aqui era pioneiro em vários sentidos. O estúdio criou coisas a partir do nada. Sim, havia a experiência de mais de uma década com os curtas do Mickey, mas nada se compara a um projeto feito para ser exibido na tela grande do cinema por mais de uma hora.


Agora o roteiro... Talvez me incomode mais porque já devo ter lido o livro de Lewis Carroll umas cinco ou seis vezes, pelo menos (Alice esteve até em uma citação na minha dissertação de mestrado onde discutia sobre teoria da História). Então, conheço muito bem a obra de cabo a rabo. A animação se propôs a pegar cenas dos dois livros, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho. Então não estranhem ver Humpty Dumpty, a Lagarta, a Lebre de Março, o Gato de Cheshire e o Chapeleiro na mesma aventura. Isso porque Walt Disney excluiu o Jabberwocky que iria aparecer na floresta. A intenção de Disney era traduzir a história para um público maior, então ele acaba tomando várias liberdades em relação ao material original. Cenas que não necessariamente existiam, personagens dos dois livros que se encontram, ou até materiais que foram excluídos por falta de tempo. Cadê a tartaruga sabida???? Por mais que Disney tenha tentado fazer o roteiro ser mais dinâmico, o acha repetitivo em alguns momentos e precisei parar duas vezes de assistir. Apesar disso, adorei a cena do julgamento e era assim que imaginava que seria. Toda a confusão e a corrida para lá e para cá. A solução para o final me agradou de maneira mediana.


A história tenta beber um pouco do nonsense de Lewis Carroll. A narrativa do livro muitas vezes não tem sentido algum e a personagem explora um mundo mágico sem muita direção, seguindo sua curiosidade e senso de aventura. Só que existe uma diferença grande entre nonsense e incoerência. Em diversos momentos da história, uma cena acontece apenas porque sim. Não tem a ver com a exploração do mundo ou até uma tentativa de sair do País das Maravilhas, mas algo feito para criar uma sequência musical ou algo de impacto. Talvez essa incoerência venha da sobreposição das duas histórias. Carroll pode ter escrito uma história que usa e abusa da falta de sentido, no entanto existe uma lógica insana em como as coisas se sucedem. Por outro lado, gosto de como Disney soube ser bastante lisérgico na história. Algumas das cenas o espectador precisa ter ingerido algum cogumelo para entender. A festa do chá do Chapeleiro é bizarra. Faço ideia de como a Alice deve ter se sentido com o diálogo maluco entre a Lebre de Março e o Chapeleiro. Fiquei tentando encontrar uma lógica por trinta segundos e depois desisti. E é divertido para caramba.


Adoro que a protagonista é uma criança bem petulante. Sim, nada de Alice bobinha. Ela é uma personagem malandra em algumas cenas, faz algumas coisas apenas porque pode e não tem medo de intimidar quando precisa para sair de apuros. Alice representa as crianças curiosas: ela investiga o mundo porque quer saber o que tem nele. Ela experimenta a balinha ou o cogumelo para ver qual efeito tem. Quantas crianças não fazem besteiras como essas? Por outro lado, ela não conhece o mundo em sua amplitude e quando a lagarta tenta explicar a ela o que precisa (mesmo do seu jeito lisérgico e insano), Alice não entende. E não entende não porque a mensagem não chegou, mas porque não quer entender. No fundo, ela deseja que as coisas aconteçam à sua maneira, afinal ela foi parar ali porque queria se livrar de um momento chato. Quando ela se dá conta de que acabou se colocando em uma enrascada, ela bate o pé e chora. Só quando ela sai da floresta e consegue entender mais ou menos o que o gato de Cheshire disse a ela é que a personagem está preparada para o seu confronto final com a Rainha. É ali que ela vai precisar colocar em prática o que aprendeu durante a jornada.


Apesar de seus problemas internos, Alice é uma história maravilhosa. Para uma criança, toda a tempestade de coisas que acontecem em tela é fascinante. Cores, formas e cheiros que inundam tudo. Embora prefira o livro de onde a história foi adaptada, preciso admitir o quanto a animação de Disney consegue agradar a um público que nunca tomou conhecimento do material de Lewis Carroll. Algumas das cenas ficaram marcadas para sempre na história do cinema. As canções são interessantes e bebem da fonte original das histórias, mesclando a imagem que está sendo mostrada com o som ou a canção que se deseja ser ouvida. É um desenho atemporal, embora tenha alguns problemas de fluidez aos mais atentos. É um daqueles filmes que são obrigatórios serem assistidos uma vez na vida. Apenas tire um tempo para entender nesse mundo insano de criaturas que não te explicam nada e te colocam em confusões.




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