• Diego Araujo

Resenha: "Birman Flint: A Maldição do Czar" de Sergio P. Rossoni

Um caso investigativo numa realidade em que pessoas são seres antropomórficos pode trazer inúmeros interesses e surpresas a quem quiser conferir este livro de publicação nacional da Avec Editora.



Sinopse:


Françoria, 1920. Quando Birman Flint, repórter do Diário do Felino, se vê às voltas com o misterioso assassinato de um agente imperial da Rudânia, não poderia imaginar o destino nebuloso que o aguardava. Transformado em uma peça de um jogo diabólico orquestrado por seguidores de uma seita arcana, Flint se vê numa corrida contra o tempo em busca de respostas, de um assassino e, principalmente, de um antigo artefato conhecido como Ra’s ah Amnui, uma relíquia capaz de trazer à tona um passado sombrio e também a chave para a conspiração em torno do czar Gatus Ronromanovich. Assim, Flint é conduzido por caminhos obscuros, muito além da sua própria compreensão.






Fantasia se funde em ficção histórica neste enredo de mistério envolvendo animais antropomórficos. Só de ler esta frase é possível imaginar o quanto a construção dessa história é de uma arquitetura repleta de detalhes a serem pincelados nas frases de todos os parágrafos, e assim mesmo acontece o caso de investigação envolvendo a linhagem real de gatos a governarem Rudânia, país paralelo à Rússia do século XX que conhecemos. Birman Flint: A Maldição do Czar é o romance de Sérgio P. Rossoni que possui detalhes ricos, interessantes de conferir ao menos pela curiosidade em traçar todas essas características em um só livro. Publicado pela Avec Editoria em 2020.


“— Um soldado fiel... acima de qualquer suspeita, devo acrescentar, ainda que certos rumores digam o contrário.”

Birman Flint é um gato repórter investigativo, dotado de raciocínio equivalente à curiosidade que o atrai aos casos peculiares. O galo detetive Ponterroaux o convida a participar da investigação de um assassinato, digamos, curioso ao nível de seu perfil, pois a vítima é um camundongo trabalhando como agente secreto do império da Rudânia, presente numa situação nada oficial, mas, com seus últimos suspiros de vida, deu pistas sobre a própria morte. O corpo da vítima acompanhava o diário do ancestral da família real, sem falar das anotações remetentes a um certo artefato que revela segredos, alvos de uma conspiração contra o próprio império. Como já dito, um caso de interesse a Birman Flint.


“— Esta é a diferença entre um fato e aquilo que ele representa.”

O fato de os personagens serem antropomórficos nesse romance já atrai o interesse na leitura por si, o de conferir uma história entre animais vivendo em sociedade civil, e isso proporciona a ambientação adequada ao gênero principal desta história, o de mistério. Cada descrição fica interessante neste mundo onde o leitor descobrirá o quanto tem de único enquanto vê aspectos comuns ao nosso período histórico correspondente, favorecendo a leitura profunda às pistas distribuídas nessa aventura de Birman. Os gestos descritos no romance misturam ações pessoais com os do animal correspondente, recheando os diálogos de miados, grasnados e afins, entre outras ações a deixarem os personagens cartunescos, como as risadas estereotipadas de vilão, clichês o bastante para incomodar na leitura, apesar de ainda caracterizar o romance em determinado estilo.



A narrativa onisciente mal espera a transição de capítulo ou cena na hora de alternar o ponto de vista, sendo que o leitor acompanha a reação de vários personagens na mesma encenação. Esta escolha de escrita exige mais da atenção do leitor, embora não comprometa a qualidade da história. Há outra característica, esta sim incômoda: o narrador esconde a identidade de determinado personagem do leitor enquanto ele é reconhecido pelos presentes na cena. Apenas neste momento o narrador incita o mistério meramente ao citar alguém como misterioso por conta própria, o que o deixa incoerente da forma restante de narrar, a de apenas contar os detalhes e o leitor acompanhar as pistas junto com o protagonista.


Além da riqueza de detalhes em narrar um mundo diverso por meio de animais antropomórficos, o romance ainda os traz em abundância. Isso colabora ao enriquecer a trama, ao dedicar parágrafos prolongados a abranger todos eles. Conforme encaminha o enredo à resolução do mistério, o autor amplia a narrativa em vez de direcioná-la ao seu clímax. Assim revela questões sobre personagens com pouca oportunidade de cativar o leitor e completar os detalhes necessários, elencados a estenderem a narrativa quando ela estaria prestes a acabar. Pode ainda agradar os leitores conquistados pelas características traçadas até o momento final, sob o risco de incomodar tantos outros ansiosos pelo desfecho.


“— Um mundo todo ao nosso redor isolado pelas muralhas do ceticismo.”

Birman Flint: A Maldição do Czar traz inúmeras vantagens cativantes pela proposta rara entre os livros nacionais recentes, o de mesclar uma narrativa histórica e personagens animalescos. Elementos da fantasia são o tempero deste prato de mistério capaz de atrair os leitores desde o começo, só adiou a hora de entregar a cereja da sobremesa a ponto de alguns perderem a fome, não a ponto de prejudicar todo o banquete. Portanto vale a pena conferir esta mistura de diferentes elementos em uma ficção investigativa.


“Peneirando tudo até chegar à verdade.”












Ficha Técnica:


Nome: Birman Flint - A Maldição do Czar

Autor: Sergio P. Rossoni

Editora: Avec

Número de Páginas: 368

Ano de Publicação: 2020


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*Material enviado em parceria com a Avec Editora