• Paulo Vinicius

Resenha: "Rat Queens vol. 1 - Pancadaria e Feitiçaria" de Kurtis J. Wiebe e Roc Upchurch

Hannah, Violet, Dee e Betty formam um grupo chamado de as Ratas Rainhas. Elas são uma equipe formidável de aventureiras, se não explodissem tudo pelo caminho. Em uma de suas missões elas vão descobrir que alguém está tentando matá-las. Quem será? O prefeito? O dono da taverna? O chefe da guarda? A dona da mercearia?



Sinopse:


Quem São as Ratas Rainhas? Elas são um grupo de aventureiras matadoras, beberronas e mercenárias, e seu negócio é trucidar todas as criaturas dos deuses em troca de grana. Conheça Hannah, a elfa maga rockabilly; Violet, a anã guerreira hipster; Dee, a humana clérigo ateia; e Betty, a miúda ladra hippie. Suas aventuras são um épico de estilo moderno, dentro do gênero tradicional de matança violenta de monstros — como se Buffy encontrasse Tank Girl em um mundo de RPG… Mas pra lá de chapada!




Amigas aventureiras


Rat Queens transborda RPG por todos os poros. É o tipo de quadrinho que vai agradar a quem gosta e a quem não gosta de RPG. Repleto de tiradas hilariantes e de momentos emocionantes, somos colocados ao lado dessas quatro amigas que precisam vencer inúmeros obstáculos para curtirem uma boa dose de vinho ou cerveja ao final. Claro que isso inclui muita destruição por toda a parte. Essa mescla de RPG e aventura com um clima bem leve é feito com sucesso pelo roteirista e pelo desenhista que capta bem o que lhe é pedido.


O roteiro de Wiebe é leve e divertido e consegue nos encantar desde o primeiro minuto. Ele não escreve um roteiro revolucionário, mas dentro dos limites que ele se impôs consegue entregar uma boa narrativa. Tem alguns momentos meio gore principalmente durante batalhas, mas ele consegue manter um bom ritmo. Nesse primeiro volume ele deixou para trabalhar os laços que unem as quatro amigas. Ele vai colocando-as em situações de perigo e nos mostrando como elas conseguem sobreviver diante das adversidades. Temos alguns ótimos momentos como a batalha na caverna e depois o sítio à cidade. E o autor consegue dosar também a capacidade das personagens, nunca deixando-as poderosas demais. Elas são fortes, mas possuem seus limites.


A narrativa é bem simples. Tudo começa quando as quatro são enviadas para uma missão aparentemente descomplicada para lidar com alguns monstros que estão atacando caravanas nos limites da cidade. Mas, o que era para ser uma missão simples, complica quando um monstro enorme as ataca. E, depois que elas sobrevivem às duras penas, um assassino surge para liquidar com elas. Hannah vai tentar descobrir junto ao chefe da guarda quem enviou os assassinos. É um trecho em que a história adota ares investigativos onde a sutileza de Betty vai ser mais importante do que a força bruta de Violet. Somos presenteados com um grande combate no final que vai deixar algumas consequências para nossas heroínas.


Este primeiro volume vai se focar mais em Hannah e em Betty. Hannah é a líder das Ratas Rainhas, mas às vezes ela acaba se colocando em situações perigosas por pura imprudência. É isso o que acaba colocando a personagem para refletir mais adiante quando uma de suas amigas acaba ferida. Mas, o seu lado líder acaba exigindo dela que ela seja capaz de encontrar o culpado por tudo o que está acontecendo a todos os aventureiros. Hannah é uma ótima personagem para percebermos o equilíbrio entre a lógica do líder e o coração da amiga. Dee funciona quase como um contraponto a Hannah. Se Hannah é a impulsiva, Dee é aquela mais calma e equilibrada.



Outra personagem que recebeu um grande destaque é Betty. A personagem funciona como uma espécie de agregadora de todas. Ela tem um lado frágil, ao mesmo tempo em que tem um jeito todo irônico de ser. As piadas dela ao longo deste primeiro volume são as melhores. E o mais curioso de tudo é que muitas vezes ela consegue ser engraçada sem tentar ser. Por outro lado, temos o dilema que ela tem com a pessoa de quem gosta. Como ser uma aventureira e viver ao lado dela? Uma das colocações de sua amada é a respeito do alto índice de mortalidade de aventureiras. É como o dilema do policial e sua esposa nos dias de hoje. Todos os dias a esposa teme pelo seu marido que sai rumo ao perigo. E quando ele não voltar mais? Como fica aqueles que são deixados para trás? É nisso que Betty vai precisar refletir se ela quiser continuar ao lado de sua namorada.


A arte de Upchurch não é das que mais me agradam. Para uma HQ mais voltada para o aspecto do humor, ela quebra o galho. O design de personagens adota uma vibe mais caricata o que tira o foco um pouco da ação. Eu até acho que esse design tende a melhorar mais nos próximos volumes, mas aqui não me agradou. As sequências de ação ora são boas, ora são confusas. Eu achei o combate com o troll bem confuso e enrolado; não era capaz de entender a sequência de ataques das personagens. Já o cerco ficou bom, com os personagens se alternando em bons momentos. O ambiente como um todo consegue emular bem o clima de uma cidade medieval fantástica. Gostei dos espaços abertos e dos detalhes presentes na cidade que a tornam um ambiente único.


Rat Queens conseguiu me surpreender no sentido de me dar algumas boas horas de diversão. As personagens começaram a ser apresentadas e eu sinto que vou curti-las em suas aventuras (ou desventuras). A pegada mais leve me arrancou algumas boas risadas e os easter eggs presentes para os jogadores de RPG são ótimos. Mas, a arte ficou um pouco aquém daquilo que eu realmente curto.



Ficha Técnica:


Nome: Rat Queens vol. 1 - Pancadaria e Feitiçaria

Autor: Kurtis J. Wiebe

Artista: Roc Upchurch

Editora: Jambô

Tradutor: Gustavo Brauner

Número de Páginas: 128

Ano de Publicação: 2016


Outros Volumes:

Volume 2


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