• Paulo Vinicius

As Melhores Leituras Literárias de 2020 (por Paulo Vinicius)

Hora das listas! Hora dos top 5! Estou compartilhando as minhas cinco melhores leituras de um ano que nunca foi. Mas, o importante é que algumas destas leituras ficaram no meu coração. E chegou a hora!



O ano que deixamos para trás certamente vai ficar marcado na vida de muitas pessoas. Repleto de tribulações e de reinvenções ninguém saiu ileso a ele. Mesmo aqueles de nós que somos mais reclusos ou que gostamos da prática da leitura sem nos preocupar com trabalho, 2020 mostrou-se ser desafiador. Todos nós tivemos alguma questão a ser resolvida ou problema que precisou atravessar. Eu tive três meses bem difíceis em que eu tinha desistido de muita coisa. Em perspectiva, foi algo necessário para que eu pudesse crescer como pessoa e definir novos objetivos para a vida.


Também foi um ano de leituras intensas e marcantes. E eu queria poder lembrar dessas leituras positivas que iluminaram um ano tão complicado. Hoje iniciamos uma série de matérias compartilhando com vocês nossas melhores leituras do ano. Amanda Barreiro e Diego Araujo também vão trazer suas listas para engrandecer a nossa seleção. E eu trarei também listas posteriores de histórias curtas e quadrinhos.


Atenção: Esta lista não está em nenhuma ordem específica. Apenas peguei na minha lista de leituras.


"Floresta é o Nome do Mundo" de Úrsula K. Le Guin


Ficha Técnica:


Nome: Floresta é o Nome do Mundo

Autora: Ursula K. Le Guin

Editora: Morro Branco

Tradutora: Heci Regina Candiani

Número de Páginas: 160

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: O planeta Athshe era um verdadeiro paraíso, coberto por densas e colossais florestas. Seus habitantes, humanoides com pouco mais de um metro de altura e corpos cobertos por pelos verdes e sedosos, viviam em paz.


Então outros vieram. Muito mais altos e de pele lisa, eles caíram do céu e começaram a desbravar o território ao seu redor, enxergando os nativos como meros animais selvagens. Eles vieram de um mundo em ruínas e superpovoado, faminto por matérias-primas, madeira e grãos: a Terra.

Sem precedentes culturais para tirania, escravidão ou guerra, os nativos encontram-se à mercê de seus novos e brutais colonizadores.

Quando o desespero atinge níveis inimagináveis, uma revolução é inevitável. Cada golpe contra os invasores será um golpe contra sua própria humanidade. Mas os conquistadores alienígenas os ensinaram a odiar.... e não há como voltar atrás.


Comentários: Uma das melhores histórias de ficção científica que eu li no ano passado. E um dos melhores materiais da autora. Aqui neste romance ela demonstra o quanto uma narrativa que se passa em um futuro distante pode ser tão atual. Estamos falando de um livro publicado pela primeira vez em 1969, e que fala de desinformação. Fala de um grupo de indivíduos que acreditam serem superiores aos outros sem grandes argumentos a serem usados. Uma forte crítica ao colonialismo europeu durante o período moderno. Le Guin não alivia nos socos e cria uma narrativa que não tem final feliz, não vai te deixar bem ao final da leitura. Mas, que livro importante para nós. A autora é aquela professora sincera que diz a verdade nua e crua para seus alunos. O livro está aqui não porque eu fiz um trabalho especial em cima dele (que se tudo der certo em breve falaremos mais sobre), mas porque estamos diante de alguém em plenos poderes de sua habilidade narrativa.


"O Gigante Enterrado" de Kazuo Ishiguro


Ficha Técnica:

Nome: O Gigante Enterrado

Autor: Kazuo Ishiguro

Editora: Companhia das Letras

Tradutora: Sônia Moreira

Número de Páginas: 400

Ano de Publicação: 2015


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Sinopse: Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une? Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, O gigante enterrado fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.


Comentários: Tenho vários problemas com o Kazuo Ishiguro e como ele encara a literatura de gênero. Mas, é inegável o seu talento como escritor. Ver como ele desdobra as palavras nas linhas de sua narrativa é como um pintor trabalhando em sua aquarela. O Gigante Enterrado trabalha um tema que me é muito caro: a memória. E em como podemos ter uma história apagada simplesmente por ela não ser mais lembrada. Uma das principais funções de um historiador é resgatar a narrativa deixada por aqueles que vieram antes de nós. Os personagens que fazem parte do livro também possuem um desenvolvimento acima da média. Esse é um daqueles livros para irmos degustando aos poucos, sem se preocupar com prazos ou metas.


"Existe Amor em São Paulo" de H. Pueyo


Ficha Técnica:


Nome: Existe Amor em São Paulo

Autora: H. Pueyo

Editora: Plutão Livros

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 68

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: Planeta Terra chamando!


Depois que os alvejes chegaram à Terra e se estabeleceram entre nós, tudo pareceu mudar para pior. Da medicina à política, os dedos dos "gringos" se estendem por todos os aspectos da vida humana, e Ariel se junta a um grupo de resistência para lutar contra isso — até o momento em que se vê atrás das grades de uma instituição alienígena e descobre que não está sozinho. Existe amor em São Paulo é uma noveleta sobre dor e amor em tempos de caos.


Comentários: Quem acompanha as minhas resenhas, sabe o quanto eu admiro o trabalho da Pueyo. Para mim, é disparada uma das melhores autoras da geração atual. Não consigo encontrar um único conto ou novella dela que eu não goste. O que ela escreve está normalmente bem acima da média do que eu vejo no mercado. Me impressiona a constância e a criatividade dela. Talvez a Pueyo não seja tão conhecida do grande público por ela escrever histórias curtas. É uma especialista nesta arte ao lado do Duda Falcão. Não, você não vai encontrar um romance que ela escreveu. E essa opção serve bem a ela. Dominar a narrativa curta não é para qualquer autor. Aqui eu li uma narrativa dela de ficção científica (normalmente ela escreve realismo mágico) e me emocionei com a história que ela criou. Impossível o leitor não sair tocado ao final da história. Ah, sim! Coloquei o trabalho da Pueyo aqui, embora seja uma novella, porque sim. Porque acho que as pessoas deveriam conhecer o que ela faz. E é uma autora brasileira que é publicada em grandes revistas americanas como a Clarkesworld e a Strange Horizons. Então merece muito da nossa atenção.


Circe, de Madeline Miller


Ficha Técnica:


Nome: Circe

Autora: Madeline Miller

Editora: Planeta Minotauro

Tradutora: Isadora Próspero

Número de Páginas: 369

Ano de Publicação: 2019


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Sinopse: Na casa do grande Hélio, divindade do Sol e o mais poderoso da raça dos titãs, nasce uma menina. Circe é uma garotinha estranha: não parece ter herdado uma fração sequer do enorme poder de seu pai, muito menos da beleza estonteante de sua mãe, a ninfa Perseis.Deslocada entre deuses e seus pares, os titãs, Circe procura companhia no mundo dos homens, onde enfim descobre possuir o poder da feitiçaria, sendo capaz de transformar seus rivais em monstros e de aterrorizar os próprios deuses.Sentindo-se ameaçado, Zeus decide bani-la a uma ilha deserta, onde Circe aprimora suas habilidades de bruxa, domando perigosas feras e cruzando caminho com as mais famosas figuras de toda a mitologia grega: o engenhoso Dédalo e Ícaro, seu filho imprudente, a sanguinária Medeia, o terrível Minotauro e, é claro, Odisseu.E os perigos são muitos para uma mulher condenada a viver sozinha em uma ilha isolada. Sem se dar conta, Circe acaba despertando a ira tanto dos homens quanto dos deuses. Para proteger o que mais ama, Circe deverá usar toda a sua força e decidir, de uma vez por todas, se pertence ao reino dos deuses ou ao dos mortais que ela aprendeu a amar.Personagens vívidos e extremamente cativantes, aliados a uma linguagem fascinante e um suspense de tirar o fôlego, fazem de Circe um triunfo da ficção, um épico repleto de dramas familiares, intrigas palacianas, amor e perda. Acima de tudo, é uma celebração da força indomável de uma mulher em meio a um mundo comandado pelos homens.


Comentários: Mais uma mulher poderosa escrevendo sobre outra. Circe é uma aula de ficção histórica (com muitas pontadas de fantasia) e de desenvolvimento de personagem. Quer saber como criar personagens verossímeis? Aqui está. Madeline Miller nos coloca diante de uma personagem falha, porém virtuosa. Uma mulher em todos os sentidos da palavra. Que precisa provar todos os dias o quanto ela merece o seu lugar. O leitor acompanha essa jornada que possui obstáculos, alegrias, tristezas, reflexões. Ao final teremos crescido ao lado dessa incrível mulher.


"A Sombra do Vento" (O Cemitério dos Livros Esquecidos vol. 1) de Carlos Ruiz Zafón


Ficha Técnica:

Nome: A Sombra do Vento

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Série: O Cemitério dos Livros Esquecidos vol. 1

Editora: Suma

Tradutora: Márcia Ribas

Número de Páginas: 464

Ano de Publicação: 2017 (nova edição)


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Sinopse: Barcelona, 1945. Daniel Sempere acorda na noite de seu aniversário de onze anos e percebe que já não se lembra do rosto da falecida mãe. Para consolá-lo, o pai leva o menino pela primeira vez ao Cemitério dos Livros Esquecidos. É lá que Daniel descobre A sombra do vento, romance escrito por Julián Carax, que logo se torna seu autor favorito, sua obsessão. No entanto, quando começa a buscar outras obras do escritor, Daniel descobre que alguém anda destruindo sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que Carax já publicou, e que o que tem nas mãos pode muito bem ser o último volume sobrevivente. Junto com seu amigo Fermín, Daniel percorre a cidade, adentrando as ruelas e os segredos mais obscuros de Barcelona. Anos se passam e sua investigação inocente se transforma em uma trama de mistério, magia, loucura e assassinato. E o destino de seu autor favorito de repente parece intimamente conectado ao dele.


Comentários: Esse é um daqueles casos clássicos de "por que eu demorei tanto para ler esse livro?". Zafón escreve com uma beleza ímpar entre autores mundiais. Ele pertence a um tipo único de contadores de histórias. A Sombra do Vento é um daqueles livros em que nos envolvemos com os personagens. Suas vidas estão ali e nós somos quase como companheiros deles. Compartilhamos de todos os seus sentimentos. O autor conseguiu extrair a esência do que significa ser um leitor e um escritor. Daniel Sempere é um personagem incrível que eu vou guardar recordações por muitos e muitos anos.






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