• Diego Araujo

Resenha:"Ratos de Cemitério e Outros Casos Estranhos do Detetive Steve Harrison" de Robert E. Howard

Ratos de Cemitério e Outros Casos Estranhos do Detetive Steve Harrison é um título autoexplicativo, com quatro contos deste personagem ícone da literatura policial criado por Robert E. Howard, mesmo autor de Conan, o Cimério.


Sinopse:


Robert E. Howard, o criador do Conan, apresenta o mais bárbaro dos detetives! Steve Harrison é um detetive durão. E não podia ser diferente, pois em River Street, o bairro mais barra-pesada de uma grande metrópole norte-americana dos anos 1930, os perigos muitas vezes beiram o sobrenatural. Enfrentando feiticeiros, senhores da guerra orientais, ladrões de túmulos e assassinos monstruosos, Harrison luta para manter a ordem e a justiça. Combinando elementos de horror e fantasia com a narrativa policial típica dos pulps; Robert E. Howard criou um universo único e fascinante.






A violência que ocorre no meio da noite, oculta aos olhares dos cidadãos de vida pacata, desperta pesadelos e transfigura tristes realidades com mistérios quase sobrenaturais. Cada revelação do crime só traz mais terror às linhas narrativas desses contos que testam os limites do protagonista já experiente de inúmeras investigações. Ratos de Cemitério e Outros Casos Estranhos do Detetive Steve Harrison traz quatro dessas histórias horripilantes protagonizadas pelo detetive de Robert E. Howard. De contos publicados ao longo da década de 1930 nas revistas pulp, a Avec Editora os reuniu nessa edição de 2020 por meio do selo Safra Vermelha, através das traduções de Carolina Chiarelli e Cesar Alcázar.


Os Nomes no Livro Negro


Avaliação:





O detetive Harrison discute com Joan de La Tour sobre os assassinatos recentes que pareciam acidentes, mas eram atos de vingança planejados por quem o detetive tinha a certeza de ter visto morrer. Joan mostra uma folha de papel de cor escura que recebeu em seu lar com cinco nomes escritos, três deles já riscados, pois correspondiam às vítimas de assassinatos. Já os nomes restantes eram Joan e Harrison. Para sobreviver a essa ameaça de alguém ressurgido dos mortos, Joan buscou a ajuda do afegão Khoda Khan para que os protegessem, apesar de o detetive e todo o departamento de polícia o procurar prender há tempos.


Após apresentar todo o contexto do caso e citar o passado dos personagens com o líder dos assassinos, a história desencadeia sequências de perigos. Alguns deles são impedidos pelo detetive, já outros acabam vencidos pela estratégia do adversário, precisando enfrentá-lo em confronto direto. Sem mistérios nas intenções do vilão, pois o próprio conta ao protagonista e explica tudo ao leitor nas linhas de diálogo, com expressões cheias de jargões e ameaças que seriam muito comuns também nas histórias em quadrinhos daqueles heróis conhecidos até hoje, embora publicados nos anos em torno deste conto e posteriormente, um atrativo aos leitores de HQ conferirem a influência da era pulp.


“— [...] Para os belos, uma morte bela. Para os hediondos, a mesma morte dos bois, como a que decretei para seu amigo Harrison.”

Presas de Ouro


Avaliação:





Harrison persegue um ladrão chinês que assassinou uma vítima conterrânea e roubou todo o dinheiro acumulado para a herança. Fugiu pelo pântano, onde negros viviam isolados dos demais cidadãos. Apesar de todos os alertas quanto a andar por aquele lugar à noite, ainda mais pela ameaça do Gato do Pântano, Harrison tem de cumprir o trabalho.


Há uma nota da editora no começo do livro alertando sobre a maneira preconceituosa de narrar pelos autores desta época, inclusive Robert E. Howard, e este conto demonstra essa escrita desconfortável. Assim como em Os Nomes no Livro Negro, o meliante é um chinês, e por envolver afrodescendentes nesta perseguição, Harrison fica desconfortável, longe da sociedade “civil” na perspectiva dele. A narrativa mostra rituais estereotipados em vez de representar uma cultura distinta, complementando os personagens ameaçadores dessa etnia com adjetivos referentes ao tom de pele, desde o bronze até a desconfortável comparação a macacos. Nem a personagem feminina é dispensada de comentários machistas mesmo quando ajuda o detetive.


Todas essas críticas podem prejudicar a experiência do leitor contemporâneo preocupado em respeitar a cultura alheia, e faz com que o leitor tenha dificuldades para aproveitar este conto como uma aventura policial. Mas tratando da história, ela desafia o detetive a ficar sempre alerta, superar obstáculos diferentes mesmo a alguém experiente feito ele, e finaliza por meio da justiça poética temperada de bom humor sobre evitar questões burocráticas.


“Harrison teria atirado alegremente em Woon Shang se a chance tivesse surgido, mas ele tinha a repulsa do homem branco à tortura.”

Ratos de Cemitério


Avaliação:





Harrison acompanha o caso do assassinato de um membro da família Wilkinson, cujos irmãos sobreviventes acusam Joel Middletown de ser um assassino. Joel pertence a uma família rival. Só que a cabeça decepada do homem que fora assassinado aparece na casa dos irmãos, e consigo vem um rato de cemitério a espalhar o terror. Ou seja, matar não é o bastante, há muito mais nesse mistério para Harrison resolver, inclusive ambições de herança.


O conto que dá título à coletânea é repleto de terror, cada ponto de virada demonstrando a grandeza do mistério e do quanto o protagonista ainda se distancia da verdade. E ainda nos coloca além dos limites de qualquer ser humano. Além das estratégias do verdadeiro responsável pelos crimes, aqui o enredo favorece as coincidências a tornarem o caso horripilante, e em vez de isso comprometer a história, contribui por somar perigos tão surreais quanto as vítimas sentiam.


“Suas almas pertencem ao Diabo, e os ratos de cemitério vão comer a sua carne! Os fantasmas dos mortos andam pela noite!”

O Segredo da Tumba


Avaliação:





O detetive Brock Rollins tenta proteger a última das três vítimas perseguidas por uma gangue oriental, pois essas possuem um segredo que literalmente poderiam levá-las à morte. Por algum motivo na época, o nome do protagonista foi modificado pelo editor que publicou dois contos de Howard numa mesma revista. A escrita é descritiva, detalhando os pensamentos momentâneos do detetive enquanto reflete nas pistas adquiridas. A personalidade agressiva do detetive transparece por meio do diálogo cheio de ameaças contra criminosos, desrespeitando até seu chefe quando se é o único capaz de cumprir o serviço. O contexto da história reflete muito o pensamento da época sobre uma ameaça oriental chegando a qualquer momento, cujos detalhes narrativos podem render reflexões acerca da perspectiva do estadunidense em relação aos chineses.


“— Mesmo que eu morra muito rápido, ainda teria tempo para apertar o gatilho.”


Considerações Finais:


As notas dadas a cada conto avaliam a qualidade de escrita do autor Robert E. Howard, sem a intenção de diminuir o trabalho da editora devido aos comentários ofensivos presentes na narrativa original. A tradução foi honesta em trazer as características da escrita do autor, oferecendo ao leitor a experiência de conferir o seu trabalho em português. Único deslize da edição foi deixar alguns erros de digitação ao longo dos quatro contos.


Ficha Técnica:


Nome: Ratos de Cemitério e outros contos estranhos do detetive Steve Harrison

Autor: Robert E. Howard

Editora: Avec

Gênero: Policial

Tradutores: Carolina Chiarelli e César Alcázar

Número de Páginas: 169

Ano de Publicação: 2020


*Material enviado em parceria com a Avec Editora


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