• Paulo Vinicius

Resenha: "Até que a Morte nos Separe" de Rafael Cordeiro

Depois de sair desolado do enterro de sua esposa, Daniel volta para casa e a encontra na sala. Mas, o seu retorno colocou em alerta o mundo dos mortos. É aí que começará a jornada de Daniel para ficar ao lado de sua esposa Anna.

Sinopse:


Até aonde você iria por amor?

Quando um jovem viúvo chega em casa e encontra sua esposa sentada casualmente no sofá da sala, algo certamente está errado. A dantesca cena é o gatilho inicial para uma jornada rumo ao misterioso, onde o amor é capaz de desafiar os limites da vida e da morte.

Neste romance, fantasia e realidade estão muito mais relacionadas do que pensamos: deuses podem estar na sua esquina; demônios podem estar no seu quarto. O imprevisível caminho trilhado pelo protagonista o levará a lugares proibidos, a lugares esquecidos, tudo em busca de sua amada.




Sacrifícios por amor são histórias que sempre aquecem os nossos corações. Há séculos, os bardos e trovadores contam histórias de amores impossíveis, de coragem para salvar uma amada. Aqui temos a linda história do amor verdadeiro entre duas pessoas que se encontraram e desejam passar a eternidade juntos. Isso diante de todos os obstáculos colocados diante deles.

Como uma boa narrativa intimista, Rafael optou por uma escrita em primeira pessoa. A escolha ideal e certeira para este tipo de história. Mesmo sendo uma história com alguns tons obscuros, o autor consegue manter uma leveza incrível em quase todos os momentos. Não somos colocados diante de um clima baixo astral até mesmo quando o personagem precisa tomar decisões difíceis. Gostei demais desses espírito leve apresentado pela narrativa. A leitura flui muito bem com um ótimo encadeamento de palavras. Alguns livros possuem uma escrita dura e difícil no qual o leitor precisa se esforçar para atravessar as páginas. Aqui não temos nada disso. Em uma sentada o leitor é capaz de ler metade do livro se tiver uma oportunidade. Até procurei atacar menos a leitura para que ela durasse mais.

Só deixo uma observação mais relacionada à primeira metade da história. Alguns capítulos no começo são muito curtos. Acredito que o livro ganharia muito se o autor reduzisse a quantidade de capítulos e criasse subseções dentro destes capítulos. Pequenas separações para que fosse possível inserir as cenas sem criar capítulos em excesso. Eu percebi que o autor pegou esse estilo mais para a segunda metade do livro. Ali eu senti que ele acertou mais a mão no que diz respeito à escrita propriamente dita. Não chega a ser um erro, nem nada disso, é apenas algo que pode contribuir para a riqueza da escrita. E acho que nem vai tirar a velocidade com a qual lemos a história.

Para mim aquilo que mais se destacou é o que era a proposta do autor: apresentar uma história de amor entre dois personagens. Nesse sentido eu curti muito os protagonistas. Pouco a pouco somos apresentados a eles e vemos como eles desenvolveram sentimentos um pelo outro. Nada é forçado, tudo é orgânico. Essa primeira metade do livro é fabulosa. Senti empatia pelos dois, o que é fundamental para um romance que se foca na relação entre dois personagens. Em nenhum momento achei chatos os momentos de pequenas experiência de ambos. O amor de ambos é sincero e honesto e não temos aqui situações forçadas que fizessem ambos se atraírem selvagemente. Nada disso; apenas um homem conhecendo uma mulher e entendendo que ela é a sua vida.

Falar de amor sem parecer piegas é difícil. Vivemos um momento em que boas histórias de amor são raras. Até porque quase todo o tipo de histórias já foram imaginadas pelos autores. É complicado conseguir surpreender o leitor com algo inédito nesse sentido. Achei muito bacana o autor ter se inspirado na história de Orfeu e Eurídice; já havia percebido a inspiração, mas citá-la claramente me deu uma derrubada. Achei muito legal da parte do autor ser honesto e apresentar que a história era uma reimaginação deste mito.

Também tivemos a temática da travessia pelos círculos do inferno. Essa história foi mais sutil e quem conhece o Inferno de Dante Alighieri vai entender aonde eu quero chegar. Porém, eu achei que a narrativa ficou apocalíptica demais na segunda metade. Não havia necessidade de criar algo tão grandioso com uma batalha entre deuses. Tem um mote na escrita criativa que diz que "às vezes, menos é mais". Para mim o que acabou perdendo pontos na narrativa foi esse clima mais para o final da história. O autor poderia ter mantido a história toda centrada na busca de Daniel por Anna e ele precisar passar por provas para poder resgatar o espírito de sua esposa. Até o plot twist antes do interlúdio estava muito bom. As melhores partes da história eram aquelas que se focam pura e simplesmente nos dois. Reforçando os laços que faziam deles pessoas que se amavam. A parte sobrenatural fantástica poderia ter se centrado justamente nisso. Portanto, não vou comentar sobre o clímax final simplesmente porque foi um trecho que eu não gostei. Vou ficar no meu amor pela primeira metade da história.

A discussão sobre fé é sempre interessante. E de fato, muitos teólogos acreditam que a construção de céu e inferno é algo muito humano. Por isso que alguns autores acabaram criando essa teoria narrativa da criatividade do pós-vida. Que sustentamos determinadas criações sobrenaturais apenas porque acreditamos nelas. E o homem tem um poder enorme para tornar real algo que é meramente mítico. Rafael poderia ter explorado mais essa questão dos deuses desejando que nós acreditássemos neles. E isso poderia ter gerado vários outros subplots que poderiam ter contribuído mais para o desenvolvimento do amor entre os protagonistas.

Para quem gosta de um romance leve, mas repleto de emoção e sentimento, fica a dica deste livro incrível. Com uma escrita muito boa e com muito potencial para crescer, Rafael nos entrega uma história de amor bonita e de bastante sensibilidade. Os protagonistas são a real riqueza da história e o leitor não vai se decepcionar com esse relato de amor sincero. A história é perfeita até mais ou menos 60%, mas quando o autor quis dar um tom mais dramático e apocalíptico a narrativa deu uma leve queda. Recomendo bastante a leitura e espero coisas maravilhosas do autor.


Ficha Técnica:


Nome: Até que a Morte nos Separe

Autor: Rafael Cordeiro

Editora: AutoPublicado

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 126

Ano de Publicação: 2016


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