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Atualizado: 29 de Mar de 2019

No capítulo final de sua trilogia, veremos o autor ligando várias pontas soltas deixadas nos volumes anteriores. Algumas figuras familiares aparecerão ao lado de uma extrapolação do que significa a matrix criada em Neuromancer.



Sinopse: As Inteligências Artificiais assombram a matrix. O ciberespaço, essa espécie de alucinação coletiva, está cada vez mais perigoso. As Inteligências Artificiais atingiram a autoconsciência e dividem esse espaço com os mais inusitados personagens, movidos por interesses diversos e intenções nem sempre lícitas. Nesse cenário, três diferentes histórias se entrelaçam e trazem o leitor de volta para o universo de Neuromacer, em uma última e impactante aventura. Monalisa Overdrive é o terceiro volume da Trilogia do Sprawl.


No mundo de Gibson iniciado por Neuromancer, o que é a matrix? O que ela representa? Depois do surgimento das IAs que começaram a agir independentemente, como a matrix evoluiu? E o que são os loa que habitam um universo além da matrix? Sempre estiveram lá ou são o resultado dos acontecimentos de Neuromancer? Estas são algumas das perguntas que serão (ou não) respondidas durante o livro.


Para os apaixonados pela trilogia, leiam apenas os dois primeiros parágrafos, porque eu vou reclamar horrores desse livro. Digo logo que achei o mais fraco da trilogia. Até Neuromancer é melhor do que Mona Lisa Overdrive. Eu realmente achei que após a leitura de Count Zero (o melhor da trilogia) poderia esperar algo muito bom. Quando abri o livro, minha expectativa era a melhor possível até porque li Reconhecimento de Padrões e Count Zero que fizeram mudar minha opinião sobre o autor. Mas, já dizia aquele velho ditado “Alegria de pobre dura pouco”.


O melhor ponto de Mona Lisa Overdrive é a profunda ligação que ele tem com a mitologia criada por Gibson. Neuromancer e Count Zero podem ser lidos separadamente. Não senti nenhum problema de continuidade em Count Zero. Lógico que se você quer saborear mais a história recomenda-se a leitura em ordem. Mona Lisa é quase um mish-mash dos dois primeiros. Mantém a atmosfera cyberpunk do primeiro enquanto que usa os elementos sobrenaturais do segundo. Acredito que o autor queria repetir a fórmula do segundo e trazer os elementos clássicos do primeiro. Ver o fechamento de histórias foi muito gratificante para mim. Revi alguns personagens do primeiro como Molly e o Finlandês, além de algumas menções ao que Case fez. O autor manteve uma fidelidade àquilo que ele havia escrito. Acho isso positivo para o universo da história.


Gibson conhece o Sprawl com a palma da mão. A maneira como ele sabe lidar com a ambientação revela que ele pensou em todos os detalhes de sua megalópole decadente. Aquela sensação de quando assistimos Blade Runner está presente aqui: muitas coisas orientais, o individualismo das pessoas e os constantes golpes além da distância das corporações para os homens comuns. Gibson também descreve muito bem a matrix. Ele sabe o que ela significa e como descrevê-la de forma com a qual o leitor consiga imaginá-la. Mesmo quando 3Jane começa a distorcer a matrix, sabemos de que forma a matrix era antes do que ocorre no terceiro livro.




O retorno de Molly Millions foi fantástico. Ela é a melhor personagem criada por Gibson. Percebemos nela a pró-atividade, a revolta e a violência em uma mulher marcada por aquilo que se passa em Neuromancer. Ela é a essência do Sprawl. 3Jane também é uma personagem muito interessante. Sua mente distorcida e a motivação que ela tem para perseguir Molly são totalmente válidas. 3Jane é simplesmente mesquinha; uma mente infantil com muitos poderes. Ela brinca com a humanidade da mesma maneira que uma criança brinca com uma casa de bonecas. Angela Mitchell também é uma personagem interessante. Eu realmente gostei das partes em que Gibson dá continuidade à sua história. E como a personagem mudou do segundo para o terceiro livro.


Mona Lisa Overdrive é uma obra que sérios problemas de progressão (o que em inglês a gente chama de timing). O livro demora quase 150 páginas para começar a história. Se o livro é o fechamento de uma trilogia, não deveríamos passar tanto tempo para falar a respeito das motivações dos personagens. O que Gibson fez em 150 páginas, poderia ter feito em metade disso. E aí o livro sofre no final. Porque a metade final é muito rápida e às vezes a gente não entende o que se passa com os personagens entre os capítulos. Muitas cenas ocorrem em um ritmo acelerado demais.


As melhores partes do livro são contadas muito rapidamente. Toda a situação com Samedi, Papa Legba e Mama Brigitte passa rápido demais. Eu queria ver mais daquilo. Queria saber mais sobre esta mitologia interessante que apareceu no segundo livro. A relação entre Angie e os loa faz aparecer uma série de questionamentos que Gibson não responde. O livro é bacana e, fora os problemas recorrentes na escrita de Gibson, a história chega ao fim de uma forma mais ou menos satisfatória. No mais, eu já me acostumei com a escrita do autor e consigo ser um pouco mais tolerante com as bobagens dele. Entendo a importância dele para o gênero cyberpunk, mas isto não o torna um deus imortal sem quaisquer falhas. Precisamos criticá-lo de uma forma inteligente, apresentando argumentos bons para isso.





Ficha Técnica:


Nome: Mona Lisa Overdrive

Autor: William Gibson

Série: Trilogia Sprawl vol. 3

Editora: Aleph

Gênero: Ficção Científica

Tradutores: Carlos Irineu e Candice Soldatelli

Número de Páginas: 320

Ano de Publicação: 2017 (nova edição)


Outros volumes da série:

Neuromancer (vol. 1)

Count Zero (vol. 2)


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Em uma grande homenagem ao Drácula escrito por Bram Stoker, Stephen King nos leva à estranha cidade de Salem onde a Casa Marsten é responsável por inúmeros estranhos acontecimentos.




Sinopse: Publicado originalmente em 1975, Salem é inspirado em o Drácula de Bram Stoker. Segundo livro da carreira de King, a obra deu origem ao filme Os Vampiros de Salem, dirigido por Tobe Hopper, de O Massacre da Serra Elétrica. Ambientado na cidadezinha de Jerusalem's Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade. Após a chegada desses forasteiros, fatos inexplicáveis vêm perturbar a rotina provinciana de Jerusalem's Lot: uma criança é encontrada morta; habitantes começam a desaparecer sem deixar vestígios ou sucumbem a uma estranha doença. A morte passa a envolver a pequena cidade com seu toque maléfico e Ben e Mark são obrigados a escolher o único caminho que resta aos sobreviventes da praga: fugir. Mas isso não será tão simples, os destinos de Ben, Mark, Barlow e Jerusalem's Lot estão agora para sempre interligados. E é chegada a hora do inevitável acerto de contas.


Salem é o segundo romance publicado por Stephen King e é mais uma leitura diferente do padrão que estamos acostumados a ler em seus romances. Na verdade, Salem é uma grande homenagem de King a Bram Stoker e uma modernização do mito do Drácula. Todos os elementos típicos da obra de Bram Stoker estão presentes ali: o conde antigo e extremamente elegante, a mocinha pró-ativa (parecida com Mina Harker), o homem apaixonado que tem seu amor destruído pela maldição do vampiro.


O que eu achei diferente foi a Casa Marsten. King pegou um pouco do tema da mansão assombrada e inseriu na história. Dentro desta mansão aconteceram inúmeros assassinatos que contribuíram para formar uma aura maligna ao redor da casa. Aliás, outro conceito retirado de histórias do século XIX: o miasma. Miasma seria uma energia ruim que cercaria lugares assombrados ou onde teriam acontecido coisas trágicas formando um acúmulo de energia negativa. Essa energia negativa proporcionaria o aparecimento de outras criaturas malignas.


Algumas características do vampiro de Bram Stoker ainda estão presentes: a necessidade de um caixão forrado com terra de cemitério, a necessidade de acreditar nos símbolos de expulsão dos vampiros para que eles sejam afetados. Outros elementos são mais modernos como o fato de o vampiro não poder sair à luz do dia.


Eu senti no garoto Mark Petrie um pouco do próprio Stephen King. Um menino ativo e curioso que gosta de histórias de terror. Se espanta sim com os acontecimentos de sua cidade, mas busca resolver a situação ao invés de apenas ficar assustado. Aliás, ele vai ser o companheiro ideal de Ben Mears no final da história. No caso, King faz uma inversão do estereótipo do garotinho assustado, apresentando algo diferente. Ele já havia feito isso em Carrie quando apresentou o estereótipo do jogador de futebol americano que teoricamente seria um bully e um idiota, como uma pessoa inteligente e sensível. Aqui novamente ele apronta essa com Mark Petrie.


Já Ben Mears tem muito do Jonathan Harker. Ele sofre pela perda de sua amada e faz de tudo para eliminar o vampiro. Às vezes chega a ser irracional como na cena em que ele invade o porão e perde um companheiro por conta de sua obsessão. Diga-se de passagem, antes de existir George R. R. Martin e seu fetiche por matar personagens, havia Stephen King. Então… cuidado… não se apegue demais. O seu personagem querido pode ser morto rapidamente pela horda de vampiros que assola Salem.




A construção da cidade é muito interessante. Começa a aparecer aqui (ou ele teve mais espaço criativo para isso) a habilidade de King de construir ambientações interessantes. Podemos imaginar perfeitamente a cidade a partir das descrições feitas pelo autor. Desde a estalagem onde no térreo as pessoas ficam para beber até a loja de móveis usados administrada pelo Senhor Barlow. Tudo é descrito de forma pormenorizada. Essa característica do autor de descrever demais os elementos incomoda alguns leitores que alegam uma ausência de liberdade imaginativa para o leitor. A mim não me incomoda: muito pelo contrário, fornece mais realismo àquilo que está sendo apresentado.


Os elementos de mistério e terror estão presentes a todo o momento, mas se concentram mais na primeira metade da história. Acho que um dos grandes defeitos da história foi apresentar o vilão na metade do desenvolvimento da trama. A segunda metade da história possui uma noção mais de perigo e iminência do que de pavor. O terror estava no desconhecido; estava em não saber que tipo de inimigo estava sendo enfrentado. Quando o vilão foi revelado a história perdeu um pouco de seu impacto.


Outro elemento interessante da escrita de King que aparece claramente na história é sua capacidade de escrever sobre o homem comum. Até o romance do bêbado inveterado que frequenta a estalagem com a dona é descrito. Vemos este amor que parecia ser de via única se revelar ser correspondido ao final da história. Lógico que o final do casal é trágico, mas não deixa de revelar a preocupação de King mesmo com os personagens secundários.


Salem é uma boa leitura. O spoiler dado na edição brasileira sobre o que era o vilão da história quebrou metade da graça. Mas, mesmo assim é uma excelente obra de terror que ao final da história ganha uma violência e uma iminência viscerais.




Ficha Técnica:


Nome: Salem

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Gênero: Terror

Tradutora: Thelma Médici Nóbrega

Número de Páginas: 464

Ano de Publicação: 2013


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Uma substância confere aos indivíduos a habilidade da percepção extra-sensorial. Isso pode ser o diferencial para vencer a Guerra Fria. Mas, será que é ético usar tais poderes?




Sinopse: Quem não se recorda de O Cérebro de Donovan, uma das primeiras obras da Colecção Argonautae também uma das melhores de todos os tempos, no campo da ficção-científica? Agora, o seu autor, Curt Siodmak, surge com outra história não menos aliciante, escrita com a sua habitual mestria. O TERCEIRO OUVIDO (The Third Ear) sustenta, como em O Cérebro de Donovan, uma tese que nada tem de inverosímil e faz pensar. Mais uma vez é a biomedicina que Siodmak estuda, com todas as sus profundas implicações e as suas surpresas. Será possível conseguir estimular a actividade cerebral de modo a permitir o conhecimento dos pensamentos alheios? A percepção extra-sensorial poderá ser o resultado de substâncias químicas invulgares? A síntese dessas substâncias permitirá conceder a qualquer pessoa essa percepção?


E se a resposta a todas essas perguntas for positiva, que consequências terá tal descoberta na política e na vida de todos os dias? Que será do Mundo quando deixar de haver segredos? E, principalmente, que será do homem que descobriu a maneira de conhecer os segredos de todo o Mundo?



Esta é uma obra de ficção especulativa com o sabor dos anos 1960. Aqui encontramos de tudo: espionagem, segredos de Estado, conspirações. A história se passa durante a Guerra Fria e o personagem principal se vê chamado para a antiga URSS em uma pesquisa da qual ele não deseja revelar muito de suas descobertas.


O autor consegue fazer um bom mix de ciência e do oculto ao propor uma substância capaz de fornecer àquele que a ingere a habilidade da Percepção Extra-Sensorial. Essa substância seria secretada pelos grandes mestres do oculto espalhados pelo mundo. Na história, o protagonista encontra um yogi (um mestre hinduísta) capaz de entrar em um estado de meditação profunda e uma cartomante com sensibilidades especiais.


A história em si é um pouco fraca. Talvez por ela ter esse sabor de espionagem, semelhante às histórias do 007 de Ian Fleming, ela tenha envelhecido aos olhos do leitor. Eu consigo imaginar uma história do Capitão América da Era Clássica nesse ambiente. Por isso, a ambientação não gera o clima noir adequado ou sequer a sensação de perigo. O final é totalmente previsível já que o autor nunca imaginou uma mudança no status quo do seu mundo.


Na realidade, a história é criada para responder a uma pergunta: “Devemos saber o que os outros estão pensando?”. O protagonista tem uma sensação de amplitude quando usa a substância em si mesmo. Mas, pouco a pouco, o autor começa a sentir a diferença entre o que as pessoas pensam e o que elas falam. Nem sempre o que pensamos é o que queremos que os outros saibam. Aqui existe uma discussão ética sobre nossos pensamentos mais íntimos. O protagonista consegue compreender os pensamentos de seu interesse romântico, dividida entre espionar o cientista ou amá-lo. Quando ela percebe a intrusão do protagonista em seus pensamentos, ela se frustra por isso. É como se ela tivesse sido completamente despida em público. Afinal, seus pensamentos são o refúgio de seus medos, anseios e desejos mais íntimos. Quando alguém invade esse recôndito, é como se ela estivesse sendo abusada contra a sua vontade.




O próprio protagonista percebe o quão errado é invadir a mente das pessoas. O homem não está preparado para esse nível de avanço. Se não somos verdadeiros entre nós, conhecer o íntimo da mente de outras pessoas é algo aterrador.


Outra discussão muito pertinente feita ao longo da história é o mau uso da ciência. O protagonista queria pesquisar os grandes mestres do oculto por curiosidade. Seria a imagem de uma criança observando uma colônia de formigas e acrescentando obstáculos para ver como elas se comportariam. Quando a sua pesquisa passa a ser encarada como uma vantagem em uma disputa entre duas grandes potências mundiais, o protagonista se sente contrariado. O grupo de financiadores do projeto quer a todo o custo a substância para usar em atos de espionagem industrial. Neste momento, Siodmak apresenta o seu próprio contexto de vida para enriquecer a sua narrativa. Podemos perceber todo o medo e o perigo por trás de uma guerra fria, ou seja, de uma guerra entre duas nações nucleares em que nenhum disparo é feito. Mas, todos se sentem tentados a apertar o gatilho. Dá aquela coceira na mão da qual as altas patentes das forças armadas não conseguem se livrar.


Também consigo interpretar a falta de vontade do protagonista de entregar a fórmula como um egoísmo. Isso porque ele queria se sentir especial ao ser a única pessoa no mundo com a capacidade de ler a mente. Se todos possuíssem essa habilidade, a característica do “ser especial” estaria perdida. Em diversos momentos, o protagonista tem a oportunidade de oferecer a fórmula de uma maneira segura, mas sua desconfiança acaba atrapalhando os seus objetivos.


Como me referi antes, não tenho nenhuma sensação de perigo ou de iminência em nenhum momento da obra. Salvo na cena do barco nos últimos capítulos, o protagonista não chega a correr perigo. Até a atitude do protagonista me lembra o clássico James Bond interpretado por Roger Moore: um cara alheio aos problemas, um tanto blasé. Ele corre em direção ao perigo, mas não tão rápido quanto poderia. Os vilões o prendem para interrogatório, mas ele não chega a correr nenhum tipo de risco. Mesmo a presença da espiã não o coloca em perigo. Aliás, a situação com a espiã é um tanto quanto estranha. Siodmak meio que esquece a espiã na metade da história. A personagem fica um pouco de lado e ele lembra da personagem quando está encaminhando a história para o seu final.


Enfim, Siodmak parece concluir que a ignorância é uma benção já que o protagonista recusa a possuir tais habilidades ao final da trama. É uma história mediana, capaz de nos distrair em um final de semana. Não recomendo a ninguém que leve a trama a sério até porque o autor não faz por onde torná-la dessa forma. A trama gira em torno da pergunta que eu apresentei acima. Siodmak é um dos mais clássicos autores de ficção científica. Se servir como incentivo, a sua época de produção é conhecida como a Era de Ouro da ficção científica. Se sua obra tem valor, é porque se insere neste momento. Só por isso vale a pena a leitura.




Ficha Técnica:


Nome: O Terceiro Ouvido

Autor: Curt Siodmak

Editora: Pinnacle Books

Gênero: Ficção Científica

Ano de Publicação: 1974


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