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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

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Ted Chiang nos apresenta diversas histórias colocando nossas formas de comunicação e como nos expressamos. Temos uma estudiosa de linguística tentando decifrar um idioma alienígena, um dos construtores da torre de Babel, uma tecnologia que permite com que não vejamos mais a beleza ou a feiura e muitos outros.

Sinopse:


Uma das principais vozes da ficção científica contemporânea pela primeira vez publicada no Brasil.


Um dos autores de mais destaque no cenário da ficção científica, Ted Chiang pode ser descrito como um escritor pouco prolífico: tem apenas quinze trabalhos publicados, entre contos e novelas curtas. A pequena produção contrasta com sua expressiva quantidade de premiações: os oito textos reunidos emHistória da sua vida e outros contos ganharam no total nove importantes prêmios, dentre eles Nebula, Hugo, Locus, Sturgeon, Sidewise e Seiun.

Publicadas originalmente em volumes diversos, as narrativas de Ted Chiang estão pela primeira vez reunidas em uma coletânea. Entre as histórias dotadas de rigor científico, humanidade e lirismo estão “A torre da Babilônia”, na qual um minerador sobe a famosa torre com a missão de escavar a abóbada celeste; “Divisão por zero”, uma reflexão precisa e devastadora sobre o fim da esperança e do amor, e “História da sua vida”, na qual uma linguista aprende um idioma alienígena que modifica sua visão de mundo.


Com uma prosa límpida e ideias às vezes desconcertantes, Chiang comprova seu inegável talento para a boa ficção científica: a capacidade de contar uma história humana, extremamente bem escrita, na qual a ciência funciona como expressão dos questionamentos mais profundos enfrentados pelos personagens. Um livro repleto de ideias originais e passagens inesquecíveis.


Ted Chiang é um dos mais renomados e premiados escritores de ficção científica da atualidade.


O conto que dá título ao livro, “História da sua vida”, foi adaptado para o cinema sob o título A Chegada,numa produção de Denis Villeneuve, estrelada por Amy Adams e Jeremy Renner, e indicada aos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Direção no Festival de Veneza e selecionada como o filme de abertura do Festival do Rio. A Chegada estreia no Brasil em grande circuito em fevereiro de 2017.



É difícil para mim entender uma coletânea como algo muito acima da média. Geralmente em coletâneas, temos histórias que gostamos e outros que não gostamos tanto. São sempre estes altos e baixos. Mas, Ted Chiang conseguiu me surpreender com uma coletânea que de oito contos somente dois não me agradaram tanto. É um percentual muito alto, o que me faz pensar em algo próximo do perfeito. Duvidam? Basta eu colocar para vocês que boa parte destas narrativas poderiam se transformar em filmes muito facilmente. Aliás, o conto que deu origem ao filme A Chegada não teria sido a minha primeira escolha. Isso demonstra a força que os contos desta coletânea possuem.


A comunicação humana


Para fins desta resenha pretendo me focar em apenas três histórias porque considero a exploração dos mesmos pelos leitores um dos principais atrativos da coletânea. E não tem como não começar e não falar do História da Sua Vida. Certamente é o conto que possui mais expectativa por ter sido transformado em filme. E é um conto bastante emocional ao nos contar a história de Louise, uma especialista em linguística que é convocada pelo governo para ajudar a decifrar a linguagem dos heptápodes, alienígenas que fizeram contato com os seres humanos. Acompanhamos sua pesquisa em decifrar formas de compreender uma linguagem tão alienígena e quais os artifícios que ela emprega para alcançar o seu objetivo. O governo deseja estabelecer relações de troca com eles, mas vamos percebendo o quanto vamos esbarrando na mentalidade e nos valores estranhos dos heptápodes.


Ao mesmo tempo, acompanhamos uma narrativa caleidoscópica apresentando momentos da filha de Louise que aparentemente morre aos 25 anos (descobrimos isso na primeira interação). Esses momentos entre mãe e filha são contadas de maneira espaçada, sem uma ordem cronológica específica. Não há muitas relações a serem estabelecidas entre a narrativa de mãe e filha e a narrativa principal. Pelo menos não que eu tenha captado diretamente. A relação que se estabelece vai ser entendida lá pelo final do conto quando percebemos um plot twist danado que chega até o leitor. Me recordo de que quando eu fui juntando as peças, meu queixo caiu, tamanho o choque da revelação. O mais interessante é o fato de a narrativa da mãe ser contada em segunda pessoa, com o leitor sendo referido como a filha da protagonista.

"[...] A facilidade de aprendizado não é a força primária na evolução das línguas. Para heptápodes, a escrita e a fala podem ter papéis culturais ou cognitivos tão diferentes que faça mais sentido usar línguas separadas do que usar formas diferentes da mesma."

O tema que mais me chamou a atenção foi a história de nossas vidas. Ter a capacidade de enxergar o passado e o futuro é algo vedado aos seres humanos. Nossas vidas são tão pequenas diante de uma realidade cósmica tão maior que o fato de conhecer apenas nos faria mal. Não estamos preparados para possuir uma capacidade precognitiva tão potente. Isso porque não aceitamos o nosso lugar no cosmos. Algo que é colocado nestas pequenas inserções de Louise são os breves momentos de uma vida. Todos eles compõem uma rica tapeçaria que nos traz bons e maus momentos. Todos eles são fundamentais para nós e só podemos vivenciá-los uma vez. A vida não é apenas formada de grandes momentos e grandes conquistas. Chiang coloca isso na forma dos valores estranhos dos heptápodes. Eles não se importam com trocas efusivas ou relações comerciais; querem observar e estudar os diversos povos que habitam o universo. Para os seres humanos que se ligam em trocas e valores, eles são hereges e incompreensíveis. Mas, quando cruzamos esta característica deles com a história da filha de Louise, tudo fica mais claro. O final é lindo no sentido de o quanto ele frita o nosso cérebro.

O que é a beleza?


"[...] Um caliagnosíaco percebe rostos perfeitamente bem; ele ou ela pode dizer a diferença entre um queixo pronunciado e um reentrante, um nariz reto e um torto, pele sem marcas e pele manchada. Ele ou ela não experimenta nenhuma reação estética a essas diferenças."

O conto Gostando do que Vê: Um Documentário também me impactou bastante. Nele temos a criação de um dispositivo chamado cali que impediria as pessoas de discernir rostos bonitos e feios. Temos uma espécie de documentário que reporta a implementação da cali em todos os alunos na Universidade de Pembleton. Vemos o esforço da empresa que deseja difundir a cali para buscar apoio nos alunos. Vários alunos são entrevistados e somos colocados diante daqueles que são contra e aqueles que apoiam a iniciativa. Cada um deles argumenta seus motivos para tal. "Especialistas" também são consultados para comentarem sobre quais os impactos éticos e emocionais nas pessoas de não serem capazes de discernir beleza de feiura.


Concomitante temos a narrativa de Tamera que usou cali desde que era criança. Seus pais queriam que ela pudesse estudar em relativa paz e não fosse alvo de julgamentos e brincadeiras maldosas da parte de colegas. Mas, Tamera se revolta contra isso no final de sua adolescência e acaba desativando o equipamento. Vemos a personagem se reajustando a um novo mundo que se abriu para ela, com pessoas belas e feias, precisando lidar com os julgamentos e as recriminações. A personagem divide o seu espaço com outras que ainda permanecem com a cali e a partir disso vemos as diferenças de pontos de vista dela.


Este conto é uma bela discussão sobre os nossos padrões de beleza em vigor na atualidade. E em como determinados benefícios só são obtidos por pessoas privilegiadas. Agora, ao mesmo tempo, retirar completamente isso da pauta também não serve como uma evolução de caráter. Isso porque a superação da avaliação de padrões de beleza vem a partir de um amadurecimento da própria pessoa. É um desenvolvimento que parte de dentro. A forma como Chiang aborda o tema de nenhuma forma é proselitista. Ele não assume um lado, mas quem ler o posfácio vai entender que ele seria favorável a algo assim. O que eu achei que eleva o tom do conto é como ele insere questões como reconhecimento étnico e o interesse da indústria cosmética nas discussões. No primeiro caso, com a cali se tornando responsável por desabilitar o reconhecimento étnico, o que seria uma versão tecnológica de preconceito. No segundo caso, com estas empresas buscando criar obstáculos para a introdução da tecnologia já que isto prejudicaria os seus interesses.

Justiça divina


O Inferno é a Ausência de Deus é outro conto muito importante. Ele faz um debate muito bom sobre se o Deus cristão seria justo ou se a justiça é algo inexorável. Somos colocados diante de Neil Fisk, um homem que busca a justiça de Deus. Ele sofre de um mal que transformou suas pernas em tamanhos desiguais. Algo que se desenvolveu desde a sua gestação. Ele teria perdido sua esposa durante a aparição de um anjo do Senhor. Sua esposa dirigia o carro quando um anjo apareceu e espalhou sua luz divina em todas as pessoas próximas. Ela perde o controle do carro e sofre um acidente fatal. A partir de então incia-se uma busca de Neil em grupos de apoio para entender como tocar sua vida adiante.


Mas, temos também a narrativa de duas outras pessoas: Janice e Ethan. Janice sofreu com problema de paralisia nas pernas desde que ela era pequena. Mesmo assim, ela se sentia abençoada e apresentava a sua história de superação a todos que ela palestrava. Um dia ela é abençoada pelo anjo Barakiel e recupera o movimento das pernas. A partir de então sua mensagem perde o efeito porque ela não consegue mais alcançar as pessoas efetivamente. Seu coração não consegue entender se sua cura é uma recompensa pelos seus esforços ao longo dos anos ou apenas um novo obstáculo a ser superado. Já Ethan nunca foi abençoado. Ele sempre se espelhou nas palavras de pregadores e acabou buscando Janice para ajudá-la em sua jornada por si mesma. Ethan entende que sua missão é o de ser um suporte para ela. Talvez com isso ele seja abençoado por anjos.


Este é um conto que vai despertar sentimentos diferentes no leitor. Como o próprio Chiang aponta nos seus comentários sobre ele, esta é uma história que se associa à narrativa do Livro de Jó. Este é um personagem que tem tudo o que é importante em sua vida retirado por Deus à medida em que ele precisava superar o que ele colocava em seu caminho. No final, ele tem sua família devolvida a ele por Deus, mas somente quando ele não tinha mais nada a ser retirado. Mas, imaginem se essa devolução não tivesse sido feita? O que é a justiça divina? Entendemos que tudo na vida é passível de uma troca. Fazemos boas ações porque desejamos ir para o céu. Se pecamos, recebemos a danação. Mas, e se não existisse isso? E se Deus não tivesse uma lógica por trás de suas ações? O quanto isso afetaria um fiel? Essa é a narrativa de Neil e vamos galgando com ele estes obstáculos até o final. Não é uma narrativa simples porque nada do que vemos é positivo. Não há compaixão. O que essa narrativa nos diz é que acreditamos em uma ilusão sobre fé. Desejamos acreditar nessa troca equivalente porque do contrário perderíamos a bússola em nossas vidas. As páginas finais desse conto são poderosas no sentido de que deixam uma mensagem permanente para os leitores. É um conto que eu recomendo a leitura como uma forma de quebrar paradigmas e repensar valores.

"[...] O entendimento da ausência de Sarah o devastava, e então ele desabava no chão e chorava. Neil ficava em posição fetal, o corpo abalado por fortes soluços, lágrimas e coriza escorrendo por seu rosto, a angústia chegando em ondas cada vez maiores até que era mais do que ele conseguia suportar, mais intensamente do que ele acreditava ser possível."

Ficha Técnica:


Nome: História da sua Vida e Outros Contos

Autor: Ted Chiang

Editora: Intrínseca

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Edmundo Barreiros

Número de Páginas: 368

Ano de Publicação: 2016

Avaliação:


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Contos podem contar eventos inusitados de inúmeros temas, entre esses o de velório, aproveitado em várias perspectivas na antologia Velório Mortais.


Sinopse:


A morte sempre foi uma palavra temida, mas é uma certeza e uma sentença, que a maioria ignora. De fato, quem está preparado para tal desfecho?

Por isso, é com muito pesar que informamos as mortes de alguns personagens nessa antologia. Suas vidas foram ceifadas repentinamente e, nesse momento de dor e compaixão, pedimos que toda solidariedade seja prestada em forma de leitura. Cada sala contém histórias de tirar o fôlego. Portanto, mantenham-se acordados, tragam suas flores, acendam suas velas e se preparem para os Velórios Mortais.




Velório: a situação de prestar o último respeito ao falecido antes de o corpo descansar pela eternidade. Faz parte de muitas culturas, embora cada pessoa tenha reações diferentes ao longo da ocasião. Uns reservados, outros em prantos sobre o caixão, solícitos a qualquer prece sugerida, ou restritos apenas a acompanhar o último momento junto da pessoa. Há ainda as palavras jamais ditas em um funeral, com as segundas intenções mascaradas; e também existe o medo a imaginar terrores verdadeiros numa mente transtornada pela ocasião. Essas e outras situações foram aproveitadas em Velórios Mortais. Lançado em 2019 por Ana Macena, a antologia reúne dezessete contos diversos sob o tema de velório. A seguir temos a análise dos contos de destaque na antologia, depois alguns comentários sobre a antologia em si.


1 - "Posthuman" de Igor Paiva


Ficha Técnica:


Nome: Posthuman Avaliação:

Autor: Igor Paiva



Eusébio trabalha no IML (Instituto Médico Legal). Mantém a rotina aterrorizante de examinar os mortos, manipular o corpo e observar os ferimentos até concluir a causa da morte. Seria tudo dentro da rotina, exceto encontrar o morto encarando-o de volta, berrando e perseguindo-o... Depois disso enfrenta uma situação, esta sendo ambígua quanto a clareza de ele a considerar desconhecida ou inaceitável.


"A verdade é que o mistério não está na morte, mas na vida."

O conto demonstra segurança em abordar procedimentos de um médico legista, descreve a ação do profissional e vai além, explorando as percepções técnicas do cadáver, descrevendo aspectos comuns vistos na rotina de trabalho antes de provocar o incomum. E por isso impacta, ao deixar o leitor confortável com a operação do profissional, perturbando-o com o cadáver reagindo, através da descrição do imprevisto, sem falar da surpresa reservada no final, responsável por revelar muito sobre o protagonista do conto.


O texto poderia ser melhorado de forma a aprimorar a experiência de leitura. Ao empregar alguns termos formais desnecessários, bem como conectivos entre frases em vez de deixá-las fluidas. A pontuação de vírgula fica irregular, em posições a moldar o ritmo do texto conforme a vontade do autor, mas tal imposição atrapalha o ritmo natural da leitura.


2 - "Honra ao Mérito" de Flávio Karras


Ficha Técnica:


Nome: Honra ao Mérito Avaliação:

Autor: Flávio Karras



Humberto é o único irmão vivo entre os três batizados com "Berto" ao fim do nome. O Berto desta história trabalha como coveiro. Orgulhoso da profissão, se diverte com as histórias conhecidas sobre o falecido até entregar o cadáver ao repouso subterrâneo. Porém o orgulho exclusivo dos irmãos o incomoda. Entre médico e servidor público, ninguém dá atenção ao Berto coveiro, mesmo depois dos irmãos estarem mortos, e ele buscará o prestígio igual os dois, não importa a maneira.

"Deve ser impressão sua. Todo mundo morre toda hora."

Nada de sobrenatural e de pouco terror, o protagonista é alguém ordinário com ambição, o conflito é imposto para motivar as ações mais inusitadas. Berto é um personagem ambientado com pessoas como ele, brasileiros dispostos a fazer de tudo para satisfazer o ego. Pouco importa seu empenho, honesto ou trapaceiro, há quem tem melhores condições de ir além, trazendo a ironia dramática ao desfecho de Humberto.


3 - "Sorte Grande" de Flávia Souza


Ficha Técnica:


Nome: Sorte Grande Avaliação:

Autora: Flávia Souza



O velório deste conto tem ritmo de festa. Jamile comemora o falecimento do esposo Fernando junto ao amante Cadu no cemitério onde ocorre o velório. Sofrendo abusos do marido a vida toda, Jamile fica viúva logo quando Fernando teve a sorte de encontrar um bilhete premiado. A empolgação enaltece o tesão do casal em segredo, embora a ambição revele a verdadeira intenção dos dois.


"Mas a felicidade do casal em chamas não dava para ser velada."

Os contos da coletânea compartilham do tema velório, e mesmo assim há histórias destacadas por fugir do gênero esperado desta ambientação. Este aborda passagens sensuais do casal amante enquanto explora as ambições ocultas de cada um enquanto incita o conflito do conto. Há frases em excesso no texto, tirá-las não ia prejudicar sua fluidez e inclusive melhoraria o ritmo da leitura. Faltou pontuar algumas vírgulas durante os diálogos na provável intenção de demonstrar que os personagens diziam a frase de uma vez, porém faz falta ao ler a transcrição do diálogo.



4 - "Um Dia, Um Adeus" de Bárbara Queiroz


Ficha Técnica:


Nome: Um Dia, Um Adeus Avaliação:

Autora: Bárbara Queiroz



May está no funeral de sua irmã. Local cheio, com a presença inclusive do motorista responsável pelo acidente fatal, acompanhado da mãe ingênua a tentar pedir perdão pelos erros do filho. Uma senhora de vestes negras ao estilo vitoriano anda pelo velório, Maya observa, curiosa por este primeiro detalhe de muitos a anteceder a tragédia ainda a ser descoberta por ela.

"Mas ninguém acredita que isso possa acontecer com si próprio."

Narrado pela própria May, ela consegue transmitir a tristeza do ambiente através das palavras enquanto avança na narrativa. Descreve os gestos e demonstra as palavras ditas, ambos limitados sob a força do luto e o constrangimento de ainda ver o responsável pela morte também presente. E isso é ainda o começo, a angústia avança com os acontecimentos estranhos aos olhos de May, inconsciente da verdadeira situação. A narradora nos leva à realidade dela até o desfecho nos revelar a história real daquela personagem. O fim surpreende de novo por entregar algo diferente da tristeza onipresente desde o começo. Faltou escolher melhor certas palavras para as frases causarem impacto, e a cena em flashback poderia ser reduzida sem prejudicar a eficiência do objetivo à trama.


5 - "Culpado" de Soraya Abuchaim


Ficha Técnica:


Nome: Culpado Avaliação:

Autora: Soraya Abuchaim



Este outro velório tem caixão pequeno, tamanho ideal a adequar Pedro, o garoto de cinco anos, de cabeça estourada por rifle. A mãe Cláudia acusa o pai George pela morte, por ele deixar o garoto poucos minutos sozinho, o suficiente para acontecer a catástrofe. O luto ressoa na atmosfera e contamina sentimentos ruins entre os presentes. Além de tristeza, existem ideias acobertadas pela hipocrisia ou ingratidão, de pessoas agradecendo não estar no lugar dessa família. Passando a introdução, vem o evento causado pela maior hipocrisia de toda aquela tragédia, pronta a ser confessada.


"Ouvia-se aqui e ali as frases clichês de tragédias inexplicáveis."

A narrativa começa na ambientação envolta de Pedro, encaminhando o foco até alcançar George, descrevendo o restante do conto a partir da concepção dele. A autora explora o ambiente a partir dos pensamentos dos presentes, desmascarando as mentes incapazes de esconder as verdadeiras intenções de quem faz o mesmo jogo, o de manter os bons costumes.

O terror aparece semelhante a muitos outros contos desta antologia, e ainda merece destaque pela qualidade visceral das descrições de Soraya. A narrativa pinta o sangue escorrendo em cena, nítido em cada parte do corpo ou cômodo por onde passa; sem falar dos movimentos abruptos, feitos ao dilacerar os personagens. Os parágrafos são breves, algo difícil de conduzir com um bom ritmo de leitura, e a autora consegue, refletindo a cena dilacerante na composição dos parágrafos. Ainda oferece mais, trazendo a cena do passado já contado no início do conto, com poucas informações inéditas relevantes. Tudo proposital, para gerar o suspense à cena que o leitor está fadado a ler por estar preso a ótima narrativa.


6 - "A Última Sonata" de Lenmarck Andrade


Ficha Técnica:


Nome: A Última Sonata Avaliação:

Autor: Lenmarck Andrade



Trata do enterro do músico aclamado e chamado apenas de O Pianista, falecido antes de concluir a obra-prima em sonata. Todos estão vestidos a caráter, ou seja, de preto; exceto o amigo Téo com o traje vermelho. Isolado, Téo observa o funeral do amigo, com os demais presentes dispostos a oferecer a última companhia ao Pianista antes do eterno descanso. Mas, o som surge, as batidas na madeira assustam Téo até ele descobrir de onde o som vinha, e depois só piora.


O ninho da loucura se forma pelo trançado de deturpados gravetos.”

O conto começa com um narrador debochado, descrevendo um comportamento ambiental a princípio alheio da história, com a promessa de fazer sentido em algum momento, por fazer parte da história sobre O Pianista morto depois de dar a última nota, um som que o narrador mal se recorda. Desse ponto em diante a narrativa segue confiante, mostrando o funeral na perspectiva do amigo Téo, a princípio passivo no cenário, até tocar o piano do falecido e ganhar a atenção de todos. O sobrenatural acontece sob mistério, deixando livre ao leitor deduzir a resposta enquanto a história prossegue rumo a um desfecho honesto com a proposta do narrador desde o princípio.



Da antologia em si


Antes de comentar a respeito de toda a antologia, melhor explicar o motivo de dedicar análises a determinados contos. É porque esses tiveram qualidades positivas a comentar, com bons motivos para dar a oportunidade de conferir os textos. Difícil afirmar o mesmo sobre os demais, onde os pontos positivos falham em superar os incômodos percebidos ao longo da leitura. Sem diminuir o esforço desses autores, pois alguns ainda poderiam impressionar caso o trabalho de edição desse o devido cuidado e entregasse o melhor de cada conto na versão final.


Alguns textos passam longe de exercer a escrita criativa, soam mais como relatórios sobre as pessoas das histórias. Nenhum escritor é obrigado a seguir a narrativa show, don’t tell, mesmo assim precisa entregar algo relevante ao leitor por meio do envolvimento com os personagens. Na prática alguns contos pareceram noticiários limitados a narrar fatos.


A falta de capricho na edição remete a muitas questões que deixaram de ser polidas nos contos publicados. Desde os erros de ortografia e pontuação, sem limitar-se a isso. Muitos adjetivos, frequentes em quase todos os parágrafos em determinados contos, são descartáveis; nada dizem a respeito daquela cena e ainda diminui a qualidade do texto, o objetivo do escritor é entregar a história em vez de enchê-la de atributos. Falta confiança em deixar o leitor assimilar a informação por si, e com isso a repete por vários parágrafos, a torna redundante ao descrever o que o personagem já deixou claro na fala do diálogo. E há frases desnecessárias. O conto precisa ser conciso, cada fragmento do texto deve conduzir o leitor ao objetivo do autor com aquela história, e cada frase que o desvia do impacto planejado prejudica a obra quanto a característica do gênero conto.


Tem ainda a questão de eleger o texto adequado a fazer parte do livro. Trabalhar com critérios mais rigorosos na seleção dos participantes ajudaria a dar reconhecimento positivo aos autores, pois os previne de lançarem textos abaixo do nível esperado pelos leitores. Faz parte da carreira de todo escritor reconhecer fracassos ao tentar publicar numa seleção e assim ter mais experiência na próxima, e também evita prejudicar autores experientes e competentes em antologias cujo nível de qualidade oscila muito entre os textos.


Velórios Mortais possui alguns contos ótimos de conferir, criativos na ambientação proposta na antologia. A edição deixa a desejar ao dispor de boa quantidade em autores, esses oscilando em qualidade sob a falta do devido preparo entre os envolvidos na elaboração do livro.









Ficha Técnica:


Nome: Velórios Mortais

Organizado por Ana Macena

Autores: Igor Paiva, Márcio Cardoso Pacheco, Flávio Karras, Rafael Santos, Vitor Silos, Flávia Souza, Jaques Rodrigo Valadares, Babi Lacerda, Priscila T. Therese, Soraya Abuchaim, Nathália Scotuzzi, Hedjan C.S., Wellington Budim, Lenmarck Andrade, Mauro A. Souza, Landerson Rodrigues, Patrícia D’Oliveira, Tito Prates (prefácio)

Editora: Autopublicado

Número de Páginas: 173

Ano de Publicação: 2019


Link de compra:

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Este é um mês um pouco minguado de lançamentos interessantes de literatura de gênero ou de quadrinhos. Mesmo assim, temos alguns que certamente vão despertar o seu interesse como um título de Alberto Breccia saindo pela Figura, uma coletânea de histórias de samurais e zumbis pela Draco e o Nathan Never!



Financiamentos de Quadrinhos:


"Shogum dos Mortos - As Sete Faces do Horror" de Daniel Werneck


Ficha Técnica:


Nome: Shogum dos Mortos - As Sete Faces do Horror

Autor: Daniel Werneck

Artistas: Breno Fonseca, Dattan Monteiro Porto, H'D Rodrigues, Danilo Dias, Heitor Amatsu, Kazuo Miyahara e Hilton P. Rocha

Editora: Draco

Número de Páginas: 168

Prazo da Campanha: 17/04

Previsão de Entrega: junho de 2020


Link da campanha







Sinopse: Uma terrível maldição aprisionou grandes guerreiros samurais entre o mundo dos vivos e dos mortos! Em meio à inevitável putrefação, esses homens e mulheres descobriram que, mesmo em condições cadavéricas, a consciência não abandonou seus corpos... Exceto por um shogum com ambições inesgotáveis que o tornaram um ser maligno antes mesmo de ser um zumbi!


Recompensas:



Principais Formas de Apoio:


1) HQ + Marcador + Postal: R$47,00


- Quadrinho Shogum dos Mortos

- Cartão Postal

- Marcador de Páginas

- Cupom de 20% de desconto em compras no site

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete grátis


2) HQ + Bookplate + Marcador + Postal: R$60,00


- Quadrinho Shogum dos Mortos

- Bookplate autografado

- Cartão Postal

- Marcador de Páginas

- Cupom de 20% de desconto em compras no site

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete grátis



"Informe sobre Cegos" de Alberto Breccia e Ernesto Sabato


Ficha Técnica:


Nome: Informe sobre Cegos

Autor: Alberto Breccia

Baseado na obra Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sabato

Editora: Figura Editora

Tradutor: Rodrigo Rosa

Número de Páginas: 64

Prazo da Campanha: 10/04

Previsão de Entrega: Maio de 2020


Link da campanha








Sinopse: INFORME SOBRE CEGOS marca o encontro de dois dos maiores criadores da cultura latino-americana: Alberto Breccia, o gênio uruguaio, um dos grandes autores da história dos quadrinhos, e Ernesto Sabato, grande nome da internacionalmente aclamada literatura argentina.


Ao adaptar um fragmento da mais célebre obra de Sabato, Sobre heróis e tumbas, Breccia nos apresenta um de seus trabalhos mais radicais, em que usa colagens, pinturas e um intrincado jogo de composições expressionistas para narrar a jornada obsessiva de um homem descendo rumo ao seu inferno particular.


Fernando Vidal Olmos, protagonista deste relato, está convencido de que os cegos se reúnem em uma sociedade secreta nos subterrâneos de Buenos Aires, e de lá planejam o domínio do mundo.


Recompensas:



Principais Formas de Apoio:


1 - Informe sobre Cegos: R$39,00


- Livro Informe sobre Cegos

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


2 - Informe sobre Cegos + Pôster: R$54,00


- Livro Informe sobre Cegos

- Poster A3 entre duas opções

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


3 - Informe sobre Cegos + 2 posteres: R$67,00


- Livro Informe sobre Cegos

- 2 Posteres A3

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


4 - Informe sobre Cegos + cadernos moleskine: R$59,00


- Livro Informe sobre Cegos

- Caderno estilo moleskine (9 x 14cm) com arte de Breccia impressa em serigrafia

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


5 - Informe sobre Cegos + cadernos moleskine + poster A3: R$74,00


- Livro Informe sobre Cegos

- Caderno estilo moleskine (9 x 14cm) com arte de Breccia impressa em serigrafia

- 1 poster A3 a escolher entre duas opções

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


6 - Informe sobre Cegos + cadernos moleskine + 2 posteres A3: R$87,00


- Livro Informe sobre Cegos

- Caderno estilo moleskine (9 x 14cm) com arte de Breccia impressa em serigrafia

- 2 posteres A3

- Marcador de Páginas

- Seu nome nos agradecimentos

- Frete fixo de R$13,00 adicionado ao final da compra


"Nathan Never vol. 1" de Michelle Medda, Antonio Serra e Bepi Vigna


Ficha Técnica:


Nome: Nathan Never vol. 1

Autores: Michelle Medda, Antonio Serra e Bepi Vigna

Editora: Graphite Editora

Tradutor: Paulo Guanaes

Número de Páginas: 336

Prazo da campanha: não informado

Previsão de entrega: junho de 2020


Link de compra









Sinopse: Nascido na cidade de Gadalas, Nathan Never ficou órfão por causa da Yakuza. No fim da adolescência, se alistou na Infantaria Espacial (uma alusão a Tropas Estelares, clássico da literatura sci-fi de Robert Henlein). Durante esta época, conheceu sua esposa, Laura Lorring. Após completar o seu tempo de serviço militar, retornou à Terra, entrando para a polícia. Sua filha Ann nasceu um ano depois.


Como sargento, Nathan Never se destacou em sua unidade policial. Porém, obcecado pelo trabalho, se tornou nervoso e egoísta. Com o casamento em crise e em meio a várias brigas e discussões, Nathan iniciou uma relação extraconjugal com a Sarah McBain, uma procuradora distrital. Em um dos encontros com a amante, Nathan recebe a notícia de que sua esposa foi assassinada pelo criminoso Ned Mace, que fez sua filha refém. Meses depois, Ann é libertada, mas, devido ao choque de ter testemunhado a morte da mãe, fica alterada mentalmente, sendo internada no sanatório Sinclair.


Sentindo-se culpado por ter estado ausente quando sua família mais precisou dele, Nathan se refugia na estação orbital Tersicore, onde se dedica a aprender a arte marcial Jeet Kune Do (estilo criado por Bruce Lee), tornando-se um mestre shaolin. Alguns anos depois, Edward Reiser, um empresário, propõe a ele que faça parte de sua agência de segurança, a Agência Alfa. Nathan apenas aceita o convite, pois precisa pagar o tratamento de Ann.


No entanto, Nathan não é mais o mesmo homem. Triste e sozinho, quando não está absorto em suas investigações, se distrai com seus livros e discos antigos que, por alguma razão, adora colecionar.


Recompensas:


Principais Formas de Apoio:


1 - Agente Especial Alfa: R$40,00


- edição impressa de Nathan Never

- marcador de páginas

- frete calculado ao final da compra


2 - Nathan Classic Cover: R$45,00


- edição impressa de Nathan Never

- 2 marcadores de páginas

- card pack com as capas originais do Nathan Never

- frete calculado ao final da compra


3 - Nathan Classic Cover 2: R$50,00


- edição impressa de Nathan Never

- 2 marcadores de páginas

- card pack com as capas originais do Nathan Never

- card pack com as capas originais do Brad Barron

- frete calculado ao final da compra


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