• Paulo Vinicius

Resenha: "Meus pais, os Pterodáctilos" de Cirilo S. Lemos

O jovem Gvrilo foi encontrado por um casal de pterodáctilos que o adotou como se fosse seu filho. Mas, no clã dos Quatro Ventos um humano é uma criatura sem asas. E não é aceito pela sociedade.


Um pterodáctilo nas cores laranja e azul voando no centro da imagem. Ao fundo temos duas ilhas com águas batendo na margem delas.

Sinopse:


Ninguém pode ser considerado um membro pleno dos Quatro Ventos se não puder voar. Um jovem humano, adotado pelos pterodáctilos que habitam a cidade de Vurap, precisa se integrar ao clã. Mas asas são caras. Será que Gvrilo conseguirá encontrar um par que caiba no orçamento de sua família?




Cada conto que eu leio do Cirilo S. Lemos mais eu fico com aquela sensação de por que eu não li esse cara antes. Mais uma vez sou surpreendido com uma história que parece ser simples na premissa, mas que esconde tantos pequeno detalhes que ao parar para pensar fazem o cérebro fritar. A narrativa é um diário de um menino humano chamado Gvrilo que é criado por um casal de pterodáctilos. Neste mundo steampunk, os pterodáctilos aparentemente são a raça dominante e vivem em seus ninhos em uma civilização bastante avançada. O menino precisa primeiro entender a si mesmo e seu papel dentro da sociedade para em seguida lidar com o preconceito daqueles que não o aceitam em seu seio.


A temática parece ser simples, mas Cirilo pensou de uma maneira inversa. Normalmente tendemos a pensar na visão do estranho em uma terra estranha como um alienígena tentando conviver em nosso mundo ou mutantes precisando lidar com o preconceito de uma sociedade que não os aceita. Aqui ele colocou o ser humano em uma posição diferente. O humano é o estranho e a maioria é o normal. Pensar como humano é estranho dentro desta sociedade. O humano é o anormal. Isso é o que faz desta história tão fascinante porque não costumamos ser capazes de nos colocar no papel de estranho. Nos consideramos como o normal, o padrão. E isso nem sempre é verdade. Para os valores daquele clã, a presença do humano era uma aberração. A mãe pterodáctilo estava indo contra as normas.


Outro detalhe que chama a atenção nesta narrativa e que vai passar despercebida do olhar de muita gente é a escrita do autor. Sim, é uma narrativa em primeira pessoa. Ela é sensível e emotiva e isso faz dela um ponto favorável. Mas, não é só isso. Ela reflete os sentimentos do personagem ao longo do tempo. É um caderno de anotações da vida de Gvrilo. Em momentos da história o personagem muda a maneira de escrever de acordo com as suas emoções. Por exemplo, temos uma poesia no meio da história. Feita com a inocência de uma criança. E mais para a frente tem outro momento lindo que eu não vou comentar. E essa capacidade de mudar a estrutura narrativa só é possível para alguém que domina técnicas de escrita. Falando aqui em uma análise crítica parece simples, mas não é. Experimente tentar mudar completamente a sua estrutura de escrita de uma hora para outra? Determinados vícios de escrita permanecem. No entanto, não é isso que vemos na forma como Gvrilo relata suas experiências. É como se ele realmente estivesse colocando os seus sentimentos para o papel. É lindo pensar que por trás disso tem um autor que através da sua pena conseguiu imaginar os sentimentos de um personagem tão autêntico.











Ficha Técnica:


Nome: Meus pais, os pterodáctilos

Autor: Cirilo S. Lemos

Editora: Draco

Número de páginas: 27

Ano de Publicação: 2016


Avaliação:

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