• Paulo Vinicius

Uma Puta Space Opera ou Por que Devemos Ler Leviatã Desperta?

Caros leitores, esta não é uma resenha. Senti a necessidade de elencar alguns motivos pelos quais você deve ler este incrível lançamento do mês de maio da editora Aleph. Conheçam um pouco sobre Leviatã Desperta.

Nos últimos dias eu me deparei com uma série de bons lançamentos de ficção científica sendo anunciados para o próximo mês. Livros como Alterados de Richard Morgan (Bertrand Brasil), Encarcerados (Aleph), Os Despossuídos (Aleph) e o próprio Leviatã Desperta. Este é um título que tem tudo para dar certo: uma boa escrita, uma temática interessante e uma série de TV aonde basear as vendas. Lucro certo, não acham? Pois é... apesar do otimismo de muitos leitores e blogueiros, eu sou cauteloso. E tenho uma pulguinha atrás da orelha. Algumas coisas me incomodaram na última semana o suficiente para eu me mexer e decidir comentar alguma coisa a respeito deste título.

Antes de mais nada, deixe eu fazer um disclaimer: não tenho nenhuma parceria com a Aleph, não vou ganhar nada com isso, não vou receber nenhum bottom ou chaveirinho. Minha atitude de escrever uma matéria sobre Leviatã Desperta é o meu desejo profundo de que este título dê certo no Brasil. Este é aquele tipo de livro comercial que tem todo o aporte necessário para agradar aos fãs. Mas, ele precisa que você, leitor, dê uma oportunidade a ele. Não quero ver o que aconteceu nesta mesma época no ano passado quando a mesma editora fez uma incrível aposta ao lançar A Guerra do Velho no Brasil. A Aleph é conhecida por ter um setor de marketing incrível e, percebendo a crise que se avizinhava eles fizeram uma aposta neste título que não deu o retorno esperado por eles. E isso porque estamos falando de John Scalzi, um dos autores mais reverenciados no gênero de ficção científica nos últimos tempos.

Mas, voltando a Leviatã Desperta. Antes de mais nada, James S.A. Corey é um pseudônimo. Não apenas é um pseudônimo, mas ele representa dois autores: Daniel Abraham e Ty Franck. Da dupla, Daniel Abraham é o mais conhecido tendo escrito vários títulos de fantasia dentre eles eu destaco a série The Dagger and The Coin. Aqui no Brasil, só tem um título do autor traduzido. Trata-se de Caçador em Fuga, um projeto feito a três mãos com George R.R. Martin e Gardner Dozois. Daniel tem uma escrita muito dinâmica e sabe intercalar momentos de ação ininterrupta com um enredo marcadamente contemporâneo. Mesmo quando ele nos apresenta um mundo de fantasia típico com magos, guerreiros e dragões, ele consegue trabalhar com temas como escravidão, divisão social e feminismo. Ty Franck tem uma produção mais modesta se comparada ao seu parceiro. Ele escreveu alguns contos, inclusive um deles fez parte do volume 21 da série Wild Cards (cara... 21... e nós ainda estamos no 7). O foco dele é mais em ficção científica e pelo pouco que pude conhecer dele, ele é o cara das altas ideias. Se o Daniel trabalha mais com a escrita e o enredo, o Ty é aquele que coloca a história na linha futurista.

Muitos de vocês devem estar me perguntando: como assim... são dois escritores? Sim, são dois escritores. E a dinâmica entre os dois é muito boa. Já pude assistir duas entrevistas dadas pela dupla em que eles comentavam como é o processo de escrita da história. Eles escrevem suas partes separadamente e depois enviam um para o outro para revisão ou inserção de alguma ideia. Existe dissonância? Às vezes. Mas, geralmente eles possuem um mapa muito detalhado das evoluções de enredo, das características psicológicas de cada personagem e de como determinadas ações podem interferir no andamento da história. Este processo de envia para cá, envia para lá é bem veloz porque ambos já conhecem o estilo de escrita do outro. Daniel e Ty costumam fazer anotações um para o outro para que ambos possam saber o que está acontecendo. Parece estranho e confuso, mas na verdade para os dois que possuem uma química muito boa, funciona bem.

Provavelmente é por isso que a série já tenha um número elevado de volumes. Estamos aqui animados pelo lançamento de Leviatã Desperta, mas este é apenas o primeiro volume em uma série que já passa de cinco. Fora os contos que se passam entre os volumes, Anotem aí:

Série principal: Leviatã Desperta (volume 1) Caliban's War (volume 2) Abaddon's Gate (volume 3) Cibola Burn (volume 4) Nemesis Games (volume 5) Babylon's Ashes (volume 6) Persepolis Rising (volume 7 - será lançado em dezembro)

Contos/Novelas: Drive (volume 0,1) The Churn (volume 0,2) The Butcher of Anderson Station (volume 0,5) Gods of Risk (volume 2,5) The Vital Abyss (volume 5,5)

Ou seja, meus caros. Tem muita história. E o melhor de tudo: os livros não são gigantes. Ambos os autores primam por histórias de ritmo muito frenético o que agradou aos fãs norte-americanos. Entendo que vocês podem ficar intimidados pela existência de muitos volumes lá fora, mas dependendo de como a série se sair por aqui, tenho certeza de que a editora vai acelerar a tradução dos demais volumes. E por serem livros de tamanho razoável talvez a espera nem seja tão grande assim.

Sim, o livro é uma space opera. Ou seja é uma história que se passa no espaço entre civilizações distintas. Não vou comentar muito a respeito do enredo, caso contrário vou estragar algumas surpresas deixadas pelos autores. Mas, calma!! Não tem apenas bases espaciais, homens desafiando as leis da física ou a humanidade buscando se estabelecer em novos planetas. Tem isso também. O grosso da história é uma intensa história de investigação de um assassinato ocorrida em uma base espacial no cinturão de asteróides de nosso sistema solar. Leviatã Desperta tem muito daquele clima noir típico de histórias de investigação. Isso pode agradar a fãs que não necessariamente curtam histórias de space opera. Nesse sentido é uma boa jogada da Aleph trazer este título para cá.

Mas, acima de tudo é uma space opera. E é uma Puta Space Opera, nas palavras de George R.R. Martin. Para quem, como eu, curte este estilo de história, vai receber uma história fenomenal. E se o gênero tem recebido destaque nos últimos anos no mercado norte-americano, se deve muito a esses dois caras. Eles revitalizaram o gênero dando um novo gás. Fazendo com que o gênero se preocupasse com temas mais contemporâneos ao mesmo tempo em que nos apresenta aquele futurismo tão típico das space operas. John Scalzi e James S.A. Corey são ícones desta nova geração de futuristas. Fora que por trás deste lançamento tem a série The Expanse, baseada na série de livros, que hoje é transmitida através do Netflix. Quem já assistiu a série, como eu, viu o banho de efeitos especiais e narrativa interessante que os produtores tem demonstrado nessas duas temporadas. Rapidamente se tornou uma das séries mais assistidas do canal de streaming, possui um orçamento digno de um Game of Thrones, e já foi renovado para a terceira temporada que será transmitida em 2018. Quer mais? É uma das séries de ficção científica mais discutidas na internet.

Leviatã Desperta é um prato cheio para qualquer leitor, seja ele de fantasia, terror, mistério e, principalmente, de ficção científica. Vamos dar nosso apoio à Aleph, adquirindo este incrível livro. Que nós possamos mostrar à nossa querida editora que eles podem trazer títulos mais atuais. Que nós estamos sim preparados para absorver estes novos talentos. E que nós amamos a editora, fazendo com que ela possa sair da crise editorial que se instaurou por lá no ano passado. Porque eu gosto demais destes caras para deixar que eles caiam só por causa de bobagens ocorridas na política deste nosso país corrupto. Eles merecem o nosso carinho. E o esforço deles de trazer este título para nós merece uma recompensa. Como podemos fazer isso? De algumas maneiras bem simples: comprando o livro, indicando a nossos amigos seja pelo boca a boca, seja pela internet e colocando nossas impressões no GoodReads, no Skoob, na Amazon e na Saraiva. Façamos nossa parte como leitores interessados.

Esta matéria é a minha humilde maneira de tentar ajudar a editora a fazer deste título um sucesso de vendas no Brasil. Assim como vocês, comprarei o meu exemplar e vou disponibilizar aqui a já tradicional resenha do Ficções Humanas.


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