• Paulo Vinicius

Resenha: "A Queda de Tragodath" (As Crônicas de Acheron vol. 1) de Antônio Vasconcelos II

Esta é a crônica da queda da cidade de Tragodath vista a partir dos olhos e corpos de três jovens: Timiah e os irmãos Taflihn e Eliatzuh. Os três são cativos dos conquistadores e precisam encontrar uma forma de escapar do horror perpetrado em sua cidade. 

Sinopse:


Quando a vila de Tragodath foi invadida, o jovem Timiah perdeu quase tudo o que lhe era de mais precioso: presenciou a morte brutal de seus pais pelas mãos dos bárbaros.

Porém, não perdeu a esperança. Prisioneiro ao lado de dois outros jovens, busca maneiras de escapar da perversidade de seus inimigos. Ao mesmo tempo que encaram seus passados sombrios.

Para isso, os três contam com a fé em suas crenças e toda a astúcia que possuem.

E um desejo de vingança maior que o do extermínio de seu povo.




O que é necessário para começar uma série? Como criar a ansiedade por aquilo que virá? Antônio Vasconcelos II busca iniciar os leitores naquilo que pode ser o início promissor de uma série. Para isso, ele constrói cenário, conta parte da mitologia do mundo e nos apresenta personagens. Aos poucos ele vai fazendo todas as três coisas de forma a nos deixar ansiosos por aquilo que virá no futuro. Mas, ao mesmo tempo nos deixa com várias perguntas. 

A Queda de Tragodath se passa dentro de um cenário fixo: uma taverna na cidade de Tragodath, que está sendo destruída por invasores que desejam conquistar as grandes cidades do Leste. Nosso olhar é dirigido para Timiah, um jovem que está entre os prisioneiros dos conquistadores. Quando ele é levado para o lugar onde os prisioneiros estão sendo mantidos, ele se encontra com outros dois sobreviventes: Taflihn e Eliatzoh que são filhos de uma grande família da cidade conquistada. Os irmãos foram usados e abusados pelos conquistadores e agora estão em um estado muito fragilizado. O objetivo da narrativa é contar se eles serão ou não bem sucedidos em sua tentativa de fuga da cidade. Eles vão compartilhar amores, crenças e insatisfações ao longo de 31 páginas de história. 

Quando um autor começa a escrever sua história, fazer a construção de mundo inicial sem cansar o leitor é algo extremamente complexo. Um dos primeiros passos para atrair leitores é atraí-lo com uma boa história. É como se o autor fosse um pescador e os leitores fossem peixes em um rio. Ele precisa usar uma boa isca para fisgar seus peixes. Caso contrário o peixe escapa e irá procurar uma outra freguesia. A isca empregada por Antônio Vasconcelos é se utilizar de um cenário horrendo para criar sua narrativa. O choque do leitor ao ser colocado no meio da confusão vai se transformando em compreensão à medida em que os fatos e curiosidades vão sendo contados pouco a pouco. Claro que como a história é curta não é possível explicar tudo de uma vez só. Então ficamos com várias lacunas que serão respondidas em outras sequências da série. No entanto, tudo o que precisamos saber para entender o que está acontecendo em Tragodath está ali bem nítido. 

Timiah representa o "herói" (apesar de Taflihn aparentar ser mais forte e decisiva). Ele vê tudo aquilo que está acontecendo e questiona sua própria fé. Por que seus deuses não intercederam pelos seus fiéis diante de uma situação tão difícil? Ele tenta buscar explicações plausíveis para o que está enfrentando e ao mesmo sobreviver àquele horror. Em um primeiro momento, Timiah atua como um agitador, levantando os irmãos do torpor surgido a partir dos abusos do chefe dos invasores. Ao mesmo tempo, Timiah pensa em seu amor por Taflihn e que é preciso que ela sobreviva de qualquer maneira a tudo aquilo. É interessante no final as escolhas contraditórias entre aquele que deseja ficar e se sacrificar corajosamente e o que deseja sobreviver para lutar mais um dia. 

Já Taflihn tem uma narrativa um pouco mais emocional. Sendo uma filha de um nobre, teve uma vida privilegiada. Porém, sofreu diversos abusos nas mãos de Eliatzoh (acho até que o autor deveria retornar a este tema, caso ele continue com a personagem... dá muito mais profundidade ao seu caráter). Temos então uma personagem que foi endurecida com o passar do tempo ao mesmo tempo em que mantém uma casca de menina privilegiada que obtém tudo o que deseja. O romance de Taflihn e Timiah não é muito bem explorado (por falta de espaço mesmo), mas aparentemente me parece ser uma via de mão única. É muito mais Timiah que nutre sentimentos por ela do que o contrário. Para Taflihn me parece ser mais uma conveniência do que um sentimento autêntico. Aos poucos, as camadas da personagem vão sendo reveladas até aquele momento chocante no final. O que, se o leitor tiver captado bem a relação entre eles, não é tão estranho assim.

A Queda de Tragodath é um bom início e me deixou bastante curioso pelo que pode vir nos próximos volumes. Fica também um elogio ao trabalho de revisão e editoração da Hydra que nos entregou uma história redondinha. Não senti problemas de escrita e a revisão está perfeita. É possível ler a história em uma sentada tranquilamente. Recomendo a leitura! 

Ficha Técnica:

Nome: A Queda de Tragodath  Autor: Antônio Vasconcelos II Série: Crônicas de Acheron Editora: Hydra Gênero: Fantasia Número de Páginas: 31 Ano de Publicação: 2018 


Avaliação:

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