• Paulo Vinicius

Resenha: "O Anel do Escorpião" de Ana Lúcia Merege

Um mago prestes a morrer conta a seu pupilo uma história de seus tempos de aventureiro. Uma aventura terrível, mas cujo resultado pode ter dado incríveis poderes a este mago.

Quando eu era mais jovem, gostava muito de me embrenhar em selvas assustadoras, florestas mágicas e cavernas profundas para enfrentar todo o tipo de perigos. Nossas aventuras de RPG eram momentos incríveis e todo o processo de planejar uma aventura podia ser tão complexa quanto escrever um romance. Na minha vida adulta, os livros de fantasia acabaram me atraindo justamente por esse apelo à minha adolescência. Mas, por incrível que pareça, poucos foram os livros que realmente capturaram esse sentimento aventuresco.

O Anel do Escorpião é um relato em primeira pessoa das aventuras de um mago e seu grupo de aventureiros em uma missão particular. Eles foram designados para realizar uma missão e acabam precisando entrar em um pântano terrível que esconde muitos perigos. Mas, a ambição desse mago por um incrível poder pode levar todos os seus aliados a enfrentarem algo que pode ser mais poderoso do que todas as suas habilidades combinadas. Será que atrás de uma aventura perigosa se esconde uma recompensa maravilhosa ou ainda mais tristezas? Talvez essa seja uma lição que o pupilo desse mago, que está ouvindo essa história, terá de aprender.

Esse foi o meu primeiro contato com o mundo de Athelgard onde se passam boa parte das histórias da autora. Quis pegar algo mais simples e direto para tentar entender como funciona a escrita de Ana Lúcia Merege. Esse objetivo eu consegui cumprir com louvor. Não se trata de uma aventura épica e memorável, da qual me lembrarei para todo o sempre. Mas, certamente, a escrita da autora me impressionou muito. Fácil de acompanhar, sem muitas firulas e objetiva onde precisa ser, eu conseguia passar as páginas facilmente. Sem grandes descrições, somos guiados através de uma aventura cujo objetivo simples e direto somos capazes de ver no final da aventura. Não significa que é uma aventura previsível, mas que a autora não saiu tanto do seu objetivo inicial ao incluir subtramas ou becos sem saída. Tudo é muito fluido.

O estilo aventuresco da trama é muito atrativo. Me lembrou da minha infância assistindo episódios de Caverna do Dragão. A magia presente no mundo, os personagens interessantes, as brigas de bar, as aventuras em lugares estranhos. Tudo transborda magia. E isso me fez lembrar imediatamente das minhas sessões de RPG. Não sei se a autora teve contato, mas a maneira como ela constrói o mundo me remeteu a autores como Terry Brooks e Robert Jordan, com aquele estilo único de construir um mundo e preenchê-lo com elementos familiares aos leitores. Nós rapidamente conseguimos nos situar dentro da ambientação.

O que eu me ressenti um pouco foi de um aprofundamento maior dos personagens que seguiam o mago pela aventura. Sinto que Ana Lúcia podia ter dedicado alguns parágrafos apenas para apresentá-los melhor. Não precisava ser nada profundo, mas apenas que tipo de relação o protagonista tinha com eles. Quando acontecem algumas situações com estes personagens, eles não tem o impacto devido no leitor. Parece apenas que eles foram jogados aleatoriamente no cenário para preencher uma cota. Mesmo o protagonista não é tão carismático assim. Eu gostei da aventura pela aventura e não pelo protagonista. E isso sinaliza a habilidade da autora em compor uma trama e dispor de uma escrita que intriga o leitor. Mas, se fosse uma narrativa mais longa, talvez essa ausência de aprofundamento poderia causar um dano maior à experiência de leitura. Novamente: entendo que esse talvez não fosse o objetivo da autora, mas um ou dois parágrafos com uma familiarização e uma relação entre os personagens talvez auxiliasse.

O chamado à aventura e os sacrifícios decorrentes da busca por um grande poder são os temas centrais desse conto. O mago parece ter se tornado uma pessoa importante no mundo criado por Ana Lúcia, mas seu poder é proveniente de algo arriscado que ele precisou fazer no passado. Provavelmente representa uma marca indelével deixada pelas consequências dessa aventura. E vou parando por aqui antes que eu acabe entregando muito deste conto fantástico da autora. Vale a pena investir um pouco de seu tempo e embarcar junto do mago nesta perigosa aventura. E se você é ou já foi um jogador de RPG, como eu, vai se deliciar ainda mais com O Anel do Escorpião!

Ficha Técnica: Nome: O Anel do Escorpião Autora: Ana Lúcia Merege Editora: Draco Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 20 Ano de Publicação: 2012


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