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Sophie Hatter é a irmã mais velha em uma família que herdou uma chapelaria. Um dia, Sophie se desentende com a Bruxa das Terras Desoladas e é amaldiçoada por ela. Somente o poderoso feiticeiro Howl pode desfazer tal feitiço. Mas, Sophie irá descobrir que isso será mais difícil do que parece.




Sinopse: Surpresas podem se esconder sob uma cara de mau, um rosto enrugado ou um castelo encantado... Certo dia, enquanto trabalhava entediada na chapelaria da família, a jovem Sophie é surpreendida pela perversa Bruxa das Terras Desoladas. Por motivos que ela desconhece, a Bruxa a transforma numa velha de 90 anos, e Sophie não vê outra saída senão fugir para evitar a dor de não ser reconhecida por suas irmãs. Vagando sem rumo, a “jovem senhora” acaba na porta dos fundos do castelo do terrível Mago Howl, conhecido por devorar o coração das moças do povoado. Assim começa a mágica aventura de O castelo animado. Sophie, Howl, Calcifer e todos os personagens desta história estão prontos para mostrar que é possível encontrar humanidade e compaixão dentro de cada um.




Entre as conversas de fãs de fantasia sempre surge a pergunta "De onde se inspiraram os livros de fantasia?". E a resposta é sempre a mesma, relacionando-os aos contos de fada. Mas, as obras de fantasia dos dias de hoje estão muito distantes de suas origens, tendo adotado características próprias. Algumas são épicos de ação enquanto outras adotam particularidades únicas se focando em algum discurso desejado pelo autor. O Castelo Animado é uma obra que retoma essa proximidade com os contos de fada.

Sophie Hatter é a mais velha em uma família de três irmãs. Sophie e Lettie são filhas de outro casamento enquanto Martha, a mais nova é filha de Fanny. A família Hatter herdou um negócio de chapeus de seu pai, porém Fanny não se interessa muito pelo negócio. Após alguns fracassos no comércio, Fanny decide tirar as filhas do colégio e enviá-las para que estas sejam tutoradas por amigo e conhecidos da família. Lettie é enviada para a Senhora Fairfax onde esta poderá aprender a ser uma feiticeira e quem sabe conseguir um bom marido graças aos contatos da Sra. Fairfax. Já Martha é enviada para a confeitaria Cesari onde poderá aprender uma profissão e conseguir um emprego honesto sendo uma aprendiz. Já Sophie, por ser a mais velha, fica com Fanny cuidando da loja de chapeus. Sophie sempre foi a mais responsável e obediente da família, diferente da revoltada Lettie e da sonhadora Martha. Sophie consegue se destacar na chapelaria criando chapeus diferentes que são apreciados por seus consumidores. Mas, quando a Bruxa das Terras Desoladas vai até a chapelaria, Sophie se desentende com ela e a bruxa transforma Sophie em uma velha. Assustada, Sophie foge de casa e vai se refugiar no estranho castelo do Bruxo Howl que diz ser um lugar que se move. Ao entrar no castelo, Sophie conhece Calcifer, um demônio do fogo que faz um acordo com ela: se ela conseguir desfazer o feitiço posto por Howl nele, o demônio jurou desfazer o feitiço de envelhecimento. E será a partir daí que Sophie irá passar a viver no castelo para tentar aprender a desfazer o feitiço posto em Calcifer.

A história entende a magia como algo natural nesse mundo. Me faz pensar no realismo mágico tão típico da literatura sul-americana. No realismo mágico, as histórias são baseadas em fatos do cotidiano com a exceção de algum elemento de magia ou do fantástico que tornam a história fantasiosa. Aqui o leitor rapidamente percebe que as pessoas deste mundo lidam com naturalidade com a habilidade de Howl ou da Bruxa de se transformar ou de enfeitiçar alguém. Aliás, a ideia de um castelo capaz de se mover também é normal. Quando Sophie é enfeitiçada, ela se assusta em um primeiro momento, mas depois rapidamente entende o que lhe aconteceu. E que seria necessário pedir ajuda a outro bruxo.




Esta é uma história sobre responsabilidades. Sophie é uma pessoa tão responsável que ela vê com naturalidade o fato de ser submissa. Para ela não existe outra vida. Ela não pensa em si mesma. Quando ela foi designada para a chapelaria, ela entendeu que essa era a obrigação dela por ser a mais velha. Ela não realizou que Fanny poderia estar explorando-a e sua habilidade para confeccionar chapéus. Tanto é que quando Sophie desaparece, Fanny vende o negócio porque não compreende os meandros dele. O encontro entre Sophie e Howl é um choque porque Howl é o completo oposto de Sophie. Howl é uma pessoa egoísta e um total mulherengo. Para Sophie, o fato de Howl gostar de paquerar as mulheres apenas por causa do jogo da admiração é um absurdo. Em nenhum momento, Sophie parou para pensar que poderia haver um motivo maior.

Aliás, este é outro tema presente em O Castelo Animado. Por ser uma menina muito certinha, Sophie julga o caráter dos outros muito rapidamente. Em determinado momento da história, Howl acusa Sophie de agir sem pensar. E isso vai muito dessa característica de Sophie de julgar pela capa. Posteriormente, o leitor percebe que as motivações de Howl vão muito além. Aos poucos vamos compreendendo a história de Howl e sua família no País de Gales, sua relação com a bruxa e seu interesse repentino pela própria Sophie. Calcifer dá algumas pistas ao longo da história, mas Sophie, cega com seus julgamentos, não é capaz de perceber.



A escrita de Diana Wynne Jones é muito gostosa. É um livro, de certa forma ingênuo, porém existe uma profundidade em suas linhas que tornam o enredo mais reflexivo. Mesmo voltado para um público mais jovem, ele possui mensagens para os adultos. Eu fui surpreendido agradavelmente pela obra, apesar de ela não ter me parecido muito marcante. Achei que Diana Wynne Jones trabalhou muito no caráter de Sophie e deixou para se focar apenas no final nos demais personagens. A descrição da personalidade de Howl acabou sendo corrida. Achei até que a autora acabou enrolando muito antes de realmente começar a história. Fiquei preocupado a partir da metade final do livro porque não sabia qual era o objetivo último da história. O embate entre Howl e a Bruxa só se delineia bem no final quando este é iminente.

A ambientação também ficou um pouco de lado. A maior parte das cenas se passam no castelo de Howl. A autora poderia ter explorado mais o seu universo literário. Por exemplo, o rei não me pareceu tão importante assim. O impacto de Howl se tornar um mago real não me soou tão impactante assim porque eu não era capaz de perceber qual era a diferença agora. Para Howl ser obrigado a procurar o príncipe Justin não precisava ele se tornar um mago real, bastava o rei obrigar o mago a fazê-lo.

O Castelo Animado foi uma leitura rápida e interessante que me surpreendeu. Os personagens não são tão memoráveis assim, mas o ritmo da história é rápido e dinâmico. Quando você menos espera, a história chega em seu ápice. Este é um livro que se tornou uma animação do Studio Ghibli que pretendo resenhar também. Quem tiver a curiosidade, busquem na seção do Sudio Ghibli.




Ficha Técnica:


Nome: O Castelo Animado

Autora: Diana Wynne Jones

Série: Howl's Moving Castle vol. 1

Editora: Galera Record

Gênero: Fantasia

Tradutora: Raquel Zampil

Número de Páginas: 320

Ano de Publicação: 2007


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  • Paulo Vinicius

Tendo assumido a chapelaria de seus pais, Sophie precisa lidar com a responsabilidade de cuidar de suas irmãs. Sem muitas perspectivas na vida, ela está inquieta. Um dia, Sophie discute com uma bruxa que a amaldiçoa, transformando-a em uma velha. Ela agora precisa da ajuda do misterioso mago Howl para reverter o feitiço.

Sinopse:


Sophie é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Howl, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sophie uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sophie foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Howl. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.




Toda vez que eu vejo uma adaptação cinematográfica de alguma obra literária eu fico preocupado. Sempre existe alguma polêmica envolvendo adaptações. Seja uma adaptação que segue ao pé da letra e o ritmo fica ruim ou uma adaptação que se permite muitas liberdades e acaba desviando-se completamente de sua origem. O Castelo Animado está no último caso. Talvez teria me feito bem não ter lido o romance antes de ver a animação. Possivelmente eu teria curtido mais. Para a próxima animação Os Contos de Terramar, não lerei antes de assistir à animação.

Sophie é a mais velha de suas irmãs e uma menina sem muita perspectiva na vida. Tenso assumido a chapelaria, ela se vê presa a tarefas que ela não gostaria enquanto Lettie, sua irmã caçula trabalha naquilo que gosta. Um dia, pouco antes de fechar a loja, uma estranha senhora entra na chapelaria. Depois de uma rápida discussão, a velha que se identifica como a Bruxa do Nada, amaldiçoa Sophie transformando-a em uma velha. Assustada, Sophie sai de casa e procura ajuda no castelo do famoso e infame feiticeiro Howl. Chegando ao castelo, ela faz um acordo com o demônio de estimação de Howl, o fogo-fátuo Calcifer. Este concorda em libertar Sophie se ela conseguir libertá-lo de Howl. O que começa como uma estadia de uma noite no estranho castelo, acaba se estendendo indefinidamente. Sophie, Calcifer, Howl e Markl irão desenvolver um estranho companheirismo que fará com que eles se tornem uma família. Mas, Howl possui um estranho passado que o aterroriza e uma mestra que quer levá-lo para combater suas guerras. A Mestra Suliman não descansará enquanto não conseguir trazer Howl até seu castelo.

Sem dúvida alguma conseguimos perceber o quanto a animação do estúdio evoluiu ao longo de sua história. Possivelmente O Castelo Animado é o ápice em técnicas de animação mesclando cenários 2D e 3D. A própria construção do castelo de Howl é muito detalhada. Seu aspecto caótico transparece em elementos colados aqui e ali que tornam o castelo uma obra de arte. Se o espectador prestar atenção, vai perceber que o próprio castelo muda de forma várias vezes ao longo do filme, simulando o comportamento caótico de seu criador. A cidade também é bem construída com vários personagens distintos dividindo o cenário. Em outras animações a construção física e facial dos personagens costuma ser igual, mas aqui vemos elementos distintos compartilhando o mesmo espaço: pessoas altas, baixas, com roupas comuns, estranhas. A trilha sonora também é muito boa e competente, se adequando às situações. Parte dela é sinfônica como já se tornou quase tradicional para o estúdio. Joe Hisaishi foi novamente responsável pela trilha sonora, captando a essência dos cenários europeus da animação.

A temática principal da história de Diana Wynne Jones e transportada para a animação é o comodismo de Sophie. Sendo a primogênita, Sophie herdaria a ocupação dos pais, cuidando da chapelaria. Nunca passou pela cabeça de Sophie lutar por aquilo que ela gostaria. Entretanto, ela sempre reclama de sua vida ser ruim e medíocre e que ela gostaria de fazer mais. No início da história, o próprio comportamento de Sophie é o de uma velha. O feitiço da Bruxa do nada apenas ressaltou essas características na personagem. E, diferentemente de Lettie, a beleza de Sophie é apenas mundana, fazendo com que sua auto-estima fosse baixa. A protagonista também não entende no começo que a beleza muitas vezes vem de seu próprio interior. O contato dela com Howl faz com que ela seja obrigada a mudar a sua maneira de pensar. Aos poucos ela vai se encantando com o charme e a personalidade do jovem mago e ela passa a desejar que ele a queira. Isso provoca uma mudança sensível na personagem que mais para o final da história passa a lutar por aquilo que ela quer.

Entretanto, Miyazaki, sensibilizado com a guerra no Iraque, acaba enxertando uma temática ainda maior na animação: a do pacifismo. Howl vem de uma outra realidade onde as guerras são endêmicas e ele próprio é um instrumento de guerra. Mas, desejando parar com as guerras, Howl decide se esconder junto com Calcifer em seu castelo que se move quando ele deseja. Quando ele encontra Sophie, seus algozes conseguem rastreá-lo e ele acaba trazendo a guerra para junto de casa. Sua mestra Suliman também quer o poder de Howl porque este poderia fazer uma diferença a seu favor no conflito. A luta de Howl é pelo fim das guerras e possivelmente será no amor que Sophie sente por ele é que haverá a possibilidade para isso. Howl também precisará parar de fugir para que dessa forma ele seja capaz de encarar os seus problemas.

A animação é cercada de muita magia, algo típico na concepção de Miyazaki. Visualmente O Castelo Animado é lindo, cercado por uma ambientação baseada em ambientes franceses e vitorianos. Miyazaki foi até a França estudar a arquitetura de casas antigas para compor o cenário da animação. Algumas cenas no início da animação, me fizeram lembrar de Porco Rosso como os canais que simulam a Itália do protagonista daquela animação. A paixão por aviação de guerra transparece em O Castelo Animado com algumas boas cenas em que Howl combate alguns estranhos aviões que estão bombardeando a cidade.


O que realmente me incomodou é como Miyazaki alterou a história de Diana Wynne Jones. Isso poderia não impactar nada na construção do enredo se fosse feito corretamente, mas acabou impactando de forma negativa. Na história, Sophie e Howl discutem muita e sua relação de amor acaba surgindo principalmente a partir de suas diferenças. Howl é um mulherengo que gosta da arte da paquera e se cansa quando a conquista é realizada. O mago também não é nenhuma ave biomecânica como é na animação de Miyazaki. A história é mais focada na própria jornada de crescimento da protagonista que acaba descobrindo ser também uma feiticeira. Michael (chamado Markl na animação) é um aprendiz de Howl e é apaixonado por Lettie, irmã de Sophie. A própria antagonista da história é diferente, sendo a Bruxa do Nada a vilã da história. Existem várias outras mudanças feitas e a animação parece ter primado muito mais em sua técnica do que no desenvolvimento da história.

Com as mudanças feitas por Miyazaki, a história acabou sendo afetada. Alguns elementos de enredo ficam deslocados como a família de Sophie, que é parte importante para a construção da personagem. Eu sei que Sophie herda a chapelaria porque li o livro... na animação não é feita nenhuma menção a isso. O passado de Howl, criado por Miyazaki para dar um gosto exótico à história é mal explicado. Não entendi bem a existência daquele mundo de Howl: o que acontece ali? Como impacta na formação de Howl? E Suliman também acaba sendo empurrada na história como um elemento extra. Ela seria uma espécie de conselheira do rei, mas ela age como a própria governante do reino. Novamente é um elemento que soa muito estranhamente. Enfim, eu achei a construção do enredo muito caótica. Miyazaki tinha várias boas ideias, mas acredito que ele quis apresentar tudo ao mesmo tempo, o que prejudicou o desenvolvimento do enredo. A história na qual ele se baseou é riquíssima e poderia ter sido melhor adaptada já que ela permite isso. A autora confessou não ter feito parte em nenhuma das etapas do processo de criação e que apoiou a boa repercussão da animação.

O Castelo Animado teve uma excelente recepção no mercado japonês e ainda maior no internacional. Foi a segunda animação do Ghibli a ser indicada a um Oscar, apesar de não tê-lo vencido. Em números, foi o que deu o melhor retorno ao estúdio. Também concorreu a outras premiações tendo vencido algumas como as do Tokyo Anime Fair e a do Venice Film Festival. Também recebeu críticas muito positivas de alguns jornais internacionais como o Los Angeles Times, o The Chicago Tribune e o The Baltimore Sun.

O Castelo Animado é uma boa e divertida história. Entretanto, as falhas no enredo acabam atrapalhando uma diversão maior por parte do espectador. Contribuiu ainda mais para a minha recepção negativa o fato de eu ter lido e apreciado o romance de Diana Wynne Jones. Mas, como sempre, eu recomendo muito a história para todas as idades, sem restrições. Mesmo as partes de ação não são violentas, o que é uma marca do estúdio.

Ficha Técnica:


Nome: O Castelo Animado

Diretor: Hayao Miyazaki

Produtor: Toshio Suzuki

Roteirista: Hayao Miyazaki

Estúdio: Studio Ghibli

País de Origem: Japão

Tempo de Duração: 119 min

Ano de Lançamento: 2004


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Depois de muito treinamento e expectativa, chegou a hora na vida de Pug e Thomas em que suas vidas precisam tomar um rumo. Hora de serem escolhidos ou não para a vida de cavaleiro. Esta mudança trará consigo alegrias e tristezas e o principal: crescimento.



Sinopse: Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro Destemido a serviço do rei. Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos se altera para sempre.  Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa, mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia… ou morrer.  Dividida em quatro livros, A Saga do Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos.





Muitas pessoas falam em destino. Que nossas vidas são traçadas por este fio invisível que é capaz de guiar as nossas vidas. Eu não acredito nisso. Somos quem somos por conta de nosso próprio esforço e ações diárias. Só vencemos porque buscamos com afinco um determinado objetivo; só perdemos porque não tentamos o bastante. É um pouco desse debate sobre o poder que temos de mudar as nossas vidas que aparece aqui em Mago: Aprendiz.

Pug e Thomas são amigos de longa data. Mas, é chegado um momento crítico na vida de um jovem adolescente: a escolha de um tutor. Os tutores escolhem os jovens que desejam adotar como aprendizes; caso um jovem não seja tutorado, sua vida acabará sendo a de um camponês para o resto de seus dias. Thomas está animado porque espera poder ser um escudeiro e um dia se tornar um guerreiro. O mesmo pode ser dito de Pug que espera poder tornar-se um dos cavaleiros de Crydee. Durante a seleção, Thomas é escolhido para ser um escudeiro e Pug aparentemente será um camponês. Mas, tudo muda quando o mago Kulgan decide adotar Pug como aprendiz. Algo inédito visto que Kulgan nunca havia tido um aprendiz. É aí que veremos o treinamento de Pug e Thomas e como eles crescem como pessoas. Mas, uma ameaça parece se esgueirar em direção a Crydee. Quem são os tsuranis e o que eles querem? E por que Pug pode ser uma peça importante no conflito que se aproxima?

Mago: Aprendiz é uma jornada de crescimento. As personalidades de Pug e Thomas são muito bem trabalhadas ao longo deste primeiro livro. O começo dele é um pouco parado, mas eu acho muito importante para que o leitor possa se familiarizar com os personagens. Percebi que o livro depende muito dessa relação entre leitor e protagonista. Os conflitos adolescentes são bem explorados como a insegurança, a falta de perspectiva de pessoas pobres em um mundo medieval, as brigas e os amores. O núcleo de personagens que surge ao redor dos dois meninos é muito sólido e somos apresentados ao reino de Crydee através dos personagens. Eles são os nossos olhos neste primeiro volume. Achei que a história acabou abandonando um pouco os dois protagonistas em sua metade final. Feist quis abraçar outros personagens e esqueceu que, no fundo, a história era sobre Thomas e Pug e não sobre Arutha, Kulgan e Carline. Me parece que os outros personagens acabaram se tornando tão interessantes que roubaram a cena. No trecho final de Mago: Aprendiz, Pug desaparece completamente. Entendo que isso é algo do enredo, mas nem uma ou duas páginas para sabermos o que aconteceu a ele são ditas.




A ambientação é excelente. Típica daquele estilo de fantasia clássico. O livro foi publicado cinco anos após A Espada de Shannara, então são contemporâneos. A construção da ambientação deve muito a Terry Brooks e tanto um como o outro livro são algumas das séries de fantasia mais longas. Brooks e Feist ainda publicam histórias nos dois mundos. Então é perceptível, por exemplo, que Feist também emprega alguns elementos de ficção científica em Mago (os tsuranis). Se formos analisar mais detidamente, a ambientação de Shannara é mais complexa que a de Mago, porém a história é mais acessível. Enquanto o leitor sente mais dificuldades com A Espada de Shannara, em Mago: Aprendiz, as páginas voam. Linguagem fácil e simples e um enredo em que os personagens são o foco e não o mundo em si.

Entretanto, A Espada de Shannara é bem sucedida em algo que Mago: Aprendiz pecou. A primeira possui uma história encerrada enquanto o segundo faz um corte brusco entre o primeiro e o segundo livros. Quando o livro foi publicado pela primeira vez em 1982, Mago: Aprendiz e Mago: Mestre eram um único livro. Quando a segunda tiragem saiu em 1994 pela Bantam, Feist decidiu aumentar os dois volumes com partes que ele havia deixado de fora. A editora achou melhor dividir o livro em dois volumes para não ficar muito grande. O resultado foi esse corte brusco na história que não possui um final, mas um gancho mal feito que não fora pensado por Feist. Esse talvez seja um dos pontos negativos na obra assim como o foco nos personagens secundários e o abandono dos protagonistas.

Mas, o fato de o foco passar para Arutha, Kulgan e Carline tem seu ponto positivo. Significa que os personagens se tornaram tão fortes que passaram a ser essenciais para o andamento do enredo. Isso também é mérito do autor que foi capaz de construir esse nível de personagens. Dos três, Carline é a que mais cresce ao longo da história. É impressionante vê-la deixando de ser uma menina mimada para ser uma princesa de verdade. Claro que os acontecimentos acabam forçando essa mudança, mas muito se deve à influência de Pug no comportamento de Carline.

Achei que os tsuranis são apresentados muito no final do primeiro volume. Provavelmente outra consequência da divisão em dois livros. Os tsuranis acabam sendo uma presença ameaçadora mais do que algo concreto. Somente na batalha no final de Mago: Aprendiz que somos capazes de ver o poderio dos tsuranis. Isso acabou fazendo com que os tsuranis fossem ignorados em muitos momentos. Eu quero saber mais já que eles são o antagonista da obra. E o primeiro volume de uma série serve justamente para apresentar os elementos que compõem a obra: desde os personagens, à ambientação e o perigo que eles viverão.

Mago: Aprendiz é um bom primeiro volume de série. Apresenta os personagens com muita qualidade e faz com que os leitores passem a gostar deles. O leitor acaba se relacionando de uma maneira muito positiva com todos os personagens, desde o velho Kulgan até o corajoso Arutha. A ambientação também possui muita coisa ainda por descobrir e contribui para a manutenção do interesse do leitor. Espero poder ver mais dos tsuranis em Mago: Mestre que certamente lerei.




Ficha Técnica:


Nome: Mago - Aprendiz

Autor: Raymond E. Feist

Série: Mago vol. 1

Editora: Arqueiro

Gênero: Fantasia

Tradutora: Cristina Correa

Número de Páginas: 416

Ano de Publicação: 2013


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