• Paulo Vinicius

Resenha: "Quad #1" de Aluísio Cervelle Santos, Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal

Nesta coletânea com quatro histórias temos ficção científica no seu sentido mais puro. Uma mecânica que vai precisar correr atrás de uma peça e se mete em uma encrenca, um investigador de robôs, um grupo de motoqueiros que catam objetos de uma civilização antiga e despertam a atenção de um homem e um resgate arriscado em um planeta distante. 


Sinopse:


QUAD é uma revista de histórias em quadrinhos de ficção científica produzida por quatro autores: Aluísio Cervelle Santos, Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal. Quatro artistas, quatro histórias, dentro do mesmo universo de ficção. ​ Esses quatro artistas atuam em diversas áreas de ilustração: editorial, publicidade, games e, claro, quadrinhos. E também, compartilham a paixão por histórias de ficção científica. Daí veio a ideia de produzirem uma revista juntos, com histórias de aventura em mundos desconhecidos, naves, robôs, alienígenas e motos voadoras.




A Quad é uma espécie de revista mix de histórias cujo gênero é de ficção científica. Não há uma temática central, dando liberdade aos autores para criar suas histórias. O resultado que vemos nesta edição é extremamente positivo. Se formos falar dos aspectos gerais, a revista é de ótima qualidade e o tamanho é um pouco maior do que o padrão americano. Tem um prólogo explicando a trajetória da revista até chegar nas nossas mãos e no final tem uma galeria de imagens feitas por outros artistas com base nas quatro histórias publicadas nesta edição. A edição é inteiramente em preto e branco e o papel usado é couché. Como qualquer mix de histórias tem histórias legais e aquelas que a gente não curte tanto. Mas, no geral achei as histórias de boa qualidade. 

Sem dúvida alguma a história que eu mais gostei é Terah & Elvis, com roteiro e arte de Eduardo Schaal. Terah é uma espécie de mecânica que conserta alguns tipos mais exóticos de equipamentos. Ela habita uma terra devastada repleta de perigos por toda a parte, como alienígenas e mutantes. Quando retorna de um de seus trabalhos, recebe um pedido de conserto de um estabilizador antigo em uma casa afastada. Ela segue junto de seu gato Elvis até o local. Lá, ela terá uma bela surpresa. A arte do Schaal é muito precisa e eu gosto como explora bem a devastação espalhada pelo cenário. Temos aridez, temos aquele tipo de tecnologia meio Mad Max. Acredito eu até que esta tenha sido em parte a inspiração do autor para compor a narrativa. O roteiro é bem simples e direto, porém entrega bem o que o autor propõe. Nessa história curta, ele consegue apresentar o mundo e seus personagens. É uma história bem encerrada em si mesma. Se ele quiser, pode voltar depois a explorá-la. 



Esp-Trent de Aluísio Cervelle Santos foi o segundo conto que eu mais gostei. E, sim, foi muito porque ele arranjou um jeito de inserir as 3 leis da robótica criadas por Isaac Asimov na narrativa. O protagonista é uma espécie de exorcista de vírus inseridos em robôs. Ele é enviado até uma mina para descobrir que robô foi infectado para então iniciar os devidos procedimentos. Mas, sua investigação pode acabar ficando um pouco perigosa. Inicialmente eu gostei da ideia criada pelo autor para a sua história. Mas, à medida em que a história avançava eu acabei não conseguindo imergir inteiramente na proposta do autor. Eu queria vê-lo explorar mais a disrupção das três leis. Uma história mais investigativa do que de ação teria ficado muito melhor. E teria proporcionado a ele todo o espaço para ele explorar sua arte. Gostei de como ele criou os corpos dos autômatos e mesmo o protagonista sendo um robô por si só, é bastante expressivo. As cenas de ação são fluidas e o leitor consegue entender bem o que está acontecendo. 


Sally, de Eduardo Ferigato, é uma história de uma dupla de exploradores espaciais que vão atrás de um pedido de socorro em um planeta distante. Chegando lá eles precisam investigar a natureza do acidente e buscar quaisquer sobreviventes. A proposta é simples e o autor usou bem o espaço da revista para mostrar um pouco de sua arte. Ela é algo mais contida e focada nas imagens no primeiro plano. Entretanto eu não gostei muito de como ele cria o design de personagens. Não sei como descrever.... para mim, parece apenas estranho ou fora do lugar. Já a narrativa é bem simples e direta. Penso na narrativa de Sally mais em uma maneira de fazer um showcase da arte do autor. Apesar disso, eu tenho que destacar aquele plot twist no final que eu não esperava. Foi aí que ele me pegou de surpresa. 



A que eu menos gostei foi Muros, do Diego Sanches. Sabe aquela história que você vê um enorme potencial, mas que acaba não sendo tão aproveitado? Essa é ela. Para mim, o Diego tinha que ter tido uma edição inteira só para ele mostrar tudo o que ele queria com a história. Ela sofre enormemente da falta de espaço. Fico muito chateado porque putz... Ele conseguiu fazer uma bela de uma crítica social a la Admirável Mundo Novo. Temos um grupo de motoqueiros trazendo relíquias de eras passadas para serem adquiridas por uma cidade-modelo. Nela, várias pessoas muito parecidas trabalham em uma espécie de linha de produção. Um dos indivíduos desta linha acaba descobrindo os motoqueiros sem querer e abre sua mente para novas possibilidades. Só nessa descrição já deu para ver o quanto de história não foi contada. E mesmo que o autor confiasse na imaginação do leitor, fica um pouco esquisito deixar a maior parte da narrativa nesse ponto. A arte me lembrou algo mais vanguardista fugindo um pouco dos modelos tradicionais. Pega muito pelos traços mais rabiscados e sombreados, o que dá a ela um visual único. Gostei também de como ele conseguiu interpretar bem como é uma linha de produção. 

A revista é de alto nível e as histórias apresentadas geram pelo menos uma pulga atrás da orelha do leitor. Se a ideia era focar em temáticas clássicas de ficção científica, os organizadores conseguiram. E me deixaram bem curiosos para ler outra edição dela. Consigo conhecer outros autores e curtir histórias bem divertidas. 


Ficha Técnica:

Nome: Quad #1 Autores: Aluísio Cervelle Santos, Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal Editora: Auto-publicado Gênero: Ficção Científica Número de Páginas: 116 Ano de Publicação: 2015


Avaliação:



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