ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

Search

A visita de Luc, irmão de Baudoin vai mexer com a vida do nosso protagonista. De advogado vivendo uma vida banal e sem méritos, Baudoin vai receber uma terrível notícia que vai mexer com suas escolhas de vida.



Sinopse:


Baudouin e Luc são irmãos, mas não poderiam ter vidas mais diferentes. Baudouin leva um dia a dia sufocante em um emprego monótono como jurista e com um chefe detestável. Luc, por outro lado, é um espírito livre, que viaja o mundo praticando medicina. Quando Luc volta a Paris por alguns dias, ele faz de tudo para tirar o irmão mais novo da inércia e mostrar a ele o que a vida tem a oferecer. Mas o que finalmente convence Baudouin é a descoberta de um tumor e a perspectiva de que lhe restam apenas poucos meses de vida. Baudouin, então, resolve deixar tudo para trás e parte com o irmão em uma jornada de autodescoberta.





Nossa sociedade contemporânea funciona em alta velocidade. Somos programados para trabalhar, pagar contas, consumir. Poucos de nós tem a oportunidade de se questionar "é isso o que eu gostaria de estar fazendo?". Certamente para muitos de nós, aquele sonho de criança desapareceu nas poeiras do tempo porque crescemos e recebemos outras responsabilidades. Nem todos podem falar que seguiram seus sonhos, até porque segui-los nem sempre é fácil. Exige abnegação, persistência, coragem. Ficar com o programado, seguir um emprego que não gostamos se torna parte do sacrifício e das responsabilidades da vida adulta. E deixar os sonhos para trás pode nos tornar pessoas amargas e tristes, insatisfeitas com o rumo que escolhemos. Esse é o tema principal dessa história incrível que Toulmé nos traz em Duas Vidas.


A arte dele segue os padrões da banda desenhada europeia. Linha clara, foco nos personagens e em suas ações, sem muitas firulas quadrinísticas. Quem está esperando algo espalhafatoso ou super detalhista, não é isso o que você vai encontrar aqui. Até porque estamos tratando de uma narrativa mais intimista, então o foco certamente não está na arte, apesar de ela cumprir bem o seu papel. Gosto de como o Toulmé dá personalidade aos cenários inserindo detalhes bem sutis como placas de restaurantes, transeuntes, histórias acontecendo no fundo. É como se os protagonistas existissem em um mundo dinâmico onde muita coisa acontece e eles não são o centro do universo. O autor simplesmente pegou uma lupa e focou em um núcleo narrativo.


O roteiro é bem amarradinho. E olhe que havia a possibilidade do Toulmé se enrolar pelas escolhas que ele fez. A cada início de capítulo vemos um flashback da vida do Baudouin, seja na adolescência, na infância ou no início de sua vida adulta. Essas cenas servem para mostrar a construção da personalidade do protagonista e sua relação com Luc. No começo a gente acaba não dando muita bola para essas pequenas vignettes, mas com o passar do tempo, elas vão ficando mais e mais compreensíveis porque a gente passa a conhecer melhor os personagens. Elas convergem rumo aos capítulos finais onde o autor vai fazer o desfecho. Achei os capítulos pequenos; acho que o Toulmé poderia ter inserido menos capítulos com mais páginas. O efeito teria sido semelhante. Mas, eu entendi porque ele empregou tantos capítulos: se trata de uma divisão em cenas.



Baudoin é um advogado que trabalha duramente em uma firma de advocacia. Seu cotidiano é tomado pelo assédio moral de seu chefe e de um trabalho que absorve tudo que ele tem de si. Em sua vida adulta, ele não foi capaz de fazer uma família. A personalidade tímida e introvertida dele, que teve uma enorme contribuição de um pai que não o estimulou a ser uma pessoa melhor, é um dos seus maiores pontos fracos. Seu irmão Luc acaba de chegar do Benim para algumas semanas na França e decide passar esse tempo com Baudoin. Os irmãos não poderiam ser mais diferentes: enquanto o protagonista é introvertido, Luc é farrista, engraçado e faz aquilo que quer sem se preocupar com bens materiais. Os irmãos discutem porque Luc percebe o quanto Baudoin é uma pessoa infeliz. Alguns dias depois da chegada de Luc, o protagonista percebe o aparecimento de um caroço do lado direito do seu corpo. É aí que sua vida vai mudar para sempre.


Uma das coisas que eu mais curti na escrita do Toulmé é o quanto os personagens são pessoas e não parte do roteiro. Reais, com qualidades e defeitos, Baudoin, Luc, seus pais, os amigos que eles fazem. Você poderia encontrar com um deles na rua. E isso torna a narrativa ainda melhor. Porque a história acaba ressoando conosco. Baudoin é tão pessoa que com certeza algum dos leitores vai perceber semelhanças com ele. Acabamos passando a torcer pelos personagens, nos entristecendo quando acontece algo ruim, ficando feliz ao receber uma boa notícia. Mas, o principal sentimento é a gente querer dar um sacode no Baudoin para ele poder despertar do seu torpor. Essas são algumas das razões pelas quais Duas Vidas é uma HQ tão fascinante. Porque nos faz pensar, bate... digo, marreta funda no nosso coração. A sua mensagem é clara e Toulmé não alivia o soco no estômago.


Posso dizer que eu passei por algo semelhante ao que Baudoin passou. Mas, no meu caso foi em uma velocidade bem mais vertiginosa quando tive infecção generalizada no meu organismo. Pude ver minha vida passando bem na frente dos meus olhos. E me entristecendo por algumas das escolhas que fiz para mim. Naquela época, estava em um namoro-bumerangue com uma pessoa por mais de quatro anos, não conseguia enxergar um futuro profissional porque as opções não apareciam para mim. Depois da minha experiência de quase-morte (e foi por um fio de cabelo mesmo), mudei a maneira como enxergava as coisas. Se antes eu fazia as minhas escolhas, agora eu queria curtir mais o meu tempo na Terra. E é isso o que Baudoin percebe quando recebe a notícia de que está morrendo. Tudo muda. A gente acaba precisando reavaliar coisas, pensar no "valeu a pena?". Ou que marca estamos deixando para trás? Toulmé conduz os diálogos com uma leveza incrível e os diálogos são mais profundos do que parecem em uma primeira leitura. Luc joga coisas na cara do seu irmão que muitas vezes nós mesmos precisamos ouvir de alguém. Entendo as necessidades da vida adulta e o quanto vivemos em um mundo caro... mas, ser um profissional insatisfeito talvez seja ainda pior. E eu vejo muitos deles todos os dias: pessoas que não queriam estar ali. Estão por falta de opção, por infelicidade ou por escolhas ruins. O caminho para a realização dos sonhos é coberto de espinhos. Ninguém disse que seria fácil.


Sinceramente, eu não sei como reagiria às duas situações que acontecem na HQ: a que motiva a história e o final. No segundo caso, tenho certeza que as respostas vão ser muito divididas. Nem quero falar para não dar spoiler, mas Duas Vidas é uma daquelas histórias que não nos permite escolher ficar no meio. Vai nos pedir um posicionamento, uma reflexão e nos deixará com algo no que pensar. Não saímos os mesmos após uma leitura tão provocativa. Não tenho como expressar a forma como essa história me impactou. E, é claro, não tem como não se emocionar com a história. O fato de ela ser intimista contribui e muito para isso. Quero ler mais coisas do Toulmé porque creio que ele sabe bem trabalhar personagens e mexer com temas delicados. Só tenho a sugerir a vocês que leiam essa HQ pelo menos uma vez em suas vidas. Duas Vidas é uma lição de vida necessária para todos. Não tenho melhor propaganda para fazer dessa história.


Ficha Técnica:


Nome: Duas Vidas

Autor: Fabien Toulmé

Editora: Nemo

Gênero: Drama

Tradutor: Fernando Scheibe

Número de Páginas: 272

Ano de Publicação: 2018


Link de compra:

https://amzn.to/3d1f9vQ


*Material enviado em parceria com a editora Nemo


Tags: #duasvidas #fabientoulme #editoranemo #vida #familia #paisefilhos #irmaos #escolhas #decisao #mudancas #trabalho #retomada #ficcoeshumanas




Apesar da pandemia global, o mês de março está recheado de lançamentos incríveis. Vai desde Sarah J. Maas, Cassandra Clare e N.K. Jemisin até Emily St. John Mandel. Novas séries e títulos solo acima da média.



1 - "Chain of Gold" (The Last Hours vol. 1) de Cassandra Clare


Ficha Técnica:


Nome: Chain of Gold

Autora: Cassandra Clare

Série: The Last Hours vol. 1

Editora: Margaret K. McElderry

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 623

Data de Lançamento: 03/03


Link de compra:

https://amzn.to/2IMMNHF










Sinopse: Cordelia Carstairs é uma caçadora das sombras, uma guerreira treinada desde a infância para lutar contra demônios. Quando seu pai é acusado de um crime terrível, ela e seu irmão viajam para a Londres eduardiana na esperança de prevenir a ruína da família. A mãe de Cordelia quer casá-la logo, mas Cordelia está determinada a ser uma heroína ao invés de ser uma noiva. Logo Cordelia encontra seus amigos de infância James e Lucie Herondale e é sugada para o seu mundo de salões de dança reluzentes, trabalhos secretos, e salões sobrenaturais onde vampiros e feiticeiros se juntam com sereias e magos. Enquanto isso, ela deve esconder seu amor secreto por James, que jurou se casar com outra pessoa.


Mas, a vida nova de Cordelia é virada de cabeça para baixo quando uma série chocante de ataques demoníacos devastam Londres. Estes monstros não são nada parecidos com aqueles que os caçadores das sombras lutaram antes - estes demônios conseguem caminhar à luz do dia, afetar os incautos com um veneno incurável e parecem ser impossíveis de se matar. Londres entra imediatamente em quarentena. Presa na cidade, Cordelia e seus amigos descobrem que sua própria conexão com um legado sombrio dotou-os de incríveis poderes - e forçará a uma escolha cruel que irá revelar o verdadeiro e cruel preço de ser um herói.


2 - "House of Earth and Blood" (Crescent City vol. 1) de Sarah J. Maas


Ficha Técnica:


Nome: House of Earth and Blood

Autora: Sarah J. Maas

Série: Crescent City vol. 1

Editora: Bloomsbury Publishing

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 648

Data de Publicação: 20/03


Link de compra:

https://amzn.to/2Qif79b










Sinopse: Bryce Quinlan, uma meio-fae e meio-humano, ama a sua vida. De dia, ela trabalha com uma vendedora de antiguidades, vendendo artefatos mágicos quase legalizados, e de noite, ela festeja com seus amigos, saboreando cada prazer que Lunathion - conhecida também como Crescent City - tem para oferecer. Mas tudo isso cai por terra quando um assassino brutal sacode as fundações da cidade - e do mundo de Bryce.


Dois anos depois, seu trabalho se tornou sem saída e ela agora busca apenas afogar suas mágoas nos clubes noturnos mais notórios da cidade. Mas quando o assassino ataca novamente, Bryce se vê arrastada para a investigação e colocada ao lado de um infame anjo caído cujo passado brutal assombra cada um de seus passos.


Hunt Athalar, assassino pessoal a serviço dos Arcanjos, não quer nada com Bryce Quinlan, apesar de ter sido destacado para protegê-la. Ela é tudo aquilo que ele uma vez se rebelou contra e parece mais interessada em farrear do que em solucionar o mistério, não importa o quanto estejam próximos de casa que tudo possa afetar. Mas Hunt logo percebe que tem muito mais em Bryce do que parece à primeira vista e que ele está disposto a encontrar uma maneira de trabalhar com ela se eles quiserem resolver este caso.


Com Bryce e Hunt correndo para resolver o mistério, eles não tem maneira de compreender os pequenos fios que eles puxam através do submundo da cidade, por todos os continentes em guerra e abaixo dos níveis mais sombrios de Hel, onde as coisas estavam adormecidas por milênios estão começando a despertar...


3 - "The House in the Cerulean Sea" de T.J. Klune


Ficha Técnica:


Nome: The House in the Cerulean Sea

Autor: T.J. Klune

Editora: Tor.com

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 393

Data de Publicação: 17/03


Link de compra:

https://amzn.to/2TSFmVI











Sinopse: Linus Baker é um cara certinho que trabalha para o Departamento de Cuidados de Jovens Mágicos. Ele é destacado para determinar se seis crianças mágicas perigosas podem trazer o fim do mundo.


Arthur Parnassus é o mestre do orfanato. Ele poderia fazer qualquer coisa para manter as crianças a salvo, mesmo se isso significa queimar o mundo. E seus segredos estão começando a aparecer.


4 - "A Bond Undone" (Legends of the Condor Heroes vol. 2) de Jin Yong


Ficha Técnica:


Nome: A Bond Undone

Autor: Jin Yong

Série: Legends of the Condor Heroes

Editora: St. Martin's Press

Gênero: Fantasia

Tradutora: Gigi Chang (do chinês para o inglês)

Número de Páginas: 544

Data de Lançamento: 24/03


Link de compra:

https://amzn.to/3d3FjOg








Sinopse: Dividido entre seguir seu coração e cumprir com seu dever como filho, Guo Jing sai em uma jornada através do país de seus pais junto com Lotus, encontrando misteriosos heróis marciais e se tornando absorvido na luta pelo texto marcial supremo, o Manual dos Nove Yin. Mas, seu passado está se aproximando dele. A viúva de um homem maligno que ele matou acidentalmente quando era uma criança veio atrás dele, obcecada por vingança.


Enquanto isso, com seu verdadeiro parentesco enfim revelado, Yang Kang, o jovem príncipe Guo Jing deve encarar o Jardim dos Oito Imortais Bêbados, é forçado a escolher seu destino. Irá ele continuar a desfrutar de uma vida de riqueza e privlégios permitidos a ele pelos invasores de suas terras, ou irá ele desistir de tudo que ele conheceu para vingar seus pais?


5 - "The City We Became" (The Great Cities Trilogy vol. 1) de N.K. Jemisin


Ficha Técnica:


Nome: The City We Became

Autora: N.K. Jemisin

Série: The Great Cities Trilogy vol. 1

Editora: Orbit

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 449

Data de Lançamento: 24/03


Link de compra:

https://amzn.to/2WfqrGQ











Sinopse: Cada grande cidade tem uma alma. Algumas são tão antigas quanto mitos e outras são tão novas e destrutivas quanto crianças. Nova York? Ela tem seis.


Mas, cada cidade também tem um lado sombrio. Um mal antigo e transbordante se agita em seus salões de poder, ameaçando destruir a cidade e seus seis avatares recém-nascidos a menos que eles se unam e a impeçam de uma vez por todas.


6 - "Otaku" de Chris Kluwe


Ficha Técnica:


Nome: Otaku

Autor: Chris Kluwe

Editora: Tor Books

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 352

Data de Lançamento: 03/03


Link de compra:

https://amzn.to/3dbblrY











Sinopse: Ditchtown.


Uma cidade de arranha-céus, construída no topo do esqueleto afundado da velha Miami. Uma prisão de aço, repleta de descrentes. Um lixão para rejeitados, fugitivos e malfeitores.


Dentro destes enormes monolitos, Ashley Akachi é uma jovem mulher tentando fazer o seu melhor para aceitar que seu irmão está se afastando dela, uma mãe que já se foi e jovens e raivosos garotos que a querem colocada em seu lugar. Ditchtown, contudo, não é o único mundo que Ash habita.


Dentro do Jogo Infinito, um mundo virtual que requer a perfeição física, Ash é Ashura, a Terrível, líder dos Guerreiros da Joia do Sol, amada, temida e observada por milhões ao redor do globo. Câmaras hápticas, conhecidas como hapesferas, traduzem cada movimento no mundo real para o digital - e os feitos dos Guerreiros da Joia do Sol são lendários.


Entretanto, Ash está prestes a esbarrar em uma conspiração mortal que irá colocar seus mundos em colisão um com o outro e no real, você só pode morrer uma vez...


7 - "Sixteenth Watch" de Myke Cole


Ficha Técnica:


Nome: Sixteenth Watch

Autor: Myke Cole

Editora: Angry Robot

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 432

Data de Lançamento: 10/03


Link de compra:

https://amzn.to/3cU8UK2











Sinopse: A Guarda Costeira deve prevenir a primeira guerra lunar da história.


A Capitã da Guarda Costeira Jane Oliver, uma especialista experiente em busca e resgate, está pronta para uma aposentadoria pacífica. Mas quando uma tragédia acontece, Oliver perde seu marido e seus planos para o futuro e se vê arremessada em um papel que ela não estava preparada. Subitamente no leme da unidade lunar de elite SAR-1 da Guarda Costeira, Oliver é a única mulher que pode evitar a primeira guerra lunar na história, um conflito que certamente irá consumir não apenas a lua, mas a Terra também.


8 - "Providence" de Max Barry


Ficha Técnica:


Nome: Providence

Autor: Max Barry

Editora: Hodder & Stoughton

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 320

Data de Lançamento: 31/03


Link de compra:

https://amzn.to/2vngzQa











Sinopse: Ela é a arma definitiva. Uma vez ela nos serviu. Agora ela tem seus próprios planos.


Entramos em contato com alienígenas em paz... e eles nos aniquilaram. Agora a humanidade desenvolveu a arma de matar definitiva, a classe de espaçonaves Providence.


Com a velocidade assustadora das naves, sua assombrosa inteligência e armamento, agora é a vez das salamandras serem aniquiladas... em seus milhões.


O incompatível quarteto formado por Talia, Gilly, Jolene e Anders são a tripulação em um destes destroieres. Mas com os computadores da nave sendo desenvolvidos para superar a capacidade humana de tomar decisões em praticamente todas as áreas, eles são meros passageiros. A Providence irá levá-los onde o inimigo está e irá ditar a estratégia de qualquer batalha.


O único papel da tripulação é fazer publicidade de sua gloriosa guerra para um planeta Terra formado por céticos. A mídias sociais e os video clips são suas armas em uma ofensiva de carisma sem limites. Seu verdadeiro inimigo não são os répteis espaciais, mas um ao outro, e o ócio.


Mas então tudo muda. Uma mensagem vem de sua base: a Providence está indo rumo à Zona Violeta, onde não existem mais sondas detectoras e nenhuma comunicação com a Terra. É o coração do império inimigo - e agora a tripulação foi deixada para contemplar se isto é uma missão de destruição total ou, mais sinistramente, de auto-destruição total.


9 - "Beneath the Rising" de Premee Mohamed


Ficha Técnica:


Nome: Beneath the Rising

Autor: Premee Mohamed

Editora: Solaris

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 416

Data de Lançamento: 03/03


Link de compra:

https://amzn.to/2WbxBvI












Sinopse: A esperança tem um preço.


Nick Prasad sempre curtiu uma vida pacata na sombra de sua melhor amiga, criança prodígio e gênio tecnológica Joanna "Johnny" Chambers. Mas tudo isso está prestes a acabar.


Quando Johnny inventa um reator de energia limpa que pode eliminar combustíveis fósseis e mudar o mundo, ela desperta os terríveis Antigos que estão obcecados em subjugar a humanidade.


Das antigas bibliotecas do mundo às ruínas de Nínive, caçados em cada canto, eles precisarão confiar um no outro completamente para sobreviver...


10 - "The Glass Hotel" de Emily St John Mandel


Ficha Técnica:


Nome: The Glass Hotel

Autora: Emily St John Mandel

Editora: Knopf

Gênero: Terror

Número de Páginas: 321

Data de Lançamento: 24/03


Link de compra:

https://amzn.to/3dbCfjs











Sinopse: Vincent é um bartender no Hotel Caiette, um alojamento cinco estrelas na parte mais ao norte da ilha de Vancouver. À noite ela encontra Jonathan Alkaitis, uma figura encapuzada rabisca uma mensagem na parede de vidro do lobby: "Por que você não engole vidro quebrado?". Muito acima de Manhattan, um grande crime é cometido: Alkaitis está organizando um esquema de pirâmide de proporções internacionais, movendo altas somas em dinheiro através de contas de clientes. Quando o império financeiro entra em colapso, ele elimina incontáveis fortunas e destrói vidas. Vincent, que tinha feito o papel de esposa de Jonathan, foge noite afora. Anos depois, uma vítima da fraude é contratado para investigar um estranho acontecimento: uma mulher tinha simplesmente desaparecido do deck de um navio conteiner entre pontos de chamada.


Tags: #melhoreslancamentosinternacionais #orbit #tor #knopf #emilystjohnmandel #nkjemisin #cassandraclare #sarahjmaas #mykecole #maxbarry #jinyong #ficcoeshumanas




Um dos conselhos mais difundidos a aspirantes a escritores é ler de tudo, principalmente os clássicos. Esta matéria discute este conselho de forma prática: como poderia usar as qualidades de Madame Bovary, livro clássico da literatura francesa, em um romance atual de ficção fantástica?



Muitos consideram a ficção fantástica um gênero marginal da literatura. Podem levantar inúmeros argumentos favoráveis quanto a isso, mas ainda prevalece o inegável: o universo fantástico faz parte da literatura. As semelhanças vão além de todos os romances fantásticos serem compostos por um “amontoado de um monte de coisas escritas”, de descrições separadas por partes ― capítulos ― ou não, ou contando histórias de personagens e suas respectivas questões essenciais. Podem alegar das histórias fantásticas terem uma preferência por focar no enredo, elaborar a jornada épica do protagonista. Mas mesmo com a estruturação dos capítulos e cenas elaboradas, as histórias desse gênero ainda precisam ser bem contadas, com estilos narrativos aperfeiçoados por ilustres escritores da história literária. Por isso propus a fazer esta análise: após ler Madame Bovary, o clássico da literatura francesa escrito por Gustave Flaubert, selecionei quatro qualidades e avaliei o quanto seriam efetivas em romances fantásticos que poderiam ser desenvolvidas por escritores atuais. Dentre as escolhidas, são duas prováveis de aproveitar sem problemas, e outras duas a evitar ou refletir bem acerca da viabilidade de desenvolver.


1 - Conduzir os vários elementos do cenário


O mundo avança conforme vivemos nossas vidas. Enquanto conversamos com amigos numa mesa de bar, o resto do estabelecimento também permanece vivo, com outras rodas de amigos, parentes ou equipes de trabalho. Há também quem sirva os clientes, atendendo inúmeras tarefas cotidianas além das questões pessoais lidadas ou sofridas durante o serviço. A TV pode transmitir acontecimentos importantes do país, ou aquele jogo decisivo da Libertadores. E tem mais! Da entrada do bar passam carros, além de muitas pessoas na calçada. Pode fazer sol, esfriar ou chover; e isso interfere em quanto tempo os clientes permanecerão lá, e por consequência o quanto gastarão.


O autor às vezes esquece sobre as possibilidades do ambiente da cena enquanto conta a história do personagem. De fato nem sempre vale a pena explorar essas questões, depende da proposta da história, do quanto o ambiente interfere no protagonista e vice-versa. Quando existe a demanda por essa relação, há o desafio em narrar todos os elementos sem causar tédio no leitor, e quanto mais elementos precisamos conduzir, nem preciso dizer como isto se torna difícil.


Gustave Flaubert estava ciente deste desafio, e mesmo assim procurou conduzir cenários em Madame Bovary como o do baile em Vaubyessard, apresentando as pessoas presentes, as respectivas conversas, sem ignorar a descrição física do cenário e, claro, desenvolver o dilema da protagonista entediada com o casamento! Flaubert realizou uma verdadeira orquestra neste cenário. Outro detalhe: mostrou tudo no mesmo segmento, sem descrever passagens ora numa perspectiva, para então retomar do começo ao narrar a outra; nem quebrar o ritmo ao intercalar “descrição, diálogo, outra descrição” e assim por diante.



Assim Flaubert substituiu toda a cadeia de diálogos existente na cena por parágrafos. Narrou, resumiu e mesclou as demais interações, pois tudo fazia parte do mesmo momento. As descrições também eram significativas, elaborando-as sempre na perspectiva do personagem, e a partir desse gerava valores interessantes a ele, pois caso fosse focado em outro personagem, mudaria o significado. Observe o trecho destacado, contado na perspectiva de Emma Bovary:


“A três passos de Emma, um cavalheiro de casaca azul conversava sobre a Itália com uma jovem mulher pálida com um adorno de pérolas. Elogiavam a espessura dos pilares de São Pedro, Tivoli, o Vesúvio, Castellamare e os Cassini, as rosas de Gênova, o Coliseu ao luar. Emma ouvia, com o outro ouvido, uma conversação cheia de palavras que não compreendia. Algumas pessoas rodeavam um jovem rapaz que na semana anterior vencera Miss Arabella e Romulus e ganhara dois mil luíses a saltar um fosso na Inglaterra. Um queixava-se de seus corredores, que estavam engordando; outro, dos erros de impressão que haviam alterado o nome de seu cavalo.”

2 - Aproveitar ambientes pequenos e explorar grandes possibilidades


Este tópico serve a escritores empolgados com world building. Com a liberdade existente na fantasia, os autores podem criar o país onde acontece a história, talvez um continente, ou o mundo inteiro! Esquematizar possibilidades de clima, elaborar espécies de flora e fauna, distinguir humanoides em raças, elaborar respectivos costumes, reinos, geografia... Tudo faz parte da criação capaz de atender o nicho de leitores de fantasia. Ainda é preciso atender outra demanda, esta importante independente do gênero, seja no ambiente fantástico ou baseado em locais reais: a exploração do mesmo.


É igual a sugestão do bar, existe vida naquele espaço onde o escritor deve mostrar ao leitor, e pouco importa o quão grande seja o mundo criado na história, ela acontecerá em cenários pontuais. Flaubert explora a maior parte da história na vila de Yonville, e dali remete questões da Revolução Francesa ocorrida no século passado ao período do romance, dos pensamentos iluministas, fala ainda de Paris a partir da perspectiva de quem vive na vila. Não precisa estar na capital ou regiões de destaque da França para abordar questões do país, e na verdade explorá-los na perspectiva do lugar remoto dá a oportunidade de contar algo único. Como a cena onde ocorre o discurso do conselheiro durante os Comícios agrícolas ― outro capítulo com uma orquestra de elementos ― enaltecendo o país e a conversa paralela entre Emma Bovary e Rodolphe:


“[...] Por toda a parte florescem o comércio e as artes; em toda a parte, novas vias de comunicação, como outras tantas artérias novas no corpo do Estado, estabelecem novos contatos; nossos grandes centros manufatureiros retomaram a sua atividade; a religião, mais firme, sorri a todos os corações; nossos portos estão cheios, a confiança renasce e enfim a França respira!... [...]

[...]

- Nós, pobres mulheres, nem mesmo temos essa distração!

- Triste distração, pois nela não encontramos a felicidade.

- Mas ela pode ser encontrada? perguntou Emma.

- Sim, um dia ela é encontrada, respondeu ele.”




São duas conversas, dois assuntos paralelos intercalados na cena. Um sobre o país, e o segundo discutindo sobre o assunto de fato importante ao casal de amantes, uma forma sutil de criticar os discursos oficiais vazios do governo na época. O autor de fantasia pode fazer o mesmo, mostrar a relação entre quem governa e a pessoa mais remota da sociedade, isso sem um jamais interagir com o outro, e ainda assim interferindo. Agora imagine quantas possibilidades podem surgir, e ainda assim se mantendo fiel à proposta de criar o grande mundo, contando a partir dos acontecimentos ocorridos em lugares pequenos e específicos!


Qualidades a evitar


Por mais que Madame Bovary repercuta até hoje, nem toda característica do livro compensa em trazer para novos trabalhos literários. Ainda são aspectos positivos do romance, a questão é avaliar esses em obras recentes, e por isso atentar no cuidado. Ouso dizer ainda ser possível usar essas qualidades a favor, o problema situando-se na dificuldade em empreendê-las, com maior probabilidade de falha ao desconsiderar as consequências.


3 - Vários focos narrativos


Na verdade focar o enredo a partir de muitos personagens não é o problema em si, com certeza todo leitor sabe indicar algum livro ou mesmo saga com história na perspectiva de muitos personagens e o adoram por isso. Também é muito provável de todos esses autores consagrados por este tipo de obra serem muito experientes, cientes das dificuldades em empenhar a jornada realizada por vários personagens, e assim trabalhou muito até alcançar essa proeza.


Toda história consiste na questão essencial do personagem coordenado na narrativa, cujo desfecho o transformará de alguma forma, seja para melhor ou pior. Essa regra vale para todo personagem que o autor decida dedicar na história, caso contrário o leitor acusará a história de incompleta, e com razão. Pior ainda se acabar alternando o foco para outro personagem apenas em um momento, em muitos casos por descuido, e acabar levantando a expectativa do leitor em acompanhar a história daquele personagem também, e logo percebendo a desilusão.



Nas ótimas histórias produzidas sob perspectivas de vários personagens, é mais comum ver o foco alternando nelas por capítulo, poucos atrevendo-se a mudar a perspectiva no parágrafo seguinte. Flaubert executa como no último caso em Madame Bovary, seguindo o cenário através de Emma e de repente conta na visão do marido Charles, pulando na perspectiva sobre o amante Rodolphe e ainda tropeçando no farmacêutico Homais e suas desavenças com religiosos. Isso exige mais do leitor, qualquer desatenção na leitura pode comprometer o ritmo e o entendimento da cena. O objetivo de Flaubert passou longe de entregar uma leitura fácil, e sim explorar vários aspectos de uma sociedade francesa simplista ― daí o subtítulo de “Costumes de província” no romance ― enquanto estimula conflitos com a personagem principal com desilusão amorosa.


O autor fez a orquestra de acontecimentos no mesmo cenário elogiado logo no começo deste texto usando, entre outros recursos, a transição dessas perspectivas; e só o fez devido ao objetivo proposto pelo próprio. Cabe ao autor de novas histórias de fantasia avaliar a necessidade de demandar tal proeza no romance também. Provavelmente não, e não há problema nenhum nisso. O romance pode valer de outras qualidades memoráveis, e seria desnecessário assumir maiores compromissos, com risco de comprometer todo o trabalho por causa deles. Em resumo, avalie bem a necessidade de focar em mais de um personagem durante o romance, caso precise, pense de novo, procure o motivo extraordinário para conduzir a história desta forma, e esteja ciente do compromisso firmado caso aceite elaborar todos esses aspectos. Caso considere tudo isso, talvez possa usar esta qualidade de Madame Bovary a favor.


4 - Feminismo inadequado


Madame Bovary vai além de protagonizar uma mulher e esclarecer a importância de seus dilemas, pois ainda denuncia a sociedade da época de o quanto ela enclausura a vida feminina nas inúmeras regras de aspectos patriarcais, religiosos e jurídicos. Inclusive Flaubert virou alvo de processo jurídico por causa do romance, sob acusação de transgredir valores morais e religiosos da época. Confesso minha limitação quanto a abordagem deste assunto pela minha carência de estudo e por não conviver com esses problemas. Portanto consultei o artigo sobre o feminismo em Madame Bovary indicado na fonte ao final do texto.


Flaubert teve a grande audácia de romper as características das personagens femininas mais comuns na fase literária anterior, a do romantismo. Todas as críticas feita no romance da época em relação às condições das mulheres eram novidades, e por isso não seria nada inovador usá-las da mesma forma hoje. Quer dizer, ainda podemos aproveitar a proposta de Flaubert no sentido de explorar as dificuldades femininas na realidade proposta, apostando inclusive na possibilidade de conseguir tramas interessantes assim. Só é preciso atentar quanto à diferença entre a sociedade retratada na França do século XIX e as possibilidades geradas ao longo do tempo até o século XXI: as mulheres conquistaram maiores oportunidades de ter iniciativa.


Destaco a passagem de Emma que mais me entristeceu no romance, de quando ela estava embriagada de amor por Rodolphe, enquanto repudiava a vida matrimonial com Charles:


“― Leva-me embora! exclamou ela ― Rapta-me ...! Oh! Suplico-lhe. E precipitou-se sobre sua boca, como para nela colher o consentimento inesperado que dela se exalava num beijo.”


Na busca de Emma em realizar a sua obsessão, ela precisa da proatividade do amante. Ele deveria garantir a fuga do casal e ainda levar a filha dela. O plano até engrena, e em seguida fracassa devido aos dilemas de Rodolphe, esses tendo maior prioridade à da amante iludida. Mesmo em momentos posteriores, Emma continua a depender dos demais personagens masculinos na tentativa de livrar os receios.


Hoje existem mães solteiras ou responsáveis por toda família. Longe de ser o ideal, pelo menos temos representantes femininas na política, conseguindo conquistar cargos de gerência, até mesmo levantar as paredes da própria casa com as mãos cheias de cimento. São arquitetas, policiais, mecânicas, médicas ― sem serem taxadas de bruxas ―, elaboram algoritmos sobre a trajetória até a lua ou capaz de capturar uma imagem de um buraco negro. As leitoras possuem ótimos exemplos femininos, tornando improvável outra personagem feito a Emma ser agradável no romance escrito hoje.


Alguém pode questionar que as histórias de fantasia muitas vezes serem ambientadas em cenários passados ― medieval ou vitoriano ―, tendo personagens mulheres proativas tornariam a história inverossímil. Na verdade depende do contexto do mundo fantástico elaborado pelo autor. Avaliar as regras do seu mundo são consistentes enquanto explora as oportunidades disponíveis às personagens de sexo nada frágil.


Foram quatro qualidades, duas positivas e outras com ressalvas, e com muito a refletir. Vale lembrar o quanto essas considerações podem ser flexíveis, as qualidades positivas poderiam na verdade atrapalhar a elaboração do romance e vice-versa. O essencial consiste em observar as características já realizadas e abusá-las no próprio trabalho. Poderá desconstruir os conceitos de hoje igual Flaubert fez no tempo dele, afinal o tempo sempre pode avançar e trazer novas inspirações.


Referências:


Prefácio sobre a obra de Gustave Flaubert na edição de Nova Alexandria, pela tradutora Fulvia M. L. Moretto

(http://docplayer.com.br/34614599-Madame-bovary-de-gustave-flaubert-1.html)


MADAME BOVARY: A DESCONSTRUÇÃO DO ETERNO FEMININO NALITERATURA FRANCESA DO SÉCULO XIX (http://www.editorarealize.com.br/revistas/sinalge/trabalhos/TRABALHO_EV066_MD1_SA4_ID55_20012017003251.pdf)


Ficha Técnica:


Nome: Madame Bovary - Costumes de Província

Autor: Gustave Flaubert

Editora: Penguin Companhia

Gênero: Romance/Drama

Tradutor: Mário Laranjeira

Número de Páginas: 496

Ano de Publicação: 2011


Link de compra:

https://amzn.to/32u2Rah


Tags: #madamebovary #gustaveflaubert #penguincompanhia #escritacriativa #criacaodemundo #pontodevista #feminismo #cenario #personagens #contexto #ficcoeshumanas