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Atualizado: 29 de Mar de 2019

Bobby Newman testa um novo tipo de software que permitiria quebrar até mesmo firewalls poderosos de grandes corporações. Mas, algo dá errado e ele quase morre. Só que aparece uma estranha presença que salva Bobby Newman de sua inevitável morte. Quem será?



Sinopse: Algo estranho acontece no ciberespaço.  Sete anos após os eventos narrados em Neuromancer, a matrix se estende sobre a Terra, envolvendo pessoas, empresas e informações. Sem qualquer controle, inúmeras Inteligências Artificiais se proliferam e se tornam sencientes, transformando-se em deuses vodus. Eles interagem com a humanidade e ameaçam a segurança de indivíduos e de grandes corporações. Nesse cenário frenético e superconectado, uma guerra está prestes a começar. Count Zero é o segundo volume da Trilogia do Sprawl.


Admito que tenho problemas com William Gibson. A minha resenha sobre Neuromancer gerou muita polêmica entre meus colegas que argumentaram que eu não entendia a importância de sua contribuição. Entendo perfeitamente este ponto. Acho que o Gibson foi importante ao estabelecer um novo tipo de histórias baseadas em um futuro não tão distante. Suas histórias sempre possuem um teor de crítica social. Mas, não podemos confundir inovação com uma história mediana.


Em Reconhecimento de Padrões já foi possível perceber uma evolução na maneira de conceber os personagens. Afinal, de nada adianta eu ter um mundo ricamente formulado se os meus personagens não são capazes de entregar uma boa história. Mas, Reconhecimento de Padrões tem vários anos de diferença em relação a Neuromancer.


Count Zero é o segundo volume da Trilogia Sprawl. Neste volume, Gibson expande um pouco mais o mundo concebido em Neuromancer. Nos apresenta novos personagens enquanto faz referências a alguns antigos. Achei um ponto muito positivo neste livro. O mundo cresce bastante ao mesmo tempo em que vemos personagens conhecidos como o Finlandês. Os conflitos entre corporações são ampliados ao aparecer um sucessor pelo vácuo deixado pela Tessier-Ashpool.


Mais uma vez são as personagens femininas quem dão as rédeas da história. Marly é responsável pelos momentos mais interessantes do livro. Sua investigação sobre Virek e a sua ida até o antigo satélite da Tessier são os momentos que empolgam na história. Já a parte de Bobby me incomoda um pouco. Entendo que ele é o protagonista e seus capítulos englobam boa parte da mitologia por trás do enredo no livro. Vou discutir essa mescla de espiritualidade e tecnologia mais abaixo. O que me incomoda novamente é a passividade do personagem diante da história. Mesmo protagonistas fracos em outras histórias, eles acabam fazendo a história seguir ao se deparar com um obstáculo. Geralmente, alguma coisa acontece: ou o protagonista atravessa o obstáculo ou ele cai ou desiste. Em Count Zero, Bobby Newman não faz nada dessas coisas. A história é que parece empurrá-lo adiante de alguma forma; ou seja, não é personagem que faz a história seguir, mas a história que faz seguir o personagem. É difícil explicar adequadamente. Vamos dizer que o personagem não toma nenhuma decisão, não realiza nenhuma escolha durante a história. Mesmo quando ele se vê diante de uma decisão difícil que afeta todo o seu grupo, ele não diz sim ou não, mas a força externa que o auxilia é quem diz sim.



Os biosofts são muito interessantes na história. E o autor escolhe a mitologia haitiana para mesclar com os conflitos entre corporações. As interações com Papa Legba são muito bacanas. Talvez isto tenha levantado um pouco mais a minha análise da história. E o fato de Marly ter me lembrado muito outro personagem do Gibson: Cayce Pollard de Reconhecimento de Padrões que é a minha favorita de suas histórias (Molly é uma personagem muito interessante, mas Cayce foi melhor construída). O autor tem alguns posicionamentos sobre espiritualidade que vale a pena ser observados. Prefiro deixar no ar para que os leitores possam apreciar melhor.


O tema comum em Neuromancer e Count Zero é a crítica ao individualismo. Neste mundo corporativo, as pessoas vivem em seus cômodos afastados umas das outras. Habitam cubículos, acessam seus chips para entrar na rede e se comunicam pouco umas com as outras. É um mundo decadente em que cada indivíduo desconfia do outro. Por desconfiar, não quer estabelecer relações com os outros. No fim da história, apenas a união entre os diversos grupos atuantes é capaz de derrotar os antagonistas da história. Um momento onde cada um empresta sua habilidade para formar um grupo coeso. Tudo em prol de um objetivo comum. Em Count Zero, Gibson trabalha com o individualismo, mas diferente do primeiro livro, ele mostra como é importante a união das pessoas.


Enfim, recomendo a leitura. Count Zero tem uma pegada diferente de Neuromancer. As benditas referências pop continuam presentes, mas incomodam menos do que no primeiro livro. A gente sente que elas fazem parte integrante do mundo em questão, e não são apenas flavor. Ou seja, não são apenas a cerejinha por cima do bolo. Existe um objetivo para a sua presença ali; algo importante para o andamento da história. Count Zero tem um bom clima, personagens interessantes (esqueçam Bobby Newman, foquem-se nos outros personagens) e dá uma boa continuidade na história.




Ficha Técnica:


Nome: Count Zero

Autor: William Gibson

Série: Trilogia Sprawl vol. 2

Editora: Aleph

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Carlos Ângelo

Número de Páginas: 312

Ano de Publicação: 2017 (nova edição)


Outros volumes da série:

Neuromancer (vol. 1)

Mona Lisa Overdrive (vol. 3)


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Atualizado: 6 de Jun de 2019

Hari Seldon acredita que o Império Galáctico vai ficar em ruínas daqui a algumas centenas de anos. Ele é o mais importante psico-historiador do Império. E ele tem um plano. Mas será que seus planos realmente surtirão efeito?

Sinopse:


O Império Galático possui 12 mil anos. E possui pujança, grandeza e estabilidade. Ao menos em sua fachada. Mas ele está em pleno declínio, lento e gradual. E, no final, culminará com uma regressão violenta da sociedade e a conseqüente destruição do conhecimento. Preocupados com isso, um grupo de cientistas traça um plano pela preservação do conhecimento adquirido. Vencedor do prêmio Hugo, como a melhor série de FC de todos os tempos, este é o livro inicial da Trilogia da Fundação.


Fundação é um dos livros clássicos de ficção científica do século XX. É inegável o que a obra representa para o gênero literário. Asimov coloca no papel um conceito fantástico em que ele apresenta um universo construído ao longo de vários séculos. E ele faz isso com uma certeza e uma fluidez que acabamos por achar natural. Poucas vezes paramos para analisar (aqueles que acabam investindo na trama) que estamos nos referindo a um espaço de tempo de vários séculos.


Esse talvez seja o único ponto negativo nesta obra. O personagem principal é a Fundação. Não existe um protagonista que vai lutar contra as adversidades e derrotar o vilão. A própria história da Fundação é que está sendo discutida. Temos vários personagens que estarão no meio dos acontecimentos ou que agirão como nossos olhos. Hari Seldon e sua psico-historia, Salvor Hardin e sua capacidade de liderança e Hober Mallow com seus colegas mercadores. Todos vêm e vão. Não há tempo para nos apegarmos a eles porque estamos vendo de cima a Fundação. Para a Fundação estes personagens são apenas passageiros, grãos de areia em uma história que perpassa gerações. E eu digo que Fundação é um livro para poucos porque foge desses padrões narrativos. Eu adoro o livro. Para mim, entra fácil em qualquer lista de top10 do século XX.


A narrativa corre bem; chega a ser veloz em algumas partes. Quando nos damos conta do que está acontecendo, um evento Seldon acontece e somos atirados adiante. Isso contribui para a história não ficar maçante. Uma das minhas críticas ao Asimov é que ele gosta de explicar demais as coisas. Mas, isso é tema para outras análises já que nesse livro ele encontra a medida perfeita disso.

Pensar que a primeira trilogia da Fundação foi publicada em folhetins chega a ser absurdo. Uma obra desse naipe ser publicada tão lentamente deve ter deixado os leitores da época loucos de ansiedade. Aliás, a ansiedade por ver mais do que está acontecendo me fez devorar esse livro em menos de uma semana. E eu queria mais. O único alerta que posso fazer é que este livro é o melhor da trilogia. Os outros dois, apesar de espetaculares também, não são tão bons quanto o primeiro.


Ficha Técnica:


Nome: Fundação

Autor: Isaac Asimov

Série: Trilogia da Fundação vol. 1

Editora: Aleph

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Fábio Fernandes

Número de Páginas: 240

Ano de Publicação: 2009


Outros volumes da série:

Fundação e Império (vol. 2)

Segunda Fundação (vol. 3)

Limites da Fundação (vol. 4)

Fundação e Terra (vol. 5)


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Atualizado: 29 de Mar de 2019

Esta é a história de John Carter, um soldado experiente da Guerra de Secessão que se vê transportado ao estranho mundo de Barsoom. E ele precisará sobreviver a um lugar hostil com suas habilidades.



Sinopse: Um século após sua publicação, Uma Princesa de Marte recebe sua primeira versão brasileira do texto original que inspirou o filme John Carter, dos estúdios Disney. O capitão John Carter, combatente do exército confederado, tenta recomeçar sua vida após perder tudo o que possuia com o fim da Guerra Civil Americana. Ele só não poderia imaginar que seu caminho o levaria a terras desconhecidas em outro planeta. Apesar da aparência inóspita, Marte é repleto de vida, com uma flora peculiar e fauna diversificada, habitada por estranhas raças constantemente em guerra umas com as outras. Capturado pelos temíveis tharks, John Carter luta por sua liberdade e busca conquistar o amor de Dejah Thoris, princesa de Helium. Numa jornada repleta de contratempos, ele se envolve em disputas entre as diversas tribos de Barsoom – como o planeta é chamado por seus habitantes –, fazendo poderosos inimigos e ganhando a confiança de importantes aliados. Em seus romances barsoomianos, do qual Uma Princesa de Marte é o primeiro livro, seguido por Os Deuses de Marte e O Comandante de Marte, Burroughs criou um herói marcante, uma cultura vasta e rica.


Uma Princesa de Marte é o primeiro volume de uma saga chamada Barsoom escrita por Edgar Rice Burroughs e que começou a ser publicado em 1917. É um clássico do gênero das pulp fictions. Como a maioria das histórias desse tipo, é um grande épico de ação envolvendo um homem que se vê retirado de seu mundo e sendo jogado em um mundo estranho repleto de perigos. 


A premissa básica de Uma Princesa de Marte é a sobrevivência em um mundo estranho usando nada mais do que punhos e coragem. Ou seja, duas características principais de um western. E nisso, Uma Princesa de Marte tem muito. 


Além de ser um pulp, Edgar Rice Burroughs escreveu uma power fantasy. Trata-se de um estilo literário em que o leitor pode se identificar com alguma personagem em particular. Este personagem é capaz de resolver todos os tipos de problemas. No caso de John Carter, trata-se de uma power fantasy em que o protagonista busca redenção, procura compensar os erros de seu passado. Isso porque o protagonista se apresenta no início da obra como um antigo capitão do Exército Confederado. Ele era parte de um grupo que não foi bem-sucedido em uma operação importante durante a guerra. Mas, em Marte, ele é diferente: possui um código, tem honra, bondade, cavalheirismo. Por causa da baixa gravidade em Marte, ele pode saltar a grandes alturas. A ciência lhe fornece grande força, destreza e agilidade. Ele usa isso para ser capaz de se manter fiel aos ideais os quais ele não foi capaz de seguir no passado. 


Mas, se analisarmos mais profundamente a história que guia John Carter veremos que Uma Princesa de Marte não é apenas uma power fantasy ou uma viagem de aventura pelo estranho mundo de Barsoom. É uma história de redenção: a redenção de um homem que falhou durante a Guerra Civil e agora tinha uma segunda chance para realizar feitos extraordinários. Este é um mote que atrai muitos americanos que foram afetados direta ou indiretamente pela Guerra Civil, portanto tinha um grande apelo popular. Estes americanos buscam um novo ideal pelo que lutar. A power fantasy de Uma Princesa de Marte é uma power fantasy americana. Não é estranho a história ter se tornado popular, principalmente para aqueles que não podiam bancar uma formação superior. 




Ficha Técnica:


Nome: Uma Princesa de Marte

Autor: Edgar Rice Burroughs

Série: Barsoom vol. 1

Editora: Aleph

Tradutor: Ricardo Giassetti

Número de Páginas: 272

Ano de Publicação: 2010


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Outros volumes da série:

Deuses de Marte (vol. 2)


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