• Paulo Vinicius

Resenha: "Eu Matei o Libório" de Orlandeli

Atualizado: Jun 4

Libório. Nome maldito!! Uma pessoa que assombra a vida do protagonista desde sua infância. Sempre o melhor em tudo; sempre o perfeito. E sempre servindo de comparação para o protagonista que não tem a menor chance diante do Libório.



Sinopse:


Uma história completa contando o drama de um rapaz que descobre que a única forma de conseguir uma vida normal e feliz é matando o Libório. Um jovem politicamente correto e de bom coração. Exagero? Decisão precipitada? Aaaaah... Vocês não conheces o Libório.





Quantos de nós já não tivemos um Libório em nossas vidas? Um irmão, um amigo ou um parente ao qual sempre éramos comparados. Alguém super perfeito que a gente gostaria de fazer sumir de nossa existência. E é nessa vertente que Orlandeli escreve uma narrativa de humor negro e que tem duas camadas bem interessantes em sua leitura. O leitor pode escolher ficar naquela que ele considerar mais conveniente. Mas, de qualquer forma: bem vindo a uma história de assassinato. Aliás, assassinato não; legítima defesa porque o Libório precisa morrer.


Nosso protagonista começa sentado em uma cadeira e nos conta como é a sua relação com o Libório. Alguém que vem acompanhando sua vida desde a infância. Um cara perfeito, com notas e atitudes perfeitas. Sempre provocando o ato da comparação, ele ficou feliz quando finalmente foi capaz de se livrar do Libório após eles seguirem rumos diferentes em suas vidas. Durante a faculdade, ele consegue finalmente se destacar e até conhecer o amor de sua vida. Mas, como todas as coisas boas, o paraíso nunca dura muito tempo. E é em uma visita à casa da família de sua namorada, que o protagonista encara mais uma vez o motivo de suas frustrações juvenis: Libório. Ele está de volta. E ele precisa morrer.


A arte do Orlandeli já me é conhecida e eu tenho um fraco por ela por ser expressiva. Ela é exagerada o que quase sempre combina com as suas narrativas que exploram o lado emocional de seus personagens como em O Mundo de Yang e Os Olhos de Barthô. Seus personagens são expressivos, mostrando tristeza, alegria, satisfação, fúria, curiosidade, felicidade. É fácil discernir isso. Só que nesse quadrinho (que é um pouco mais antigo do autor) a gente percebe que o autor está se aprimorando e descobrindo o seu traço. Por essa razão não é o melhor meio para o leitor descobrir o trabalho do autor. Mesmo assim o forte emprego das silhuetas e dos fundos brancos ajudam a dar um ar experimental à obra. Não é um dos melhores trabalhos do autor, mas certamente quem acompanha o seu trabalho, vai se sentir totalmente em casa. E eu posso apreciar todos os quadrinhos do Orlandeli que não vou me cansar.


Essa HQ tem duas camadas bem interessantes. Como quase tudo o que o Orlandeli escreve. Se o leitor ficar no aspecto mais superficial, essa é uma ótima HQ de humor negro. Certamente vamos nos recordar de alguma pessoa de nossa vida que a gente adoraria mandar para o espaço se pudéssemos. O desejo do protagonista é algo compartilhado por várias pessoas. O engraçado é que o roteiro do Orlandeli dá um ar de justa causa para o protagonista. Tipo, ele está apenas se defendendo da maldade deste ser asqueroso que é o Libório. Só que aí tem sempre aquela pulguinha atrás da orelha. Isso porque o protagonista é um narrador não confiável. E ele está apresentando a visão dele acerca de um ato vil que ele cometeu contra o próximo. Isso porque o verdadeiro tema trabalhado nesta HQ é o da inveja. Oras, se temos alguém com quem as pessoas não se cansam de nos comparar, cabe a cada um de nós mostrar que somos indivíduos por nós mesmos e não existe essa possibilidade de comparação.


O protagonista comete um assassinato. Qualquer justificativa que ele dê acerca do fato é uma mera desculpa esfarrapada. Não há defesa contra isso. E o Orlandeli coloca isso com uma sutileza incrível. Ele deixa transparecer a raiva e a inveja do protagonista em pequenas frases. Como saber se o relato dele não é exagerado também? Afinal é a visão dele sobre os acontecimentos. Tanto que ele enxerga o Libório como um escovinha convencido. Mas, será essa a verdadeira forma dele? Enfim, essa é uma HQ interessante porque apesar de ela parecer ter uma temática simples, existem muito mais coisas escondidas nas entrelinhas. E é algo que somente um autor como o Orlandeli sabe fazer bem.













Ficha Técnica:


Nome: Eu Matei o Libório

Autor: Orlandeli

Editora: Autopublicado

Número de Páginas: 40

Ano de Publicação: 2013


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